Glória Diokno: Diálogo com uma professora universitária, conferencista e pesquisadora filipina.

Glória Diokno é cientista social, professora universitária e pesquisadora.

Por quase 35 anos a Dra. Diokno tem sido uma educadora notável,

dedicada ao desenvolvimento da comunicação e à pesquisa de tecnologia avançada para a restauração da qualidade das florestas e terras de lavoura, bem como em promover a utilização eqüitativa dos recursos naturais. Presentemente, ela trabalha como cientista social empenhada em pesquisa no Instituto de Pesquisa de Florestas da Universidade das Filipinas, Los Banos.

Nascida nas Filipinas, ela se graduou na Adventist University of the Philippines (então Philippine Union College) com concentração em inglês. Suas consecuções acadêmicas notáveis grangearam-lhe bolsas de estudo integrais, que lhe permitiram a obtenção do mestrado e doutorado na Universidade das Filipinas, Los Banos, em 1971 e 1978.

Grandemente influenciada por seus pais adotivos que se haviam tornado adventistas no começo da década de 1950, a Dra. Diokno uniu-se à Igreja Adventista em 1954. Seu grande desejo de contribuir com a melhora da educação adventista e de servir à igreja inspiraram-na a participar ativamente de comissões administrativas, mesas e comissões executivas da União do Norte das Filipinas, da Adventist University of the Philippines e do Adventist International Institute of Advanced Studies.

Com a organização dos ministérios da mulher na Igreja Adventista, em 1995, a Dra. Diokno passou a liderar e inspirar outras mulheres, estimulando-as a “levantar-se, brilhar e servir”. Desde 1997, ela é presidenta da Associação de Mulheres da Missão Sul-Central de Luzon, nas Filipinas.

Glória Diokno é casada com Joseph Ramos Diokno, da marinha mercante, e têm um filho que trabalha para o governo das Filipinas. Seu amor por Cristo e a paixão de partilhar Jesus com seus estudantes e colegas continua a inspirar muitos membros, especialmente mulheres, a seguirem o Senhor como ela tem feito.

Dra. Diokno, como a senhora se interessou pela carreira magisterial e de pesquisa?

Creio que meus pais adotivos tiveram grande influência na escolha de minha carreira. Quando eu tinha dez anos, meus pais me adotaram. Tanto mamãe quanto papai foram professores de escola paroquial por um tempo, então, um ingressou no magistério de escolas públicas, enquanto outro continuou a ensinar no sistema adventista. Eles amavam seu trabalho e estou certa de que isso me contagiou também. Embora não me persuadissem a ser professora, serviram-me de bons modelos durante aqueles importantes anos de minha vida.

Poderia nos dizer algo de sua profissão?

Já sou preletora em inglês e ciências sociais por muitos anos numa das universidades estaduais das Filipinas. Dou aulas em cursos de jornalismo e redação, bem como em metodologia de pesquisa nas ciências sociais. Além disso, trabalho como editora de uma publicação regional, e também de outros dois periódicos ligados a áreas de pesquisa, comunicação global e ciência social. Presentemente, assumi maiores responsabilidades na universidade como pesquisadora em ciência social.

Com que espécie de pesquisa se ocupa atualmente?

Faço bastante pesquisa para o Bureau de Pesquisa e Desenvolvimento de Ecossistemas, que está vinculado ao Departamento de Recursos Ambientais e Naturais das Filipinas. Por exemplo, o governo está tentando realocar em outras áreas do país os agricultores que usam as técnicas de corte e queimada, e que estão depauperando a terra pela incineração de suas colheitas. Faço vistorias para identificar meios de ajudá-los a adotar práticas de conservação e a nova tecnologia de embalagem do carvão verde.

Fale-nos acerca de sua experiência como adventista.

Minha mãe era adventista, mas ela faleceu quando eu ainda era muito criança. Então, providencialmente, fui adotada por pais cristãos. Alguns anos mais tarde, eles aceitaram a fé adventista e fui batizada juntamente com eles. Meus pais adotivos observavam fielmente a fé adventista e estavam resolvidos a proporcionar-me educação cristã. Sou adventista há 46 anos.

Lecionar numa universidade pública cria-lhe algum problema como adventista?

Absolutamente não! Não tenho problemas com o sábado porque temos um programa de cinco dias de trabalho na universidade. O único problema, não de muita importância, é o programa de funções sociais nas noites de sexta-feira ou sábado. Mas porque a universidade sabe que guardo o sábado do pôr-do-sol de sexta-feira ao pôr-do-sol de sábado, os administradores e colegas respeitam minha crença e prática. Com efeito, eles procuram achar o melhor horário para colocar-me, e até procuram respeitar minhas preferências alimentares.

Como a senhora partilha sua fé com os colegas e estudantes?

Geralmente estou à procura de livros bons e com desconto para comprar. Dou-os de presente a meus colegas e estudantes. Eis alguns deles: The Book That Cannot Be Destroyed (O Livro Que Não Pode Ser Destruído), I Love You (Eu o Amo), Energized (Energizado), O Grande Conflito e Caminho para Cristo. Peço-lhes para irem à minha igreja em dias especiais de visitas, e dou a meus alunos lições de A Voz da Profecia. Convido-os a cantar e desfrutar comigo de alguns dos grandes hinos de nosso hinário.

O que lhe proporciona maior satisfação em seu trabalho na universidade?

Uma coisa que realmente me traz grande alegria e gratificação é notar como alguns de meus colegas e alunos me tomam como modelo de vida saudável. Eu lhes falo dos efeitos prejudiciais de comer entre as refeições, de tomar café ou chá e ingerir alimentos suculentos e ricos em gorduras. Assim, quando tenho reuniões ou aulas, eles deixam de servir alimentos entre as refeições. Em vez de café ou refrigerantes, servem água. Gosto quando me perguntam sobre o conceito do NewStart, um acrônimo que em inglês significa os remédios naturais: Nutrição, Exercício, Água, Luz Solar, Temperança, Ar Puro, Descanso e Fé em Deus. Ajudo a dar seminários baseados nesses princípios de saúde.

Como profissional pertencente ao laicato da Igreja Adventista, em que ministérios a senhora tem servido?

Tenho dirigido seminários em convenções, retiros e outras reuniões ligadas à igreja. Também tenho participado como membro de mesas diretoras de escolas, de comissões administrativas e mesas da união e da divisão por muitos anos. Sinto-me feliz em prestar serviços à Igreja Adventista, embora não trabalhe diretamente para a denominação.

Quando passou a se envolver com os ministérios da mulher?

Creio que quando fui nomeada coordenadora de ministérios da mulher em Calamba, onde fica minha igreja. No ano seguinte, o diretor na missão dos ministérios da mulher convocou uma reunião de todas as coordenadoras das várias igrejas, a fim de nos ajudar a organizar-nos como uma associação de mulheres. Fui então eleita presidente da Associação de Mulheres da Missão Sul-Central de Luzon. Simultaneamente, fui também escolhida para presidir a Associação de Mulheres da província de Laguna, e subseqüentemente, do distrito local.

Em que espécie de atividades a senhora está envolvida, juntamente com outras mulheres em sua associação?

Organizo retiros de mulheres, seminários de treinamento em companheirismo e liderança para crescimento e enriquecimento. Como ação missionária, começamos um ministério de visitação regular de prisões, que já está em seu quarto ano de operação. Semanalmente, ensinamos aos presos as lições de A Voz da Profecia. Então, quando algum manifesta o desejo de ser batizado, pedimos ao pastor local ou ancião para completar o processo. Também trabalho com as mulheres no planejamento de campanhas evangelísticas em toda a missão.

Sua dedicação ao trabalho evangelístico do ministério das mulheres não gera conflito com sua profissão?

De forma alguma! Com efeito, ele complementa meu trabalho na área de ciências sociais. Participamos de projetos chamados Mulheres e Desenvolvimento. Ajudo na área de saúde apresentando às mulheres o NewStart. Outra área em que coopero é no ensino de atividades que ajudem as mulheres a ganhar a vida, tais como: fazer sabão, costurar, etc. O tipo de palestras que dou durante as reuniões de evangelismo pode também ser usado quando estou dando aulas.

Que conselho gostaria de dar aos estudantes adventistas em universidades públicas?

Lembrem-se de permanecer firmes e praticar um estilo de vida adventista consistente. Não oculte sua fé; ao contrário, seja corajoso em praticar suas crenças e valores adventistas. Faça o melhor para partilhar sua fé. Deus o abençoará.

Entrevista concedida a Linda Mei-Lin Koh. Linda Mei-Lin Koh (Ed.D. pela Andrews University) é diretora de ministérios de crianças, famílias e mulheres da Divisão Sul-Asiática do Pacífico. Seu endereço postal: P.O. Box 040; Silang, Cavite, 4118; Filipinas. E-mail: 102555.311@compuserve.com Endereço Postal da Dra. Glória Diokno: ERDB, University of the Philippines, Los Banos, Laguna, Filipinas. E-mail: erdb@laguna.net