Nathan Greene

Diálogo com um desenhista Adventista

Nathan Greene ainda está nos começos de sua carreira como desenhista. Mas, com apenas 30 e poucos anos, ele já trabalhou para clientes famosos como a National Aeronautics and Space Administration (NASA), Christianity Today, Focus on the Family, World Book Encyclopedia e National Wildlife Federation -- entre outros de uma lista sem fim.

Mas, com a afirmação de sua carreira e o aumento da demanda de sua arte, nasceu um novo foco que reflete sua madureza como artista e seu compromisso como cristão. Nos últimos anos, ele tem sido admirado por sua habilidade para pintar Cristo envolvido de forma ativa na vida contemporânea.

Nasceu e cresceu no Estado de Michigan, nos Estados Unidos, terminou o segundo grau no Cedar Lake Academy em 1979, estudou na Andrews University e na American Academy of Art, em Chicago. Iniciou sua carreira como desenhista em Chicago, mas escolheu viver no campo e mudou sua família e ateliê para a região rural de Eau Claire, Michigan, sete anos atrás.

Nathan é um homem de família. Ele trabalha num ateliê no porão de sua casa e descansa de seu constante trabalho correndo cinco a dez milhas por dia e brincando com seu filho, Tommy, e sua filha, Bonnie. Mais de uma vez, sua família foi usada como modelo para suas pinturas.

Quando você percebeu que se tornaria um artista?

Eu desenhava o tempo todo quando tinha quatro ou cinco anos. Durante o período escolar, eu sabia que gostaria de ser artista ou médico. Meus pais me colocaram numa classe de arte particular com minha professora do primeiro ano, a Srta. Kilstrom, que era muito boa artista. Ela me ensinava arte e desenho uma noite por semana durante dois anos. Como sempre me interessei por medicina e arte, além de desenhar também fazia maquetas de anatomia humana. Cheguei a usar livros antigos de enfermagem da minha mãe, tentando copiar as ilustrações de diferentes crânios e ossos.

A carreira artística pode ser considerada uma escolha vocacional não-tradicional. O que orientou as suas escolhas e o que lhe deu a confiança de dedicar-se à arte?

Quando Deus lhe dá um talento e se esse talento é suficientemente forte, você não pode impedi-lo e deve deixar que ele o guie sobre a escolha a fazer. Acho que se você ignora esses talentos principais, talvez nunca mais esteja em paz consigo mesmo ou satisfeito com sua vida. Há outras coisas que gostaria de fazer, mas sinto que essa é a que eu deveria fazer.

Quão importante foi o exemplo de outros para suas decisões profissionais?

Muito importante. Fui muito influenciado por Harry Anderson, um dos artistas cristãos que ilustrou os livros As Histórias da Bíblia. Um amigo me levou ao seu encontro quando tinha dezessete anos. No mesmo instante percebi que ele era um homem de Deus. Harry é o tipo de pessoa que você encontra e deseja imitar. Admiro especialmente sua habilidade de pintar com uma quantidade mínima de pinceladas. Também meus pais têm sido maravilhosos exemplos de vida por causa de seus princípios e convicções.

Ao estar num processo de criação, existe um momento mágico quando você diz: "Sim, foi por isso que me tornei um artista"?

Existem muitos momentos mágicos e muitos momentos não mágicos também! Por exemplo, na pintura "Chefe do Pessoal Médico", tudo deu certo. Existem ocasiões em que pinto e tudo se encaixa. Outras vezes, tenho que pelejar com um desenho. Eu não sei o que faz a diferença. Talvez esteja relacionado com a mistura da experiência, inspiração e motivação, todas ajustadas num só ponto. Claro que ninguém pode manter um nível de energia criativa alta o tempo todo. Quando estou no meio de uma pintura, posso trabalhar de 18 a 20 horas seguidas. Faço isso em parte para ter coerência criativa e em parte por causa do tempo de secagem limitado das tintas que utilizo. Mas quando termino um desenho, geralmente descanso e dedico tempo a minha família por vários dias antes de começar outro projeto.

Qual é o tema de seu trabalho?

Não é difícil identificar o tema agora. Entretanto, nos primeiros oito ou nove anos de minha carreira como desenhista, fiz muitos tipos de projetos diferentes para os clientes. Mas agora me dedico principalmente à arte cristã, especificamente desenhando Cristo. Agora tenho a mesma oportunidade de fazer o que os escritores, músicos e pastores cristãos fazem -- retratar o caráter de Deus por meio de seus talentos. Espero que minha arte dê às pessoas a impressão de um Deus gentil, amoroso e compassivo. Creio que quando você comunica o que Deus realmente é, você está colaborando no grande conflito entre Cristo e Satanás. E isso é toda a questão, não é? É Deus bom, justo e digno de ser obedecido? Creio que Ele o é, e tento dar minha contribuição para que essa mensagem seja conhecida.

O que nutre a sua espiritualidade e, conseqüentemente, a de seu trabalho?

O sábado, uma das maiores bênçãos de um adventista. Deus nos deu o sábado porque sabia que tentaríamos encaixar atividades demais em nossas vidas. Também aprendo de pessoas como Mark Finley e Graham Maxwell. Ouço várias de suas fitas enquanto trabalho. Quando pintava "Chefe do Pessoal Médico", ouvi várias fitas da classe da escola sabatina de Graham Maxwell na igreja da Universidade de Loma Linda. O Dr. Maxwell fala muitas vezes a respeito da responsabilidade sem igual dos médicos em testemunhar sobre o caráter de Deus.

Quais são seus maiores desafios e lutas?

Acho que pintar Cristo é um dos meus maiores desafios. Ponho muita pressão sobre mim mesmo quando o faço, porque é uma tremenda responsabilidade. Quem sabe realmente como Ele é? Gostaria de sabê-lo. Tudo que posso fazer é basear minha pintura na melhor evidência histórica disponível. Em comparação, outros temas são fáceis. Quando pintei o quadro de Cristo para o programa de televisão "Está Escrito", preocupei-me bastante. Minha primeira tentativa de pintar o rosto de Cristo levou dezoito horas. Mas não gostei do resultado. Levantei-me na manhã seguinte, apaguei o que havia feito, tirei o dia livre e tentei novamente no outro dia. O próximo rosto me tomou vinte horas e, dessa vez, o mantive. Ao pintar as mãos de Cristo, tornei a pintar uma delas três vezes e a outra, duas. Sinto ser minha responsabilidade fazer cada pintura melhor que a anterior. Acho que ninguém deveria acostumar-se a fazer um trabalho medíocre. Se você se esforça buscando a excelência, receberá a recompensa.

O que faz Nathan Greene funcionar?

Patty, minha esposa, me ajuda muito. Ela organiza meu trabalho e me lembra das coisas porque os artistas são famosos por serem distraídos. Patty mexe com a correspondência e a contabilidade. Ela é também meu melhor crítico. Embora ela não tenha preparação como artista, Patty aprendeu a realmente entender o trabalho artístico que faço. Ela pode descobrir coisas que eu mesmo não vejo porque olhei fixamente a tela por tanto tempo. A família é muito importante para mim. Eu não seria uma pessoa tão feliz sem minha família.

Que conselho você daria aos artistas jovens e/ou àqueles que seguem carreiras no ramo das vocações criativas?

A prática é muito importante. Ser artista é como ser músico. Se você deseja ser um bom violinista, deve praticar. Se você deseja ser um excelente violinista, deve praticar mais ainda. Outra sugestão para um artista jovem é que não imite os outros, mas pinte o que venha naturalmente. Harry Anderson me deu este conselho. Mas acho que é possível aprender muito estudando os outros. Também motivaria os artistas jovens a aprender os fundamentos da arte primeiro, a importância das destrezas técnicas e, então, a criatividade virá. Isto é especialmente importante se você deseja ser desenhista.

O que espera de seu trabalho no futuro?

Gostaria de continuar o que faço agora, ou seja, desenho cristão. Claro que espero melhorar nisso com cada imagem que desenho. Houve um tempo em que a NASA, a National Wildlife Federation e especialmente a National Geographic Society foram exemplos de clientes com os quais queria trabalhar. Naquela época, eu achava que desenhar para editores cristãos era de menor importância. Eu não compreendi seu verdadeiro valor até recentemente quando mudei minha maneira de pensar. Meu objetivo principal não deve ser fazer trabalhos para editores de prestígio, senão criar arte que retrate o caráter de Deus de maneira positiva, o que pode ter conseqüências eternas.

Como você relaciona essa nova visão com os seus últimos trabalhos?

Sempre penso nisso desde que faço desenhos de Cristo para aqueles que tratam de prover serviços de saúde. Quando as pessoas entram num hospital, geralmente estão passando por uma etapa difícil de sua vida. Nesse preciso momento, elas estão muito mais propensas a pensar seriamente sobre o significado da vida e no rumo de sua própria vida. Que melhor momento para um sermão na parede? É por isso que muitas vezes comparo meu trabalho de pintor com o de um pregador. A diferença é que uso uma imagem em vez de palavras. Muitas pessoas que chegam a um hospital talvez nunca entrem numa igreja, escutem um sermão ou levem a fé seriamente. Para mim é emocionante pensar que alguém pode ser influenciado positivamente pela minha arte.

Entrevistado por T. Lynn Caldwell. T. Lynn Caldwell ensina no Departamento de Comunicações da Universidade Andrews, em Berrien Springs, Michigan, E.U.A.