Gênesis e a coluna geológica

Por que e como foram extintos os terríveis dinossauros? Muitas idéias têm sido aventadas. Certo artigo científico traz uma lista de 40 possíveis razões, abrangendo desde sua falta de inteligência até alterações no valor da constante gravitacional.1 Considerações mais recentes sugerem a possibilidade de um imenso asteróide, contendo o elemento químico irídio, ter atingido a Terra, causando uma gigantesca catástrofe que destruiu os dinossauros e muitas outras formas de vida. Essa interessante idéia é especialmente popular nos meios de comunicação e entre os geofísicos, embora grupos significativos de outros cientistas -- especialmente os paleontologistas (que estudam os fósseis) -- pensem que outros fatores, como o calor ou os vulcões, tenham causado a extinção dos dinossauros.2

Os cientistas que crêem na Bíblia como a Palavra de Deus interpretam a história da vida na Terra de forma diferente, vendo no dilúvio universal descrito no livro de Gênesis (capítulos 6 a 8) o terrível acontecimento que teria destruído os dinossauros e ocasionado a formação das principais camadas sedimentares fossilíferas da crosta terrestre. Essa maneira de ver não é aceita atualmente nos círculos científicos, embora, no passado, o fosse. A variedade de idéias sobre a extinção dos dinossauros admoesta-nos a sermos cautelosos na interpretação de um passado não-observável em nossos dias.3

Uma questão crítica

Ciência ou Bíblia - qual das duas expõe a verdade? As diferenças entre o modelo evolutivo científico e o modelo criacionista bíblico são gritantes e dificilmente poderiam ser maiores. E isso não apenas sobre a extinção dos dinossauros. O modelo evolucionista propõe que a vida se originou espontaneamente há bilhões de anos, e então evoluiu rumo a formas cada vez mais avançadas até culminar na formação dos seres humanos. O modelo criacionista, como exposto na Bíblia, propõe que Deus criou formas básicas de vida, incluindo o homem, há alguns milênios. Devido à iniqüidade humana, essa ordem criativa original foi destruída pelo dilúvio universal. A interpretação da disposição dos fósseis naquilo que denominamos coluna geológica, tem muito a revelar sobre cada um desses dois modelos.4 E, mais importante ainda, esses modelos podem afetar profundamente nossa cosmovisão. Estamos aqui somente como resultado de um processo evolutivo prolongado, mecanicista, sem desígnio, ou fomos criados à imagem de Deus, com propósito, responsabilidade e esperança de futura vida eterna, como indicado na Bíblia? Muitos têm debatido essas questões e outros tantos ainda continuam a discuti-las.

Coluna geológica – o que vem ela a ser?

A coluna geológica completa não é algo que possa ser encontrado nas camadas de rocha que formam a crosta terrestre. Ela é mais parecida com um mapa, uma representação da ordem geral das camadas sedimentares na superfície da Terra. As camadas inferiores, que deveriam ter sido depositadas primeiro, situam-se na base da coluna, e as mais recentes estão postadas em seu topo, como as encontramos na natureza. Ao olharmos para locais que sofreram intensa erosão como o Grand Canyon, nos Estados Unidos (Figura 1), vemos uma parte significativa da coluna geológica representada por camadas que, nesse lugar, são excepcionalmente espessas. Pode-se também representar a coluna geológica como um corte feito num bolo de várias camadas. Essa fatia representa as diversas divisões na ordem em que foram dispostas no bolo. De maneira semelhante, se cortássemos uma fatia vertical das encostas do Grand Canyon, teríamos a coluna geológica local formada pelas diversas camadas sedimentares.

Como é habitual no estudo da natureza, o quadro real é complicado. Freqüentemente, em muitos locais, estão ausentes algumas camadas da coluna geológica. Em lugar algum é possível encontrar uma coluna geológica completa e somente em poucas localidades estão bem representadas as principais divisões da coluna geológica completa. Essa coluna é algo ideal que representa todas as camadas sedimentares da crosta terrestre na ordem esperada. Ela foi sendo construída pacientemente, à medida que os paleontologistas comparavam entre si as seqüências de fósseis das colunas geológicas locais. Observa-se que algumas espécies de fósseis como os trilobites, artrópodes marinhos semelhantes a caranguejos, situavam-se abaixo dos dinossauros, e esses abaixo dos elefantes. Uma amostra de alguns organismos característicos encontrados nas principais partes da coluna geológica completa está ilustrada na Figura 2. A coluna apresenta uma impressionante diferença entre sua parte inferior correspondente ao pré-cambriano -- onde os fósseis são muito raros e de tamanho essencialmente microscópico -- e a parte superior correspondente ao fanerozóico -- onde os fósseis são comparativamente abundantes e representam grande variedade de organismos de porte bem maior. Tipos muito singulares e mais raros de organismos maiores (fauna ediacara) são encontrados imediatamente abaixo do fanerozóico.

Quão confiável é a coluna geológica?

Quando você olha para o Grand Canyon (Figura 1), geralmente não se dá conta do fato de que ali não estão presentes importantes partes da coluna geológica completa. Embora o período cambriano esteja representado (camadas logo acima da seta, à esquerda, na Figura 1), os períodos ordoviciano e siluriano estão ausentes. Além do mais, as eras mesozóica e cenozóica (ver figura 2 para terminologia) também não estão presentes, pois consistem em camadas que estariam acima da encosta do Canyon. Como a coluna geológica completa é montada a partir de seqüências existentes em diferentes locais, e como partes dela freqüentemente não estão presentes no mesmo local, que confiança podemos depositar na precisão de sua montagem? E existem ainda alguns locais em que as partes normalmente situadas na base da coluna geológica completa, encontram-se acima do seu topo. Explica-se que essas são áreas de perturbação nas quais as camadas inferiores foram transportadas para cima das camadas mais recentes. A despeito dessas debilidades, na maioria das regiões do mundo a coluna geológica geralmente se encontra na ordem "correta" e se mostra notavelmente confiável.

A coluna geológica e a evolução

A coluna geológica constitui-se num dos argumentos mais fortes utilizados em favor da evolução. Acredita-se que formas de vida simples tenham evoluído há cerca de 3,5 bilhões de anos e, de fato, são encontradas evidências dessas formas simples nas camadas inferiores do pré-cambriano (figura 2). Mais acima, na parte inferior do paleozóico, encontram-se animais marinhos mais complexos, como as esponjas. Ainda mais acima, no paleozóico superior e no mesozóico, encontram-se animais e plantas terrestres mais avançados, como as samambaias arborescentes e os dinossauros. Na parte superior do cenozóico, encontram-se os organismos mais desenvolvidos, como por exemplo, elefantes e plantas com flor. Em geral, organismos mais simples são também encontrados nas camadas superiores, mas organismos mais evolvidos não são encontrados nas camadas inferiores. A aparência de que existe algum "avanço" ao se subir na coluna geológica é considerada como representação da evolução ao longo de éons de tempo, à medida que as camadas foram sendo gradativamente depositadas, aprisionando organismos que se tornaram fossilizados.

A coluna geológica e o modelo bíblico das origens

O "avanço" da vida observado ao se ascender na coluna geológica tem sido explicado de várias maneiras consistentes com o modelo bíblico de uma criação recente. O dilúvio bíblico universal é crucial para essas explicações, como evento causador da deposição da maior parte das camadas do fanerozóico. As explicações incluem: (1) durante o Dilúvio, os animais de maior porte e mais desenvolvidos puderam fugir para níveis mais elevados. Isso pode explicar algumas seqüências de avançamento que constatamos em animais fósseis, mas é muito improvável que possa explicar toda a coluna geológica. Por outro lado, seria de esperar que organismos excepcionais, como as baleias, pudessem escapar. (2) Algumas experiências mostram que as carcaças de formas "mais avançadas", como mamíferos e pássaros, flutuam durante semanas, enquanto as de animais "menos avançados", como répteis, flutuam durante período menor, e as de anfíbios mais simples, somente durante dias.5 Esses períodos de tempo harmonizam-se com os eventos que ocorreram no Dilúvio, e isso pode ser um significativo fator contribuinte. (3) A explicação mais abrangente é a Teoria do Zoneamento Ecológico,6 modelo que propõe a disposição dos organismos anteriores ao dilúvio (Figura 3) como responsável pela sua distribuição na coluna geológica. Os organismos que viviam nas regiões de menor altitude do mundo pré-diluviano representam a parte inferior da coluna geológica, e os que viviam nas regiões de maior altitude, o topo da coluna.

O mecanismo sugerido para a Teoria do Zoneamento Ecológico é o rompimento da superfície da Terra e a ascensão gradual das águas do dilúvio, seguidos da destruição dos vários ambientes pré-diluvianos à medida que iam sendo erodidos pelas ondas. As águas provocariam erosão e transportariam sedimentos e organismos, primeiramente das áreas de menor altitude, depositando-os em regiões mais baixas ainda (bacias sedimentares). Gradualmente, então, as áreas cada vez mais elevadas seriam erodidas e depositadas ordenadamente em grandes bacias sedimentares, nas quais se formaria uma coluna geológica local. O processo teria sido suficientemente calmo para que as camadas depositadas não fossem significativamente perturbadas e permanecessem ordenadas como hoje as vemos (figura 1).

Algumas questões

Embora, em geral, a distribuição dos organismos no mundo hoje concorde com a distribuição geral na coluna geológica (ver abaixo), isso não acontece com relação a importantes detalhes que são considerados como as mais sérias objeções à Teoria do Zoneamento Ecológico. Por exemplo, na coluna geológica completa encontram-se mamíferos e plantas com flores principalmente nas camadas superiores (Figura 2). Isso deveria ter ocorrido nos ambientes terrestres de grande altitude anteriormente ao dilúvio, embora encontremos hoje esses organismos até no nível do mar. Para contornar essas e outras objeções, propõe-se que a distribuição ecológica dos organismos antediluvianos fosse algo diferente da atual. Seria de esperar que um dilúvio universal causasse alterações desse tipo. A distribuição de organismos antes do dilúvio pode ter sido mais restrita e ordenada do que atualmente, e provavelmente existiram mares em diferentes níveis (Figura 3). Observe-se a distribuição similar de organismos nas Figuras 2 e 3.

Surgem também questões sobre por que, até hoje, exemplos convincentes de homens fósseis encontram-se somente próximos ao próprio topo da coluna geológica. As explicações incluem: (1) antes do dilúvio, os seres humanos e os mamíferos habitavam somente regiões mais altas e mais frias. (2) Durante o dilúvio, seres humanos inteligentes fugiram para as regiões mais altas, onde as probabilidades de soterramento e preservação em sedimentos eram bem menores. (3) Poderiam não ter existido tantos seres humanos antes do dilúvio, sendo portanto bem menor a probabilidade de descobri-los hoje. O registro bíblico indica taxas de crescimento populacional bem menores antes do dilúvio. Noé teve somente três filhos em 600 anos (Gênesis 5-7).

A coluna geológica apóia o modelo bíblico

A presença de organismos microscópicos fósseis simples ao longo de todo o pré-cambriano, adapta-se mais ao modelo bíblico do que ao arquétipo evolucionista. Esses fósseis proviriam de micróbios de vários tipos que foram recentemente descobertos, bem como de algas7 que vivem em rochas profundas. Para o modelo evolucionista, esses fósseis microscópicos significam que virtualmente não ocorreu qualquer "evolução" durante três bilhões de anos (figura 4), cerca de 5/6 de todo o tempo evolutivo. O pré-cambriano de maneira alguma aparenta desenvolvimento evolutivo progressivo gradual.

De súbito, imediatamente acima desse nível, naquilo que os evolucionistas denominam de explosão cambriana, aparecem quase todos os tipos básicos (filo) de animais (figuras 2 e 4).8

Isso se parece mais com criação do que com um processo evolutivo gradual. A evolução precisa de muito tempo para acomodar todos os eventos virtualmente impossíveis, necessários para a produção de formas vivas complexas, porém, a coluna geológica não permite tanto tempo. Os evolucionistas falam em somente 5 a 20 milhões de anos para a explosão cambriana!9 Isto é, menos de 1% de todo o tempo evolutivo. Samuel Bowring, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, cuja especialidade é datação de rochas, faz o seguinte comentário: "E o que eu gosto de perguntar a alguns dos meus amigos biólogos é: Quão rapidamente a evolução pode acontecer, antes que eles se sintam desconfortáveis?"10 A seta preta à esquerda na Figura 1 indica a localização da explosão cambriana no Grand Canyon. A explosão cambriana harmoniza-se muito bem com a Teoria do Zoneamento Ecológico. Ela representa os mares mais baixos (Figura 3) anteriores ao dilúvio, que abrigavam grande variedade de animais marinhos, exatamente como se encontram nos mares atuais.

Ascendendo na escala geológica, encontramos tipos de organismos marinhos (oceânicos) até meados do paleozóico. Nesse ponto, começa a aparecer uma grande variedade de organismos terrestres (Figuras 2 e 3), incluindo fungos, liquens, juncos (cavalinhas), samambaias, insetos, milípedes, aranhas e anfíbios.11 A evolução tem de responder por que tantas espécies diferentes de organismos terrestres evoluíram praticamente ao mesmo tempo. Para a Teoria do Zoneamento Ecológico, isso representaria, como esperado, as regiões terrestres mais baixas e secas existentes anteriormente ao Dilúvio.

Bem acima, na coluna, descobre-se, de acordo com o cenário evolucionista, que a maior parte das ordens de mamíferos surgiu num intervalo de apenas 12 milhões de anos, e as ordens vivas de aves entre 5 e 10 milhões de anos. Alguns evolucionistas caracterizam essas rápidas taxas como sendo "claramente absurdas".12 Pensa-se que as espécies fósseis duram vários milhões de anos, e os evolucionistas acreditam que seja necessário um grande número de gerações de cada espécie para que ocorram quaisquer alterações evolutivas significativas.

Outro problema sério para a evolução revelado pela coluna geológica, é a ausência de fósseis intermediários -- especialmente entre os grandes grupos de plantas e animais. E é especificamente aí que seria de esperar o maior número deles. Alguns poucos têm sido descritos, porém onde deveriam existir centenas de milhares, como por exemplo, logo abaixo da explosão cambriana, não há virtualmente nenhum. Pouca evidência existe em favor de qualquer desenvolvimento evolutivo.

O veredicto

Muitos evolucionistas sentem que a vaga progressão das formas de vida, à medida que se sobe na coluna geológica, constitui uma evidência indiscutível a favor do seu modelo. Entretanto, uma observação mais acurada revela, ao contrário, problemas graves, especialmente taxas de evolução erráticas, tempo insuficiente e ausência de fósseis intermediários. No contexto bíblico seria também de esperar alguma progressão geral das formas vivas, pois o dilúvio de Gênesis contribuiu para a formação da coluna geológica. Um dilúvio universal na nossa Terra hoje também produziria uma coluna geológica com um aumento geral de complexidade de baixo para cima. No nível mais inferior estariam os microrganismos simples que vivem nas rochas profundas, em seguida viriam os organismos marinhos e acima estariam os organismos terrestres continentais "avançados". Além disso, se as paisagens da Terra antes do Dilúvio fossem como as desenhadas na Figura 3 e soterradas gradualmente e em ordem pelo dilúvio, isso produziria a coluna geológica como a vemos hoje. Evidências como a vida microscópica simples nas rochas profundas, a explosão cambriana e o mesmo nível de surgimento de grande número de organismos terrestres, apóiam fortemente a Teoria do Zoneamento Ecológico e a explicação do dilúvio bíblico para a coluna geológica.

Ariel A. Roth (Ph.D. pela Universidade de Michigan) foi diretor do Geoscience Research Institute, Loma Linda, Califórnia. Além de numerosos artigos sobre criação e ciência, escreveu o livro Origins: Linking Science and Scripture (Hagerstown, Ma; Review and Herald Publ. Assn, 1998), traduzido para o português com o título Origens - Relacionando a Bíblia com a Ciência, obra publicada pela Casa Publicadora Brasileira em 2002.

Notas e Referências

  1. G. L. Jepsen, "Riddles of the Terrible Lizards", American Scientist 52 (1964):227-246.
  2. A. Hallam, Great Geological Controversies, 2a. ed. (Oxford: Oxford University Press, 1989), pp. 185-215; E. Dobb, "What Wiped Out the Dinosaurs?" Discover 23 (2002) 6:35-43.
  3. Para outras considerações sobre cautela, ver R. A. Kerr, "Reversals Reveal Pitfalls in Spotting Ancient and E. T. Life", Science 296 (2002): 1384-1385; A. A. Roth, "False Fossils". Origins 23 (1996):110-124
  4. Alguns pontos de vista como criação progressiva e evolução teísta, são intermediários entre criação e evolução. Para uma avaliação, ver Roth, Origens - Relacionando a Bíblia com a Ciência. Casa Publicadora Brasileira, 2002, pp. 328-342.
  5. Para alguns detalhes, ver idem, p. 162.
  6. H. W. Clark, The New Diluvialism (Angwin, Calif.: Science Publications, 1946), pp. 37-93: Roth, Origens - Relacionando a Bíblia com a Ciência, pp. 155-170.
  7. A presença de algas em rochas profundas é inesperada. Para uma discussão mais aprofundada, ver Roth, "Life in Deep Rocks and the Deep Fossil Record". Origins 19 (1992):93-104; J. L. Sinclair e W. C. Ghlorse. "Distribution of Aerobic Bacteria. Protozoa, Algae, and Fungi in Deep Subsurface Sediments". Geomicrobiology Journal 7 (1989):15-31.
  8. J. W. Valentine, "Why no New Phyla after the Cambrian? Genome and Ecospace Hypotheses Revisited". Palaios 10 (1995):190-194; R. D. K. Thomas. R. M. Shearman e G. W. Stewart. "Evolutionary Exploitation of Design Option by the Firs Animals With Hard Skeletons", Science 288 (2000):1239-1242.
  9. S. A. Bowring, J. P. Grotzinger, C. E. Isachsen, A. H. Knoll, S. M. Plechaty e P. Kolosov, "Calibrating Rates of Early Cambrian Evolution", Science 261 (1993):1293-1298; C. Zimer. "Fossils Give Glimpse of Old Mother Lamprey", Science 286 (1999):1064-1065.
  10. Citado por M. Nash, "When Life Exploded". Time 146 (1995)23:66-74.
  11. Para uma ilustração mais completa ver Roth, Origens - Relacionando a Bíblia com a Ciência. Figura 10.1, p. 158.
  12. S. M. Stanley, The New Evolutionary Timetable: Fossils, Genes and the Origin of Species. (New York: Basic Books, 1981), p. 93.