Os cristãos e as eleições políticas

Logo teremos eleições em meu país e, como jovem eleitor, participarei pela primeira vez com meu voto. Os slogans políticos e as declarações contraditórias dos vários candidatos não me ajudam a decidir quem é mais qualificado ou confiável. Sou obrigado por lei a participar da eleição, e alguns de meus amigos cristãos me dizem que devo votar em branco e deixar Deus executar Sua vontade soberana, uma vez que, de acordo com a Bíblia, “Ele estabelece reis e remove-os’’ (Daniel 2:21, NVI). O que me aconselha?

Respeito o pensamento de seus amigos, mas não creio que o voto em branco ajudaria os propósitos “divinos na área política’’, se é que existe tal coisa. Se nada pode impedir a vontade de Deus, um sufrágio em favor de qualquer candidato seria o mesmo que um voto em branco, você não acha? Não acredito que Deus trabalhe no vácuo, mas Ele intervém na história e no mundo através dos seres humanos, assim como o mal também o faz. A única diferença é que o mal nunca teve falta de ajudantes.

Infelizmente, em muitas ocasiões, o resultado de uma eleição tem muito pouco a ver com a vontade de Deus. Em Oséias 8:4, o Senhor diz: “Eles estabeleceram reis, mas não da minha parte; constituíram príncipes, mas eu não o soube.”

Na maior parte dos sistemas eleitorais, os votos em branco acabam favorecendo o candidato que tem a preferência dos eleitores. Você é afortunado em viver num país que garante eleições livres, nas quais você tem o privilégio de votar. Lembre-se de que “mesmo a pior democracia é preferível à melhor ditadura’’. Seu voto conta muito.

Jesus ressaltou que nós, seres humanos, temos certas responsabilidades para cumprir diante de Deus e das autoridades que exercem o governo da sociedade (Mateus 22:21; veja também Atos 5:29). Por essa razão e a despeito das imperfeições de qualquer sistema político ou eleitoral, considere algumas perguntas que podem ser usadas na avaliação de cada candidato (a), e ajudá-lo em seu voto:

Que tipo de informações há a respeito de sua atividade política passada? Que iniciativas tem tomado e executado? Foi ele(a) fiel às promessas de campanha ou sido maleável em relação a interesses especiais? Como administrou os fundos públicos? Qual a plataforma do partido que o(a) apóia? Até que ponto suas idéias concordam com os princípios éticos cristãos? Quem faz parte de sua equipe e quem são seus assessores?

Você já leu sobre suas propostas? São elas realistas ou simplesmente elaboradas para conseguir o voto popular? Há razão para crer que ele(a) será transparente se eleito(a) para o cargo? Pode-se esperar que o(a) candidato(a) respeite e imponha respeito no que tange ao funcionamento independente dos poderes judiciais e legislativos do governo? É razoável acreditar que ele(a) protegerá a liberdade de consciência de todos os cidadãos?

Pelo que se sabe a seu respeito, sua conduta pessoal é um exemplo digno de ser imitado? Sua família e vida particular são exemplos ou obstáculos à liderança da comunidade?

Reconheço que, num mundo imperfeito, algumas perguntas são difíceis de responder com certeza. Não obstante, esse exercício desenvolverá em você a capacidade de ser um cidadão útil. Também sei que freqüentemente acabamos votando num candidato que reúne os requisitos básicos e é o menos censurável com relação a nossas

convicções. Como cristão você é responsável por avaliar, decidir e exercer seus direitos de cidadão. Ore pelo futuro de seu país e decida seu voto com uma consciência esclarecida.

Hugo A. Cotro está completando seus estudos doutorais na Universidade Andrews. Essas perguntas e respostas foram adaptadas de seu livro Que dice la Biblia? Respuestas bíblicas para sus interrogantes (Buenos Aires, Argentina: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2005).