Renderei louvores durante a eternidade

Se você alguma vez duvidou do esforço assombroso, indescritível que Deus faz para salvar seja quem for — continue lendo. Sabe, tenho uma história para você. É sobre como Deus me alcançou através dos olhos de um meninozinho chamado Cedarric Collins.

Meu irmão A. J. e eu morávamos num pequeno apartamento em Seattle, Estado de Washington. Freqüentávamos a faculdade tentando completar nossos estudos, trabalhando à noite e estudando durante o dia.

A. J. ia à igreja regularmente. Tinha encontrado a Jesus enquanto estudava no Instituto Adventista de Auburn. Quanto a mim, eu me havia rebelado contra meus pais desde seu divórcio, e me defendi sozinho por alguns anos antes de ir morar com A. J. — Alô Pat — disse ele enquanto estávamos sentados na cozinha. — Gostaria de ir à igreja comigo?

— Olhe — disse eu. — Falei-lhe um milhão de vezes. Se você quiser ir à igreja, isto é esplêndido, e se você crê em Deus, ótimo. Mas essa questão de religião não é para mim, portanto desista. — Muito bem — disse ele. — É o seguinte: farei um trato com você. Venha à igreja comigo uma vez, e nunca mais vou incomodá-lo com religião.

Uma oferta melódica

A proposta era melódica. A. J. era persistente em querer converter-me. Toda semana era a mesma pergunta dele com a mesma resposta de minha parte. Agora aqui estava uma oportunidade de não mais ouvir meu irmão caçula falar sobre como sentiria falta de mim no céu. — Vou uma vez e você nunca mais me amola; de acordo?

— De acordo.

— Uma condição — acrescentei. — Se eu for, vou como sou — apontando o dedo para ele. — Não vou ser diferente do que normalmente sou.

— De acordo — disse ele de novo.

Sábado de manhã chegou e eu estava pronto. Lembrava-me de uma coisa sobre gente de igreja; se você não se parecer com eles, eles o deixam de lado. Eu tinha brincos em cada orelha, e para completar o traje usei meu jeans rasgado, botas pretas de motoqueiro e uma jaqueta de couro combinando. Deixei a barba por fazer e mantive um semblante rude.

— Vamos — disse a meu irmão.

A. J. não estava demasiado surpreso quando me viu. — OK — replicou. — Vamos.

Quando chegamos à igreja, houve umas poucas pessoas que me apertaram a mão. Eu não era tonto — sabia que essa gente havia sido avisada de minha chegada. Mas no geral, o que pensei que ia acontecer, aconteceu. A igreja não sabia o que pensar de mim, e me deixaram só.

Quando o sermão começou, o Pastor Roscoe Howard pediu que a igreja abrisse a Bíblia para certa passagem. O farfalhar das páginas começou a encher o salão enquanto os membros procuravam o livro e o capítulo. Sentei-me quieto com os braços cruzados sobre o peito e as costas um tanto relaxadas contra o banco. Restavam apenas 30 minutos e eu estaria livre da importunação de meu mano!

Enquanto os outros abriam a Bíblia, eu não tinha uma, nem a queria. Subitamente senti um puxão em minha jaqueta. Virei-me e dei de cara com um meninozinho de cabelos encaracolados, de pele clara, com não mais que dez anos. — Oi — disse ele. — Meu nome é Cedarric.

— Oi — retruquei. Virei-me então rapidamente para o pastor tentando de novo deixar claro que não estava interessado em conhecer ninguém. O puxão veio de novo. Desta vez franzi as sobrancelhas e disse: — Que foi?

— Qual é seu nome? — perguntou, sem cerimônia.

— Garoto, se lhe digo meu nome, você me vai deixar sossegado? — disse rispidamente.

— Talvez.

Eu estava preparado para tentativas de adultos em obter conversões, mas me senti desarmado diante daquele garoto curioso e intrometido!

— Meu nome é Pat — disse eu. Encarei-o e sussurrei: — Agora ouça cuidadosamente o sermão. Você poderá aprender algo.

Cedarric então virou-se de frente para o púlpito. Pegou uma esferográfica. Do canto de meu olho vi pequenos dedos apertando a esferográfica e a língua fora da boca em concentração resoluta. Estava escrevendo algo em sua Bíblia, e eu sabia que sua atenção estava longe de mim. Mas o escrevinhar logo parou, a língua estava de volta na boca, e ele virou-se novamente para mim e tocou no meu ombro com sua Bíblia.

— É para você — disse ele ao segurarmos ambos o livro ao mesmo tempo. — Escrevi seu nome nele — e um sorriso iluminou-lhe o rosto.

Olhei para a Bíblia e a entreguei de volta para ele. — Não quero isso, garoto. Guarde-a.

Cedarric começou a se mexer no banco. — Não; é para você mesmo — disse ele.

Não quis fazer uma cena diante de todo mundo, dizendo por que não queria uma Bíblia. Assim, a troca foi feita e ambos ficamos quietos.

O culto terminou e corri para a porta. Fiquei no carro esperando meu mano.

— Que achou? — perguntou.

— Desgostou-me — disse eu. — Já lhe falei: se você crê, isso é grandioso, mas não é para mim, e não quero ter nada a ver com isso. Fiz a minha parte do trato. Agora não quero mais ouvir de você qualquer história de conversão. — O resto da viagem para casa foi silenciosa.

Quando chegamos, entrei em casa carregando aquela Bíblia. Não sabia o que fazer com ela. Queria jogá-la fora, mas tinha meu nome escrito nela com rabisco de garoto. Assim a coloquei em cima da geladeira. Quando voltei à noite e sentei-me na cozinha para comer algo, a Bíblia ainda estava lá. Senti-me incomodado por ela e joguei-a na sala de visitas. Quando fui ver televisão, lá estava ela de novo.

As perguntas continuaram a vir

Durante os quatro dias seguintes, aquela Bíblia mudou de lugar para lugar no apartamento, dependendo do quarto em que me achava. Na noite de quinta-feira, estava sentado em minha cama. Era uma daquelas noites quando o ar fica parado e podem-se ver as luzes da rua filtradas através das gotas de chuva sobre a janela. Olhei em volta, e aquela Bíblia estava sobre a cômoda. Lançava uma sombra sobre a parede na luz fraca do quarto de dormir. Contemplei-a e os pensamentos começaram a desdobrar-se em minha mente:

Será que Ele existe mesmo?

De onde vim, e para onde vou?

Isto é tudo o que há na vida — o lixo em meio ao qual vivi estes últimos 22 anos?

Se Jesus Cristo não existe, se Ele não é mais do que um mito, por que O odeio tanto?

O que moveu um garoto a dar-me sua Bíblia, quando eu tinha aquela aparência?

As perguntas continuaram a vir ao estar sentado ali. Tinha estado a correr toda a minha vida. Do quê? Não cria; por que então correr? Tinha de obter algumas respostas, e agora era a ocasião. Atravessei a cozinha em direção ao quarto de meu mano.

— Olhe — disse-lhe seriamente. — Não se entusiasme, nem fique emocionado, nem pense que isto significa alguma coisa, mas tenho algumas perguntas para as quais preciso de resposta. Acho que gostaria de perguntar ao seu pastor a respeito.

A. J. olhou para mim, sorriu e disse: — Certamente. — Um ano e meio mais tarde, fui batizado.

Um vislumbre de Deus

Mesmo agora, ao sentar-me para escrever esta história e ao revivê-la, fico pasmo com o esforço que Jesus faria para me salvar. Fico perplexo diante do quanto Ele realmente me amou enquanto eu O odiava. Mudou minha vida para sempre.

Pouco depois de ser batizado na Igreja Adventista de Emerald City, fiz uma pequena apresentação. Contei minha história à igreja toda, enquanto os “améns” e “Deus seja louvado” ecoavam no santuário. Chamei Cedarric à frente e falei do poder que uma pessoa pode ter quando vive pela fé e não pela vista. Entreguei-lhe um presente. Era uma Bíblia novinha em folha encadernada em couro preto, com seu nome em letras de ouro impressas na frente. — Obrigado, Cedarric — disse-lhe. — Obrigado por ser o vislumbre de Deus que mudou para sempre o modo como eu O via.

Apenas uma alma para sempre pode estar

Louvando a Deus pela eternidade

Se você andar pelo espírito e não pela vista

E deixar o temor com o diabo, que é o originador do medo.

Minha vida agora testifica até o fim

De um Deus de amor e um amigo que perdoa.

Como aconteceu? Por que agora vivo por Suas leis?

É porque Jesus esqueceu que eu era um caso perdido.

Pat Grant é estudante no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia na Andrews University, Berrien Springs, Michigan, E.U.A. Seu endereço postal: 600 Beech-wood Ct., Apt. D-49; Berrien Springs, MI 49104; E.U.A.