Dieta sem carne: além da aceitação intelectual?

O uso da carne e sua indústria são prejudiciais aos seres humanos e ao meio ambiente. O vegetarianismo é um melhor estilo de vida. Não há dúvida sobre isso. Mas quando falamos de vegetarianismo nesses termos, não estamos nos movendo de uma investigação científica para o reino dos valores? Os argumentos favoráveis ao vegetarianismo amiúde fazem exatamente isso — da procura de benefícios para a saúde promovidos pela dieta vegetariana deslocam-se para o levantamento de tópicos sobre moralidade.

Eis a questão: É moralmente obrigatória a adoção da dieta vegetariana? Tom Regan, proeminente defensor dos direitos dos animais, contribuiu para levar a discussão sobre o que alguns chamam de “vegetarianismo ético”1 ao domínio da moralidade. Regan cria que depois de considerarem seus consistentes argumentos, os ouvintes escolheriam o vegetarianismo. “A maior parte dos que lerem este artigo”, disse Regan, “vai mudar sua vida de maneira radical, se meu argumento for convincente”.2 Como muitos outros, Regan não estava apenas tentando apresentar irrecorríveis argumentos em favor do vegetarianismo, mas intentava mudar vidas — cambiar não somente o modo de pensar das pessoas, mas também sua dieta. Mas há argumentos suficientemente fortes em favor de uma dieta nãocárnea, para produzir tanto um assentimento intelectual como uma mudança comportamental?

O exame dessas questões convida à consideração das razões favoráveis ao vegetarianismo. Conquanto pudessem ser agrupadas de diferente modos,3 escolhemos cinco categorias.

O argumento da saúde

Um estudo científico mostrou que a proteína animal não é elemento indispensável na dieta humana. Ademais, outras pesquisas mostraram que a incidência de certas doenças é reduzida de modo significativo naqueles que se abstêm do uso da carne.4 As pessoas que abordam a questão do ponto de vista cristão argumentam que o vegetarianismo era “a dieta original” provida por Deus. Elas se reportam à história da Criação e à abundância de alimento que o Senhor proveu para Adão e Eva no Éden. Segundo essa opinião, a humanidade foi preparada para prosperar sem o uso da carne.

O segundo argumento da perspectiva cristã, ainda dependente de evidência científica, é que a dieta vegetariana é mais saudável. Porque Deus quer que nossos corpos sejam a habitação do Espírito Santo (I Coríntios 3:16, 17; 6:19, 20), somos obrigados a viver a da maneira mais saudável possível. Portanto, uma vez que o indivíduo compreenda que o vegetarianismo é a dieta mais saudável, e desde que ela seja factível, torna-se moralmente a preferida.

O direito dos animais

Combinando a linguagem dos benefícios higiênicos com os direitos dos animais, alguns autores dirigem a atenção aos deveres éticos para com os animais.5 Crucial nesse ponto de vista é a consideração da dor e do sofrimento experimentado pelos irracionais quando mortos para fins alimentícios. Considera- se imoral causar-lhes sofrimento meramente para satisfazer nossa preferência dietética.

Entre os estudos que culminaram em seu livro, The New Vegetarians: Promoting Health and Protecting Life, Paul R. Amato e Sônia A. Partridge identificaram onze razões por que as pessoas escolhem o estilo de vida vegetariano. No topo da lista achava-se a “preocupação com o sofrimento dos animais ou a noção dos direitos dos animais.”6

A compreensão popular da linguagem de direitos torna esse argumento particularmente suscetível de aceitação. Infelizmente, contudo, os direitos de vacas, frangos e porcos desconhecidos são facilmente anulados pelos desejos do paladar. Ademais, tanto os fundamentos filosóficos como as aplicações práticas do conceito de direitos continuam suficientemente difíceis de se estabelecer para os seres humanos e, conseqüentemente, ainda mais difíceis em prol dos animais.

Preocupações ambientais

Apesar dos esforços de defensores como Jeremy Rifkin7 and Francis Moore Lappe,8 e a despeito do enorme sucesso de seus livros, somente um pequeno número de pessoas parece ter mudado sua dieta como resultado de preocupações com o meio ambiente. A pesquisa de Amato e Partridge acima mencionada, por exemplo, verificou que somente cinco por cento delas se tornaram vegetarianas em razão de preocupações ambientais.9 Desse modo, conquanto os ambientalistas advoguem métodos mais cuidadosos de uso e conservação da terra, eles raramente se referem ao vegetarianismo como uma obrigação moral.

Evolução social

Sob essa rubrica, posicionamos uma variedade de autores e pontos de vista que exigem mudanças sociopolíticas. Há aqui certa superposição com outras categorias. O trabalho de Lappe, por exemplo, deveria figurar em mais de uma categoria. Considere sua preocupação anotada no prefácio da edição revista de A Diet for a Small Planet: “Eu tinha profundas dúvidas... quanto ao impacto e o rumo que estava sugerindo para a vida das pessoas. Teriam os leitores de meu livro se tornado tão interessados nas nuanças nutricionais, a ponto de se esquecerem ou negligenciarem a verdadeira mensagem, afinal de contas?”10 (Itálico acrescentado.)

Qual era a “verdadeira mensagem” que Lappe queria divulgar? Mais do que qualquer outra coisa, ela pretendia que seu trabalho destacasse como a dieta individual “liga cada um de nós às questões mais amplas sobre o suprimento de alimentos para toda a humanidade”.11

Com a publicação da edição revista e atualizada, ela estava particularmente preocupada não somente em tornar os atos de cozinhar e comer mais simples e melhores, mas também, e fundamentalmente, com o “significado político e social” de nossas escolhas dietéticas.12

Mordomia

O princípio da mordomia incorpora as preocupações expressas pelos ambientalistas, bem como pelos militantes dos direitos dos animais. Andrew Linzey, escrevendo sobre a mordomia do ponto de vista cristão, propõe uma mudança radical no modo como os cristãos interpretam seu relacionamento com toda a criação de Deus. Linzey desafia a tradicional noção cristã de que este mundo e tudo o que nele há foram feitos visando unicamente o bem-estar da espécie humana. Os humanos permanecem únicos nas ordens da criação, e essa singularidade impõe sobre eles o dever especial de assumirem o papel de “servos das espécies”. Como servos de toda a criação, os mordomos devem cuidar dela assim como Deus o faz. Apoiando-se no conceito teológico de um Deus sofredor, Linzey declara: “Não é suficiente ter uma simples visão negativa do que deveríamos fazer para prevenir o sofrimento no mundo. Precisamos de uma visão positiva acerca de como assumirmos a responsabilidade pelo sofrimento do mundo, e transformá- lo pelo poder do Espírito Santo”.13

Linzey insiste que os cristãos devem superar a noção de que Deus somente sofre quando seres humanos sofrem. Quando pudermos aceitar plenamente o fato de que “Deus padece com todas as criaturas sofredoras”, seremos mais capazes de aceitar nosso papel como mordomos.14 Infelizmente para os defensores da mordomia assim como para os expositores de todos os outros argumentos, os ouvintes provavelmente darão uma resposta simples como: “Sim, mas...”

Transpondo o “sim, mas...”

Cada um dos argumentos notados acima desfrutou de ampla aceitação tanto dos ouvintes filosóficos como dos populares, mas o número dos que estão adotando o estilo de vida vegetariano não reflete essa acedência. As pessoas estão concordando intelectualmente com os argumentos, enquanto degustam, ao mesmo tempo, outro hambúrguer. É verdade que o vegetarianismo é hoje mais aceito do que há 20 ou 30 anos. Mas por que mais pessoas não adotam esse estilo de vida? E daqueles que optam pela mudança, como a pesquisa de Amato e Partridge demonstra, por que o fazem geralmente movidos pela preocupação com os animais que sofrem a cruel sorte de serem consumidos pelos humanos?

Argumento filosófico, convicção pessoal e ação prática

Os defensores do vegetarianismo fazem um trabalho admirável ao descreverem os problemas morais associados à ingestão de carne, mas quando alguém passa da descrição para a prescrição de obrigações e ações pessoais, precisa ganhar o coração dos ouvintes. Mudanças na prática pessoal freqüentemente emergem mais do coração do que da cabeça. Bons argumentos não produzem necessariamente convicções pessoais que levam à mudança de estilo de vida. (Por favor, leia as histórias anexas para compreender como ambos os autores se valeram da motivação emocional para a adoção da dieta vegetariana).

Crítica de muitos grupos ecológicos, Sharon Bloyd-Peshkin os culpa de terem falhado em “propagar a letra ‘V’ por medo de perder a letra ‘M’ — membros e dinheiro”. Suas observações sobre as questões promovidas pelos grupos ambientalistas e os métodos utilizados para assim fazê-lo ilustram nosso ponto de vista de que as ações práticas em favor de um estilo de vida vegetariano só surgirão quando as pessoas forem emocional e intelectualmente motivadas. Quando Bloyd-Peshkin analisa as razões por que os grupos ecológicos têm menos probabilidade de serem vegetarianos, ela revela que não é tanto um bom argumento que persuade as pessoas a fazerem escolhas difíceis; é o estímulo das emoções que traz resultados concretos.

Bloyd-Peshkin tem razão ao notar que “o impacto ambiental de comer carne é muito indireto”. As pessoas não são motivadas a pôr de lado a carne na fila do caixa do supermercado. Contudo, são movidas de indignação e reagem quando confrontadas com cenas de sofrimento e tortura dos animais, que antecedem à colocação de sua carne nas gôndolas do supermercado. Como Bloyd-Peshkin diz, é muito mais provável “ficar zangado com a indústria próxima à sua casa quando, a caminho, você a poluição saindo da chaminé”.15

Hume e os movimentos do sentimento humano

Naturalmente, o reconhecimento de que agentes morais são movidos mais pela emoção do que pela razão não é uma descoberta recente. Os estudos filosóficos de David Hume destacaram essa realidade no século XVIII. Mas a hegemonia do racionalismo sobre a moralidade da sociedade ocidental contribuiu para predispor seus filósofos contra a utilização de apelos emocionais no processo de prática de argumentos morais. O uso da emoção num argumento moral é freqüentemente ridicularizada como pieguice.16

Hume recusou-se a ignorar a força do sentimento na vida moral da humanidade. Com efeito, é o sentimento — que em seus dias era entendido como peculiar aos seres humanos —, que distingue a capacidade humana de viver moralmente. É o “sentimento de desaprovação” que “inevitavelmente sentimos ao notar um ato de barbárie ou traição” e nos leva a classificá-lo como criminoso ou imoral. Hume insiste que as ações humanas nunca podem ser atribuídas à razão “fria e deliberada”. A razão pode comunicar o “conhecimento de verdade e falsidade”, mas nunca serve para fazer avaliações de virtude e vício, a quintessência da moralidade. Ademais, a razão é incapaz de motivar uma pessoa a agir. O sentimento é a “primeira mola ou impulso ao desejo e volição”. Na opinião de Hume, “os fins últimos das ações humanas nunca podem ser explicados pela razão, mas se encomendam inteiramente aos sentimentos e afeições da humanidade, sem nenhuma dependência das faculdades intelectuais”.17

A defensora mais proeminente e competente de Hume em nossos dias, Annette Baier, resume esse ponto para nós: “Para cada motivação à ação, e para cada reação avaliativa, a ‘razão’ precisa ‘concorrer’ com alguma ‘paixão’; ‘a cabeça’ deve trabalhar para o ‘coração’”.18 Conseqüentemente, é o cultivo e a prática desses sentimentos humanos que permitem que a vida moral seja vivida na realidade prática.

O que isso significa para um defensor do vegetarianismo? Exige mais esforço em prol da motivação das pessoas na mudança de seus hábitos dietéticos. Bons argumentos filosóficos não produzem vegetarianos. Sentimentos morais, contudo, freqüentemente sim. Estamos estimulando as forças morais do coração como elementos essenciais ao argumento de escolha do estilo de vida vegetariano.

Sobre as virtudes do vegetarianismo

A simpatia é uma das virtudes referida como “levar os outros em consideração”. O foco principal desse traço é o objeto de atenção, mas ele pressupõe certa habilidade do agente em Continua na p. 27. manifestar disposições altruístas e empáticas. Assim, quando outra pessoa ou ser está sofrendo, somos movidos pela simpatia no sentido de aliviar seu sofrimento. Em concordância com Hume, Edward E. Mooney escreve que a simpatia é “o ‘mecanismo’ pelo qual nos entristecemos com a sorte de outros e somos movidos a responder benevolamente”.19

A compaixão relaciona-se de perto com a simpatia, pois também leva os outros em consideração. Etimologicamente, sua ênfase é posta sobre um sentimento de compaixão pelos semelhantes; literalmente, sofrer com. Há nessa virtude um sentido de comunidade partilhada com outros seres humanos. Deve, outrossim, ser anexado às noções de mordomia acima referidas um senso de extensão dessa comunidade partilhada, com a inclusão de todos os seres sensitivos e não-sensitivos. Como todas as outras virtudes que envolvem as emoções do agente, a compaixão vai desde um simples estado afetivo até a ação. Entretanto, como Lawrence Blum observa, agir a partir da compaixão significa que a pessoa freqüentemente atua “muito ao contrário das disposições e inclinações” porque fundamentalmente leva os outros em consideração. Com efeito, mesmo quando nossas ações não logrem eliminar imediatamente o sofrimento de outrem, elas são “valiosas ao sofredor, independentemente de seu valor instrumental, na melhora da sorte do semelhante”.20

Conclusão

Que efeito prático produzirá a anexação da prática da simpatia e da compaixão ao argumento intelectual em favor do vegetarianismo? Nossa perspectiva é que se progredirmos no sentido de nos tornarmos uma sociedade na qual essas virtudes sejam apreciadas e praticadas, veremos o vegetarianismo aumentar e o consumo de carne diminuir. Elas nos motivarão a ir além de um assentimento intelectual aos argumentos pró-estilo de vida vegetariano, para a prática efetiva de vegetarianismo.

O peso dos argumentos filosóficos serve para estabelecer uma obrigação moral em favor do vegetarianismo? Será que o elemento adicional da virtude convencerá os consumidores de carne a se tornarem vegetarianos? E, se assim for, deverá a sociedade dar o passo seguinte proibindo a industrialização e distribuição de carne?

A insistência em obrigações morais e legais permanece problemática, mesmo em face dos poderosos argumentos em favor do vegetarianismo. Não podemos exigir que as pessoas se tornem virtuosas, como também não podemos exigir que comam certos alimentos, particularmente nesta etapa de nossa evolução social. Talvez chegue o tempo em que as crises ecológica e sociopolítica enfrentadas pela sociedade forcem os legisladores a tornar obrigatórias tais práticas dietéticas. No momento, precisamos contentar-nos com a noção de que o vegetarianismo é elogiável sob o ponto de vista moral.

O guincho do coelho

Alguns ciprestes magníficos erguiam suas copas acima da velha cabine de hóspedes, para onde tínhamos voltado nossa atenção. Papai, meu irmão Pete e eu estávamos em nossa primeira caçada de coelhos, no sítio de meu avô em Michigan. Os coelhos que faziam morada nessas árvores eram, segundo papai, muito rápidos. Pete e eu não dissemos uma palavra ao darmos a volta pelos fundos da cabine. Sabíamos que se os coelhos nos escutassem, fugiriam mais que depressa sem permitir um tiro.

Preparei minha garrucha calibre 20. Papai veio do outro lado e, no momento em que ele entrava em minha visão periférica, vi o coelho saltar duma moita no quintal. Nada poderia ter desfeito minha concentração naquele coelho enquanto eu o mantinha ao alcance visual, como papai me havia ensinado. Ele parou justamente na moita que dividia o quintal. Eu sabia que teria de chegar bem perto para disparar, por isso aproximei-me mais; antes, porém, de encurtar a distância entre nós, a caça estava encerrada. A onda de choque do rifle de papai me atingiu no mesmo instante em que vi o coelho cair. Pelo som do guincho do animal, eu sabia que o tiro de papai não o matara imediatamente. O guincho foi tão intenso e penetrante que cada um de nós correu para o lugar onde ele jazia contorcendo- se em dores. Papai agachou-se, agarrou-o pelas pernas traseiras, colocou-o no chão, pôs seu pé sobre a cabeça do bicho e puxou. O sangue jorrou, enquanto seu coração fazia o último esforço pela vida.

Estou certo de que tentei, mas falhei em esconder o horror que sentia por dentro. Papai deve tê-lo visto em minha face, pois o que me disse mostrou que ele também precisava justificar sua ação perante os dois filhos. “É o modo mais rápido de tirá-lo de sua miséria”, disse. —Mark F. Carr

As penas do faisã

Eu me orgulhava muito de minha nova espingarda calibre 12. Tinha conseguido o dinheiro para comprá-la colhendo vagens. Meu alvo era aprender a arte de caçar faisões, gansos canadenses e outros pássaros tão abundantes no Vale de Willamette. Meus pais pareciam estar certos de que quatorze anos era idade suficiente para essa atividade.

As primeiras saídas com meu amigo Bob nada produziram. Apesar de nossos melhores esforços e do fato de os faisões chineses serem vagarosos e barulhentos quando levantam vôo, erramos todos eles. Sobretudo, fazíamos longas caminhadas nas manhãs úmidas de outono, pontilhadas de uns poucos momentos de excitação e de tiros ineptos.

Finalmente, numa manhã de fim de semana, fomos caçar com os “marmanjos”, o irmão mais velho de Bob e seu amigo. Como os mais jovens, Bob e eu fomos instruídos a ir até o fim do milharal e esperar. Os outros dois, com seus cães de caça alemães, caçariam primeiro. Se errassem o alvo, nossa tarefa era atirar nos pássaros ao virem em nossa direção.

E assim aconteceu. Um magnífico faisão chinês levantou vôo, escapou e veio diretamente para onde eu estava agachado. Mirei e disparei quando ele estava justamente acima de nós. Penas voaram por toda parte. Um cão veio correndo e pegou a parte maior que restara do faisão. Ele tinha quase se partido em dois. Mas no que restava pude ver o anel branco do pescoço, as penas vermelhas, o verde-escuro da cabeça, e as listas brilhantes das longas penas da cauda. O irmão de Bob olhou para o pássaro morto e declarou que não valia a pena levá-lo para casa. Lançou-o então numa moita de amoreira preta.

Disfarçando o desapontamento e simulando coragem, tomei uma das longas penas e a enfiei no meu boné de caça. Mais tarde, sozinho em casa, estudei a pena. Não podia apagar a imagem daquele pássaro colorido, cuidando de seus interesses e alvejado sem um bom motivo. A estupidez irreparável de tudo aquilo me acabrunhou. Pus a espingarda no armário, vendi-a no ano seguinte e nunca mais cacei. —Gerald R. Winslow

Mark F. Carr (Ph.D. pela University of Virgínia) é professor-associado de religião, e Gerald R. Winslow (Ph.D., pela Theological Union) é deão e professor de ética cristã na faculdade de religião da Loma Linda University, em Loma Linda, Califórnia. O Dr. Carr pode ser contatado pelo email: mcarr@rel.llu.edu O Dr. Winslow, pelo e-mail: gwinslow@rel.llu.edu

Notas e referências

  1. A expressão “vegetarianos éticos” não se refere a pessoas moralmente corretas. Ao contrário, esse termo diz respeito aos vegetarianos que escolhem essa dieta por razões éticas. Ver Paul R. Amato e Sônia A. Partridge, Os Novos Vegetarianos: Promovendo Saúde e Protegendo a Vida (New York: Plenum Press, 1989), p. 35 e ss; Andrew Linsey e Jonathan Webber, “Vegetarianism”, Dictionary of Ethics, Theology and Society (New York: Routlege, 1996); Gotthard M. Teutsch, “Killing Animals: Reflections on the Ethics of Meat Eating”, Universitas 2 (1993): 98- 107.
  2. Tom Regan, All That Dwell Therein: Animal Rights and Environmental Ethics (Berkeley: University of California Press, 1982), p. 4. Peter Singer, autor de Animal Liberation: A New Ethics for Our Treatment of Animals (New York: Avon Books, 1975), dirige a questão para além de uma simples preocupação com o tratamento de animais quando diz que o vegetarianismo é “não meramente um gesto simbólico... Tornar-se um vegetariano é o passo mais prático e efetivo que se pode dar no sentido tanto de matar animais como de lhes causar sofrimento” (p. 165).
  3. Ver o artigo de William O. Stephens, “Five Arguments for Vegetarianism,” Environmental Ethics: Concepts, Policy, Theory (Mountain View, California: Mayfield Publishing Company, 1998; Jordan Curnutt, “A New Argument for Vegetarianism,” Journal of Social Philosophy 28 (Winter 1997) 3: 153-172.
  4. Para uma boa introdução à linha de pesquisa ilustrativa desse ponto, ver G. E. Framer “Associations Between Diet, Cancer, Ischemic Heart Disease, and All- Cause Mortatily in Non-Hispanic White California Seventh-day Adventists”, American Journal of Clinical Nutrition 70 (suplemento, 1999): 5325-5385.
  5. Peter Singer e Tom Regan são dois dos mais celebrados autores pertencentes a esta categoria. Peter Singer’s Animal Liberation (1975) contribuiu para transferir a defesa do vegetarianismo para o domínio moral.
  6. Paul R. Amato e Sônia A. Partrige, The New Vegetarians. Promoting Health and Protecting Life (New York: Plenum Press, 1989), p. 34.
  7. Ver Jeremy Rifkin, Beyond Beef: The Rise and Fall of the Cattle Culture (New York: Dutton Books, 1992).
  8. Ver Francis Morre Lappe, Diet for a Small Planet, ed. rev. (New York: Ballantine Books, ninth printing, 1978).
  9. Amato e Partridge (Ibidem).
  10. Lappe. p. XVIII.
  11. Ibidem.
  12. Idem, p. XIX.
  13. Andrew Linzey, Animal Theology (Chicago: University of Illinois Press, 1995), pp. 58 e 59.
  14. Ibidem.
  15. Sharon Bloyd-Peshkin, “Mumbling About Meat”, Vegetarian Times, outubro de 1991, p. 72.
  16. Tom Regan revela essa disposição quando escreve em All That Dwell Therein, p. 4, que é possível achar que os vegetarianos “sofram de um sentimentalismo perverso”. Que “representam um estilo de vida no qual o sentimentalismo excessivo superou os limites da ação racional”. Felizmente, Regan contesta essa resposta, mas ignora a força do sentimento ao envidar esforços a fim de promover um “fundamento racional” para o vegetarianismo.
  17. David Hume, An Enquiry Concerning the Principles of Morals, reimpresso segundo a edição de 1777 (La Salle, Illinois: Open Court Publishing, segunda edição, sétima impressão, 1995), p. 134.
  18. Annette Baler, “Hume, David”, Encyclopedia of Ethics (New York: Garland Publications, 1992).
  19. Edward F. Mooney, “Sympathy”, Encyclopedia of Ethics.
  20. Lawrence Blum, “Compassion” em Explaining Emotions. A. Rotty, ed. (Berkeley: University of California Press, 1980), p. 515.