Cynthia Prime: Empresária adventista com o coração voltado para os órfãos do HIV/Aids em Suazilândia

Cheia de energia, divertida e carinhosa, Cynthia Prime é uma visionária com um alcance para o que é novo e desafiante. Ela se sente à vontade com ricos e glamorosos e, do mesmo modo, quando está abraçando os órfãos da Aids. Nascida em Trinidade e Tobago, Cynthia sonhava em se tornar médica para cuidar de doentes em algum lugar remoto, uma esquecida parte do mundo. Após terminar o ensino médio, mudou-se para Nova York para começar Enfermagem com o plano de se tornar uma médica. Seu sonho terminou rapidamente quando descobriu que não suporta ver sangue, e também porque se identificou intensamente com as dores dos pacientes.

Assim, Cynthia se graduou em inglês, e em rádio e TV. Por alguns anos, trabalhou para um jornal comunitário, como repórter; como relações públicas e como consultora de gestão de carreira executiva.

Depois que se casou com Philip Prime, um químico, o casal se mudou para Indianápolis. Eles criaram três crianças – uma filha e dois filhos adotivos, adolescentes em situação de risco. Ativa em sua igreja, Cynthia encontrou alegria ao se doar aos jovens, ao Ministério das Mulheres e ao emprestar a sua voz aos sem influência. Por quase 10 anos, apresentou seminários capacitando mulheres e meninas adolescentes e organizou conferências abordando a violência doméstica. Fundou um dos primeiros centros de acolhimento, no Lake Union Conference, para mulheres adventistas maltratadas.

Após vários anos de uma bem-sucedida carreira como consultora de gestão, Cynthia, com seu esposo, fundou uma empresa de perfumes cujos produtos são vendidos por renomados varejistas tais como Bergdorf Goodman, de Nova Iorque e Harrods, de Londres.

Mais recentemente, a paixão de Cynthia pelos menos afortunados a levou à África para trabalhar entre os órfãos do HIV/Aids. Junto com Linda Schultz, sua companheira de ministério, Cynthia está dirigindo o Seeds of Hope Outreach (SOHO), uma organização sem fins lucrativos dedicada a semear esperança, ao desenvolvimento dos sonhos, e a transformar o futuro de órfãos, crianças e mulheres em situação de vulnerabilidade.

Por que seu sonho de infância foi tão diferente de sua jornada profissional?

Creio que Deus nos fez sonhadores. Ele nos prepara, nos conduz passo a passo ao longo de um caminho de sonho, até que um dia o maior objetivo de nossa existência se realiza. Nesse momento, reconhecemos não somente o porquê de estarmos em determinado lugar, mas também o porquê de percorrermos um trajeto. Ele tem um lugar para cada dom e habilidade, para o qual nos conduz no momento certo.

Fale-nos sobre a relação entre a empresa de perfumes e sua missão pessoal.

Sempre amei perfumes. O senso olfativo é tão importante quanto os outros, mas grandemente subestimado. Nesse negócio, houve oportunidade de conhecermos pessoas que de forma geral não conheceríamos, e deixamos que elas vissem Cristo em nossa vida. Tenho o sonho de ver essa empresa ser usada para inspirar e outorgar poder. Gostaria de vê-la criando trabalhos em lugares como a África subsariana onde o sexo se tornou uma mercadoria negociável porque se esgotaram as opções.

Quando surgiu o interesse pelos órfãos da Aids?

Aconteceu há três anos. Fui convidada para fazer uma palestra em um acampamento em Suazilândia, na África meridional. Nesse local, há uma das mais altas taxas de infecção de HIV/Aids do mundo. Em uma população de um milhão, há 120.000 órfãos e crianças vulneráveis. Antes mesmo de minha visita, o que aprendi tocou uma corda sensível em mim. Parecia que meu sonho de infância seria realizado, mas de uma maneira diferente. Senti-me chamada a curar corações em vez de corpos. A primeira vez que um grupo de 1.000 órfãos ficou diante de mim, soube que minha vida nunca mais seria a mesma. Renunciei à segurança do meu trabalho e mergulhei de cabeça. Aprendi o significado de caminhar pela fé, e Deus tem surgido repetidamente para demonstrar o Seu poder. O trabalho avança somente nas asas da oração. Você não faz o que faz para ser apreciado ou receber gratidão. Você o faz porque não há outra opção.

A ONG Seeds of Hope Outreach (SOHO) nasceu a partir de um convite?

Sim, como planejei ir à Suazilândia, o escritório da Adra de lá me pediu para ajudar com roupas e alimento a milhares de crianças. Diante desse desafio, disse que se os órfãos não comessem, eu também não comeria. Acabara de ser sensibilizada! Danny Shelton, da rádio 3ABN, me viu cambaleando sob a imensidão de necessidades e me fez uma pergunta que jamais esqueci: “De quem é esse trabalho, Cynthia?” Danny foi um dos primeiros doadores que ajudou a começar esse ministério. As doações daquelas primeiras entrevistas para a rádio foram o que mantiveram o trabalho, que continuou crescendo no primeiro ano.

Para cumprir esse chamado, o que tem feito?

Uma coisa que os órfãos aprendem cedo na vida é que não são bem-vindos. Há um estigma associado com a sua condição que causa dor e rejeição, uma realidade diária. Sofrem a falta de coisas básicas como alimento, moradia segura, vestuário e são presa fácil do abuso. Os SOHO Welcome Places, centros com múltiplos propósitos, ajudam crianças. Ali, elas são alimentadas, espiritualmente encaminhadas, educadas e adquirem habilidades para a vida necessárias à sobrevivência na sociedade. Estimulamos a iniciativa por meio de várias habilidades vocacionais, oferecendo cursos de capacitação, tais como costura, carpintaria, soldagem, tecelagem e agricultura.

Apesar das limitações de uma pequena ONG, você formou uma rede forte. Fale-nos sobre as parcerias estabelecidas.

Os departamentos de Agricultura e Engenharia da Universidade Purdue em Indiana têm participado como parceiros, bem como o departamento de Psicologia da Universidade Nova Southeastern na Flórida. Recentemente, oito estudantes de doutorado e seus professores foram à Suazilândia e fizeram um treinamento para instrutores em situações de crise e prevenção de suicídios. Algumas escolas públicas também estão envolvidas.

A Universidade Andrews, no Michigan, tornou-se, faz pouco tempo, sócia em uma fazenda de 27 hectares que fornecerá alimentos e proverá apoio no trabalho para Deus em Suazilândia onde os níveis de renda caíram e muitos empregados morreram devido à Aids. A ONG SOHO também está colaborando com o desenvolvimento de um programa de prevenção ao HIV/Aids, junto a uma aliança formada por prefeitos de Suazilândia.

Ouvimos muito sobre as vítimas de Aids. Como podemos evitar nos tornarmos insensíveis as suas necessidades?

Para começar, precisamos reconhecer que os que sofrem com a Aids não são uma estatística, são pessoas. Crianças, pessoas jovens, que se não tivessem a doença poderiam ter muitos sonhos. Cada criança é a face de Cristo diante de nós. Cada um de nós deve usar o que Ele nos deu para fazermos o melhor que podemos. Uma vez que o comprometimento se apodera de nós, como podemos nos tornar insensíveis?

Aos leitores que se interessarem em ajudar, como eles poderiam estar envolvidos com a ONG SOHO?

O voluntarismo é um bom começo. Necessitamos de músicos, professores, pessoal da área médica, e profissionais de esportes e educação física etc. Os estudantes podem ser defensores em seu campus estimulando a consciência e gerando apoio. Não queremos apenas doações, apesar das necessidades da ONG SOHO para manter os programas em andamento. Necessitamos de pessoas que se tornem uma voz para aqueles que não têm influência. Visite nosso site (http://www.seedsofhopeoutreach.com) e entre em contato.

Quais são os próximos planos?

Começaremos um programa especial para as famílias chefiadas por crianças, pré-adolescentes com 17 anos de idade. O Public Broadcasting Service demonstrou interesse em fazer um documentário. É um longo caminho, mas no final, Deus vai perguntar a todos sobre as ovelhas que estão sem proteção e provisão devido à Aids. Oro para que haja muitos para apresentar a Jesus. Estou também planejando publicar um livro para encorajar as pessoas, especialmente as mulheres, a expandir os limites e a arriscar-se por Deus. Mudar o mundo não é o trabalho de celebridades, mas de pessoas comuns por meio das quais Deus deseja fazer um trabalho extraordinário.

Heide Ford é a diretora do Women’s Resource Center na Universidade La Sierra em Riverside, Califórnia. A missão do WRC é profissional, para o desenvolvimento de liderança das mulheres e apoio para a justiça de gênero na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Site: http://www.adventistwomenscenter.org. E-mail: hford@lasierra.edu

E-mail de Cynthia Prime: cprime2000@aol.com

Site da ONG SOHO: http://www.seedsofhopeoutreach.com