Por que me incomodar orando?

Creio em Deus e procuro viver a vida cristã. Embora tenha aprendido que a oração é um fator importante em nosso relacionamento com Deus, pergunto-me se ela é realmente necessária. A Bíblia ensina que Ele é onisciente, cheio de amor e sempre pronto a dar-nos o que é melhor. Por que então deveríamos nós orar?

Certa vez eu estava discutindo questões espirituais com um jovem inteligente e bem falante. Subitamente, ele me assustou com uma irrupção irada. “Essa idéia de oração é uma tolice!” Ele sabia o que é oração e o que a Bíblia diz a respeito. Contudo, achei de experimentá-lo um pouco. “O que você quer dizer com a oração ser uma tolice?”, perguntei. “Bem”, disse ele, “a oração não afeta a Deus de modo algum. A Bíblia diz que ‘Deus é o mesmo ontem e hoje e sempre.’ Assim, nada do que você Lhe diz vai mudá-Lo. Deus, de qualquer modo, sabe de tudo. Ele diz, por exemplo, ‘antes deles Me invocarem, Eu responderei’. Que adianta orar se Ele conhece tudo? É perda de tempo”.

Isso faz sentido, correto? Errado, e eis por quê.

Primeiro, Deus diz na Bíblia que devemos orar. “Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda” (I Timóteo 2:8).1 “Orai sem cessar” (I Tessalonicenses 5:17). “Não estejais inquietos por coisa alguma, antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas, diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças” (Filipenses 4:6). A oração afeta a qualidade de nossas vidas. Como Ellen White escreve de modo tão belo: “A oração é o abrir do coração a Deus como a um amigo. Não que seja necessário a fim de informar a Deus o que somos, mas a fim de nos capacitar a recebê-Lo. A oração não faz Deus baixar até nós, mas eleva-nos a Ele”.2

Segundo, Jesus, nosso exemplo, orava. Se a oração não faz diferença, por que Jesus orava, às vezes, a noite toda, e no Getsêmani a ponto de verter sangue como suor? Não estava Ele ciente dos planos e propósitos de Seu Pai? A oração de Jesus mostra que orar é mais do que pedir algo — é estar em constante comunhão com Deus. Ela também mostra que somente pela dependência de Deus podemos receber força e poder para cumprir nossa missão e propósito nesta vida. As orações no Getsêmani e na cruz são exemplos fundamentais.

Terceiro, devemos orar uns pelos outros. Jesus disse certa vez a Pedro, “Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lucas 22:32). Jesus sabia que Pedro O haveria de negar três vezes, mas também sabia que há poder na oração intercessória, e que é importante a pessoa saber que alguém está orando por ela. Assim, a intercessão é outro aspecto importante da vida de oração do cristão. “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5:16).

Naturalmente, a oração inclui a exposição de nossas necessidades diante de Deus. Daniel orou, plenamente cônscio de que Deus conhece todas as coisas. Paulo orava continuamente em seu próprio favor, sua missão e suas congregações, embora soubesse que todas elas estavam nas mãos de Deus. A oração não é tanto para informar a Deus de nossas necessidades, de modo que Ele manipule as coisas a nosso favor, mas para nos ligar com Sua mente e coração. Podemos então começar a pensar Seus pensamentos e compreender Seu caminho, harmonizando nossa oração com Sua vontade.

Assim, por que devo me preocupar em orar? Porque Deus deseja que eu o faça, porque Jesus deixou o exemplo, porque os apóstolos oraram e porque a oração me liga com a mente e o coração de Deus.

Don Driver é o pastor responsável pela Igreja Adventista do Sétimo Dia em Beltsville, Maryland, EUA. Seu e-mail: ddriver4@juno.com

Notas e referências

  1. Todas as passagens bíblicas são extraídas da Bíblia de Almeida revista e corrigida.
  2. Ellen G. White, Caminho para Cristo (Santo André, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1984), pág. 93.