Perguntas e respostas sobre os dinossauros

O pequeno Mateus parou, extasiado, no Zoológico de Fort Worth. Ele quase não podia acreditar no que via. A sua frente estava Cera, seu dinossauro favorito, personagem do filme A Terra antes do Tempo. Ele olhava fixamente. Seus pais, depois de um tempo, insistiam para visitar outros locais. Soluçando, ele implorava por mais tempo, enquanto era puxado pelos pais. Esta fixação infantil pelos dinossauros para muitos passa com o tempo, mas alguns manterão seu amor por essas fascinantes criaturas durante toda a vida.

As crianças das igrejas cristãs não são exceção. Entretanto, nas denominações mais conservadoras surgem numerosas questões de cunho teológico que se tornam problemáticas à medida que as crianças crescem. Essas questões podem ser sintetizadas em uma só: como os dinossauros se encaixam em uma perspectiva bíblica?

Existe hoje uma crescente base de dados sobre dinossauros, incluindo ossos, dentes, pegadas, ovos, embriões, impressões de pele, e excrementos. Aparentemente, os dinossauros terrestres existiram em todos os tamanhos e formas. As informações sugerem populações ativas, reproduzindo-se, em uma escala global.1 Em face das crescentes evidências, é difícil afirmar que os dinossauros nunca existiram. Entretanto, algumas pessoas defendem esse ponto de vista porque não conseguem conciliar a existência dos dinossauros com a sua compreensão da natureza de Deus. Há, portanto, necessidade de os cristãos reconhecerem o significado desses animais na perspectiva bíblica da história da Terra.

Freqüentemente esse dilema é expresso assim: “Não posso compreender que Deus tenha colocado o Tyrannosaurus rex no jardim do Éden.” Outros comentam que os dinossauros são “tão feios”, por isso não acreditam que um Deus amorável e compassivo tenha criado uma degradante “máquina de matar”. Entretanto, essas mesmas pessoas não se preocupam com o fato de Deus ter criado os leões, o que leva à pergunta: “Qual é a diferença entre um tiranossauro e um leão?” Certamente existem muitas diferenças. Sendo ambos carnívoros, a questão é a existência de predadores no jardim do Éden. Quanto a isso, mesmo que cristãos crentes na Bíblia acreditem que Deus criou uma “espécie” de felinos, sua suposição é que eles eram herbívoros, pelo menos antes de Adão e Eva pecarem, e parece lógico que esse argumento poderia também ser aplicado aos dinossauros carnívoros.

O que aparenta ser uma questão simples, torna-se bastante complexa ao se tratar das implicações decorrentes. Examinaremos esse assunto nas questões seguintes.

Os dinossauros realmente existiram?

Alguns poucos ossos espalhados não seriam suficientes para concluir que realmente os dinossauros existiram. Entretanto, o registro de ossos de dinossauros é muito amplo, e a sua variedade amplia nosso conhecimento a seu respeito. Pegadas bem preservadas e ovos com embriões indicam que os dinossauros eram criaturas vivas, que se deslocavam e se reproduziam.2 As pegadas são a argumentação mais poderosa a favor de sua existência.

Registros em rochas em todo o mundo oferecem fascinantes informações. Cientistas têm encontrado nas rochas grandes depósitos de ossos de dinossauros, que sofreram mineralização e ficaram preservados. Esses ossos petrificados são chamados de fósseis. Havendo suficientes ossos fossilizados de um animal, cientistas poderão reconstruí-lo. Até 1990, haviam sido reconstruídos 197 esqueletos completos de dinossauros.3 Desde então, muitos mais foram também.

Ao estudar os ossos, os cientistas desenvolveram um sistema de classificação a partir de estruturas ósseas peculiares a esse grupo de animais. Considere-se, por exemplo, que os crânios de dinossauros apresentam orifícios não encontrados em répteis ou mamíferos, que o tornozelo é composto de uma junta única, e que as vértebras são diferentes das de outros organismos.4 O exame da estrutura interna dos ossos sugere que os dinossauros constituem um grupo peculiar de animais, bastante distinto dos mamíferos e dos répteis. Grande parte da estrutura óssea apresenta reposição celular que a preserva ao se tornar um fóssil.5 Os detalhes microscópicos observados indicam linhas de crescimento e vesículas nos ossos, combinação de características peculiares dos dinossauros não encontrada em répteis ou mamíferos, embora alguns aleguem certa semelhança entre Coelophysids e aves.

Os dinossauros foram classificados em dois grupos distintos em função de sua estrutura pélvica. O primeiro grupo abrange os terópodes ou dinossauros carnívoros, e os saurópodes, dinossauros de grande porte, com pescoço e cauda cumpridos e estrutura pélvica semelhante a dos répteis. O segundo grupo engloba todos os outros dinossauros que têm ossos pélvicos semelhantes aos das aves. As estruturas pélvicas dos dinossauros são peculiares, apesar da sua semelhança com as de outros animais.6

Têm surgido problemas no sistema de classificação dos dinossauros devido à dificuldade de se distinguir entre gêneros e espécies. Em 1990, 45% dos 285 gêneros de dinossauros haviam sido identificados a partir de um único osso. Muitas pessoas são céticas a respeito dessas identificações. Os pesquisadores também se preocupam com as classificações que foram desenvolvidas para os dinossauros, pois muitos gêneros têm apenas uma espécie. Eles suspeitam que alguns desses gêneros são na realidade somente espécies de gêneros descritos.7 Apesar dessas dificuldades, há considerável material para sugerir que existiu ampla variedade de dinossauros.

Os assuntos aqui discutidos sugerem que os dinossauros foram criaturas peculiares e, como tais, poderiam bem representar uma “espécie” criada, como relatado no livro de Gênesis. A variedade, a distribuição e a combinação dos traços e características dos dinossauros sugerem a possibilidade do cruzamento entre eles, tal como ocorre agora com cães ou flores; entretanto, a variedade de espécies é bem mais fácil de ser realizada do que a variedade encontrada entre famílias de dinossauros, da mesma forma como a origem de uma nova classe de organismos.

Para os que pensam que os ossos de dinossauros são fraudes, existem dados adicionais que sugerem o contrário. Alguns ossos fósseis são encontrados com impressões deixadas pela pele, e nos oferecem informação adicional sobre a aparência desses organismos. Se os ossos fossem uma fraude, teria sido muito difícil incluir aquelas impressões de pele no osso que se encontrava ainda inserido na rocha.

Se eles fossem uma fraude, o fraudador teria também de ter criado as pegadas. As informações obtidas a partir das pegadas são mais interessantes.8 As pegadas aparecem em variados tamanhos e formas. Quando os rastros têm suficiente extensão, podem ser determinados os passos e a maneira de andar do dinossauro. A maioria das pegadas indica que os dinossauros estavam andando e não correndo, e pareciam mancar. É difícil determinar por que os dinossauros estariam mancando. Poderiam estar machucados, carregando seus filhotes ou comida. Qualquer que seja a explicação, a presença das pegadas confirma que os dinossauros realmente estavam vivos e movimentando-se. É interessante observar que os pesquisadores não descobriram ainda nenhum dinossauro morto junto às suas pegadas. Camadas de ossos de dinossauros são encontradas em camadas acima e abaixo, mas não junto com as pegadas.

Algumas trilhas apresentam pegadas grandes juntamente com outras pequenas9, o que sugere um bando de dinossauros. Alguns pesquisadores supõem que esses bandos estavam seguindo uma rota natural de migração, enquanto outros poderão não concordar com essa conclusão. Dentro do contexto bíblico da história da Terra, a movimentação dos dinossauros pode refletir respostas de sobrevivência e fatores de pressão relacionados com modificações na terra e nas águas do dilúvio subindo e descendo.

Finalmente, existem evidências da reprodução de populações de dinossauros. Ninhos, ovos, embriões e filhotes têm sido registrados.10 Existem mais de 200 locais com ovos, ao redor do mundo. Embriões e filhotes são raros. A existência desses depósitos indica que pelo menos alguns dinossauros estavam se reproduzindo.

Os pesquisadores nem sempre conseguem dizer quais dinossauros puseram quais ovos. No início do século 20, pensou-se que ovos descobertos na Mongólia eram do Protoceratops, o dinossauro herbívoro dominante na região.11 No final dos anos 1900, porém, foi descoberto outro ninho com os ossos do pequeno predador Oviraptor, em cima dos ovos. Além disso, escaneando-se um ovo, foi descoberto um embrião de Oviraptor. Os depósitos da Mongólia despertam muitas perguntas. Por que o Oviraptor sentaria no ninho enquanto ele estava sendo soterrado por uma tempestade de areia? Teria ele se afogado em uma lagoa entre dunas durante uma repentina chuva pesada? Sentou-se no ninho por que ele era de sangue quente? Quantos estavam sentados sobre os ovos? Quantos ninhos existiam?

Muitas perguntas permanecem sem respostas, mas o volume de dados disponíveis confirma que os dinossauros realmente existiram.

Quando os dinossauros existiram?

Não são tão conclusivas as evidências sobre quando os dinossauros existiram. Eles são encontrados nas camadas mesozóicas do registro fóssil (coluna geológica). Datações radiométricas de camadas associadas de lava e de cinza vulcânica indicam que eles viveram entre 65 e 225 milhões de anos atrás, bem além das idades bíblicas aceitas. (De acordo com a datação radiométrica, pensa-se que a Terra tenha entre 4,6 a 4,7 bilhões de anos).

Os primeiros registros de ossos de dinossauros em rochas foram feitos na mesma unidade do Período Triássico (o Carniano) em quatro continentes.12 O surgimento diversificado e espalhado de dinossauros no registro fóssil é difícil de explicar pela atual teoria da evolução. Essa dificuldade raramente é trazida à atenção do público, o que de fato não é incomum, pois ninguém gosta de falar sobre o que não sabe.

É importante lembrar que as datas radiométricas não constituem dados (fatos reais); elas exprimem o resultado de cálculos matemáticos baseados na distribuição de materiais radioativos nas rochas.13 O tempo aí não é medido diretamente, mas corresponde ao expoente na expressão que dá a inclinação da linha gerada pela distribuição dos isótopos. Essa distribuição baseia-se nas propriedades físicas e químicas do interior do corpo rochoso fundido. Conseqüentemente, o relato bíblico da história da Terra é igualmente legítimo como fonte de dados relativos ao tempo.

Em resumo, exatamente como os cientistas acreditam que possuem um modo confiável para medir períodos de tempo no registro das rochas, muitos cristãos acreditam que possuem uma fonte de informação confiável (a Bíblia) para a idade da vida na Terra – conseqüentemente, permanece controvertida a determinação precisa da idade dos dinossauros.

Os dinossauros conviveram com os seres humanos? Como?

A crença de que dinossauros e seres humanos conviveram na Terra não se baseia em evidências científicas (elas não existem), mas sim na confiança depositada na palavra inspirada de Deus. A crença de que Deus criou todos os seres vivos e que eles eram bons, bem como a crença de que não houve “derramamento de sangue”, predação, na Terra antes do ser humano pecar, induz muitos a crer que dinossauros e pessoas podem ter convivido pacificamente.

É importante observar que nem todos os dinossauros eram de grande porte, carnívoros.14 Metade das famílias de dinossauros era do porte de uma girafa adulta (cerca de sete metros de altura), ou menor, alguns tendo o tamanho de um cachorro grande. Além disso, a maioria dos dinossauros era herbívora.

De alguma forma seria Satanás responsável pela origem dos dinossauros?

Alteraria Satanás o DNA de alguns animais para dar origem aos dinossauros? São os seres humanos responsáveis por essa origem? Teriam os seres humanos manipulado geneticamente os primeiros dinossauros? Em minha opinião, a resposta a todas essas questões é “NÃO!” Os dinossauros eram organismos peculiares, que tinham estruturas e traços próprios. Isso significa que sua origem requereria mais do que misturas ou alterações; exigiria novas informações, uma atividade criadora que a maioria dos cristãos acredita residir somente no poder de Deus.

Foram os dinossauros hibridizados a partir de outras espécies de animais?

O cruzamento sugerido por alguns cristãos para a origem dos dinossauros exigiria descendência viável a partir da miscigenação de mamíferos e répteis, dois filos distintos. Em nosso mundo não é possível a hibridização de filos. Cruzamento de espécies são bastante comuns; entretanto, existem limites para aquele tipo de cruzamento.15

Então Deus realmente criou os dinossauros?

Por que um Deus de amor criaria o Tyrannosaurus rex? Este animal viveu no jardim do Éden? A partir dos dados que temos, é razoável supor que Deus criou algum ou alguns tipos básicos de dinossauros. Ainda mais, alguma variedade de terópodes, que poderia ter incluído o Tyrannosaurus rex.

Entretanto, na perspectiva bíblica, seria difícil acreditar que os animais no Éden eram carnívoros. A alteração de sua dieta teria ocorrido após a Queda.

O que exterminou os dinossauros?

Muitas teorias foram propostas para a extinção dos dinossauros:16 (1) uma drástica mudança climática devido ao impacto de um asteróide ou ao aumento de vulcanismo, ou ambos; (2) um rompimento na cadeia alimentar; ou (3) a evolução dos dinossauros para aves. Muitos cristãos não crêem que os dinossauros evoluíram para aves, e comprovou-se a dificuldade para documentar o rompimento na cadeia alimentar.

A destruição dos dinossauros pelo dilúvio adapta-se à perspectiva da Bíblia. O sepultamento dos dinossauros em grande variedade de sedimentos depositados pela água ao redor de todo o mundo17 é compatível com o relato bíblico. A complexidade do dilúvio bíblico pode ter desempenhado importante papel na destruição da Terra e dos organismos.

Se os dinossauros foram criados por Deus, por que foram extintos?

Numerosos organismos, que os cristãos crêem terem sido criados por Deus, foram extintos. Os sistemas oceânicos alteraram-se de forma impressionante desde o mundo pré-diluviano. Populações de insetos, anfíbios, répteis e mamíferos são hoje radicalmente diferentes. Nem tudo que Deus criou sobreviveu até hoje – resultado do pecado humano não da vontade divina.

Deus atuou continuamente para salvar vidas, como se vê ao longo de todo o relato bíblico do dilúvio. Infelizmente, nem tudo que foi salvo pôde sobreviver no mundo pós-diluviano.

Havia dinossauros na arca?

Pelo menos metade das famílias dos dinossauros poderia estar dentro da arca, pois eram suficientemente pequenos. Além disso, é importante lembrar que nem todas as espécies tinham de estar na arca. Eram necessárias espécies representativas, ou tipos básicos, pois reconhecemos que existe variedades pelo menos dentro de gêneros (grupos de espécies). Entretanto, é importante lembrar que não existem dados científicos para sustentar essa idéia. A crença de que os dinossauros estavam na arca de Noé é uma declaração de fé.

Conclusão

Alguém poderá pensar que essas questões são ridículas. Entretanto, os cristãos fazem essas indagações porque desejam uma explicação da natureza que se harmonize com o relato bíblico da história da Terra. Embora as respostas aqui apresentadas possam não satisfazer totalmente a todos, pelo menos elas provêem uma base para discussão e estudos posteriores.

Ainda existem muitas maravilhas para conhecer sobre a obra criadora de Deus. A promessa divina é que as conheceremos diretamente do Mestre eterno, na Terra renovada. Até lá, como cristãos, somos motivados a pesquisar e estudar a história da Terra com o auxílio do relato bíblico e da inspiração do Espírito Santo.

Elaine Graham-Kennedy (Ph.D., Universidade do Sul da Califórnia) é geóloga e tem focalizado suas pesquisas no Grand Canyon, Arizona, e na Patagônia, Argentina. Atualmente está estudando uma camada de ossos de dinossauros no leste de Wyoming, e trabalhando como professora adjunta de Geologia na Universidade Adventista Southwestern, em Keene, Texas. Recentemente publicou o livro Dinosaurs: Where Did They Come From ... And Where Did They Go? (Boise, Idaho: Pacific Press Publishing Association, 2006), que está disponível no endereço http://www.adventbookcenter.com. Seu e-mail é elainekennedy@gmail.com

REFERÊNCIAS

  1. K. Carpenter, K. Hirsch, and J. Horner. Dinosaur Eggs and Babies. Nova Iorque: Cambridge University Press, 2000. p. 372.
  2. M. Lockley. Tracking Dinosaurs. Nova Iorque: Cambridge University Press, 1991. p. 238.
  3. D. Lambert and the Diagram Group. Dinosaur Data Book. Nova Iorque: Avon Book, 1990. p. 320.
  4. A. Romer. Vertebrate Paleontology. Chicago: University of Chicago Press, 1996. p. 468.
  5. A. Chinsamy-Turan. The Microstructure of Dinosaur Bone. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. p.216.
  6. A. Romer. pp. 148-163.
  7. P. Dodson. “Counting Dinosaurs: How Many Kinds Were There?”. In: Proceedings of the National Academy of Sciences 87, 1900. pp. 7608-7612.
  8. M. Lockley. pp. 61-70.
  9. Ibidem. pp. 71-82.
  10. K. Carpenter, et al., p. 372.
  11. Disponível em: <http://www.dinosaur-world.com/feathered_dinosaurs/oviraptor_philocerataops.htm>.
  12. A. Hunt. “Synchronous First Appearance of Dinosaurs Worldwide During the Late Triassic (Late Carnian: Tuvalian)”. In: Geological Society of America, Abstracts with Program, 1991. p. A457.
  13. G. Faure. Principles of Isotope Geology. Nova Iorque: John Wiley and Sons, 1986. p. 608.
  14. Lambert, et al., p. 320.
  15. J. Gibson. “Creation and Evolution: A Look at the Evidence” (1999). Disponível em: <http://origins.swau.edu/papers/evol/gibson/default.html>.
  16. Artigo anônimo resumindo numerosas explicações dadas para a extinção dos dinossauros. Disponível em: <http://www.priweb.org/ed/ICTHOL/ICTHOL04papers/04.htm>.
  17. Lambert, et al., pp. 230-261.