Reavivamento, reforma, discipulado e evangelismo

Um apelo urgente do Concílio Anual 2010 para a igreja mundial

Em seu primeiro concílio anual de líderes mundiais da Igreja, em outubro de 2010, após a 85ª Sessão da Conferência Geral em Atlanta, Geórgia, em julho de 2005, a igreja mundial orou e planejou em conjunto o rápido término da obra de Deus para apressar o cumprimento da promessa feita há muito tempo de que o Senhor da igreja iria voltar em breve pela segunda vez para estabelecer o Seu reino de justiça. Com essa promessa, como a força motriz de vida e de ação para cada adventista do sétimo dia, o Concílio Anual emitiu o seguinte apelo, desafiando cada crente a uma nova dedicação com quatro prioridades: o reavivamento, a reforma, o discipulado e o evangelismo. Nós convidamos os leitores da Diálogo e os milhões de jovens adventistas em instituições educacionais a ler esta declaração e a reverentemente adotá-la como seu imperativo de vida e compromisso. Para obter mais informações e recursos para a meditação, devoção e oração, acesse www.revivalandreformation.org.

— Os Editores.

É propósito da liderança priorizar a prática da mensagem deste documento em todas as atividades da igreja Deus chamou, de forma singular, a Igreja Adventista do Sétimo Dia para viver e proclamar Sua mensagem de amor e verdade para os últimos dias do mundo (Apocalipse 14:6-12). O desafio de alcançar os mais de seis bilhões de pessoas no planeta Terra com Sua mensagem para o tempo do fim parece impossível. A tarefa é esmagadora. Do ponto de vista humano, o rápido cumprimento da Grande Comissão de Cristo, em algum momento próximo, parece improvável (Mateus 28:19, 20).

A taxa de crescimento da Igreja simplesmente não está acompanhando o crescimento da população mundial. Uma avaliação honesta de nosso impacto evangelístico atual no mundo leva à conclusão de que, a não ser que haja uma mudança dramática, não concluiremos a comissão celestial nesta geração. A despeito de nossos melhores esforços, todos os nossos planos, estratégias e recursos são incapazes de concluir a missão dada por Deus para Sua glória na Terra.

Promessa de Cristo à igreja do Novo Testamento

O desafio de levar o evangelho ao mundo não é novo. Os discípulos enfrentaram esse desafio no primeiro século, e nós o enfrentamos no século 21. A igreja do Novo Testamento foi, aparentemente, confrontada com uma tarefa impossível. Porém, dotada do poder do Espírito Santo, teve um crescimento explosivo (Atos 2:41; 4:4; 6:7; 9:31). Os primeiros cristãos compartilharam sua fé em todas as partes (Atos 5:42).

A graça de Deus transbordou do coração deles para sua família, seus amigos e colegas de trabalho. Apenas poucas décadas depois da crucifixão, o apóstolo Paulo relatou que o evangelho “foi pregado a toda criatura debaixo do céu” (Colossenses 1:23). Como foi possível a um desconhecido grupo de crentes relativamente insignificante exercer impacto no mundo em um período tão curto de tempo? Como tão poucos cristãos puderam ser usados por Deus para transformar o mundo para sempre?

A Grande Comissão de Cristo foi acompanhada de Sua grande promessa. O Salvador “determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai” (Atos 1:4). E também prometeu: “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra” (Atos 1:8).

O amor de Cristo controlava cada aspecto da vida dos discípulos e os levava a um compromisso fervoroso com Seu serviço. Eles rogaram a Deus o poder prometido do Espírito Santo e se prostraram diante dEle em sincera confissão e fervoroso arrependimento. Deram prioridade à busca das bênçãos de Deus e dedicaram tempo para a oração e para o estudo das Escrituras. Suas mesquinhas diferenças foram absorvidas por seu desejo todo abrangente de compartilhar o amor de Cristo com todos ao seu redor e de alcançar o mundo com o evangelho. Nada era mais importante que isso. Eles reconheceram que eram incapazes de cumprir a missão sem o poderoso derramamento do Espírito Santo.

Descrevendo a experiência dos discípulos, Ellen G. White escreveu: “Pondo de parte todas as divergências, todo desejo de supremacia, uniram-se em íntima comunhão cristã. [...] A tristeza lhes inundava o coração ao se lembrarem de quantas vezes O haviam mortificado por terem sido tardos de compreensão, falhos em entender as lições que, para seu bem, Ele estivera buscando ensinar-lhes. [...] Os discípulos sentiram sua necessidade espiritual, e suplicaram do Senhor a santa unção que os devia capacitar para o trabalho de salvar pessoas. Não suplicaram essas bênçãos apenas para si. Sentiam a responsabilidade que lhes cabia nessa obra de salvação. Compreendiam que o evangelho devia ser proclamado ao mundo, e reclamavam o poder que Cristo prometera” (Atos dos Apóstolos, p. 37).

Cristo cumpriu Sua palavra. O Espírito Santo foi derramado no poder pentecostal. Milhares se converteram em um dia! A mensagem do amor de Cristo exerceu impacto no mundo. Em um curto período de tempo, o nome de Jesus Cristo estava nos lábios de homens e mulheres em todas as partes. “Mediante a cooperação do Espírito divino, os apóstolos fizeram uma obra que abalou o mundo. O evangelho foi levado a todas as nações numa única geração” (Ibid., p. 593).

A promessa de Cristo para a igreja do tempo do fim

O derramamento do Espírito Santo no Pentecostes, na chuva temporã, foi apenas um prelúdio do que está para acontecer. Deus prometeu derramar Seu Espírito Santo em abundância nos últimos dias (Joel 2:23; Zacarias 10:1). A Terra será iluminada “com Sua glória” (Apocalipse 18:1) e a obra de Deus neste mundo será rapidamente concluída (Mateus 24:14; Romanos 9:28). A Igreja experimentará um reavivamento espiritual e a plenitude do poder do Espírito Santo como nunca ocorreu antes em sua história. Falando do derramamento do Espírito Santo no Pentecostes, Pedro nos dá esta certeza: “Para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (Atos 2:39). Ellen G. White acrescenta: “Antes de os juízos finais de Deus caírem sobre a Terra, haverá, entre o povo do Senhor, tal avivamento da primitiva piedade como não fora testemunhado desde os tempos apostólicos. O Espírito e o poder de Deus serão derramados sobre Seus filhos. Naquele tempo, muitos se separarão das igrejas em que o amor deste mundo suplantou o amor a Deus e à Sua Palavra. Muitos, tanto pastores como leigos, aceitarão alegremente as grandes verdades que Deus providenciou fossem proclamadas no tempo presente, a fim de preparar um povo para a segunda vinda do Senhor” (O Grande Conflito, p. 464).

Centenas de milhares de pessoas aceitarão a mensagem dos últimos dias, dada por Deus, mediante o ensino e a pregação de Sua Palavra. Oração, estudo da Bíblia e testemunho são os elementos de todo verdadeiro reavivamento. A manifestação do Espírito Santo se intensificará à medida que o fim se aproximar. “Ao se aproximar o fim da ceifa da Terra, uma especial concessão de graça espiritual é prometida a fim de preparar a igreja para a vinda do Filho do homem” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 55). “Por milhares de vozes em toda a extensão da Terra, será dada a advertência. Prodígios serão realizados, os doentes serão curados, e sinais e maravilhas seguirão aos crentes” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 612).

Não há nada mais importante do que conhecer Jesus, estudar Sua Palavra, compreender Sua verdade e buscar Sua promessa do derramamento do poder do Espírito Santo na chuva serôdia para o cumprimento da comissão evangélica. A profetisa de Deus para o remanescente nos últimos dias escreveu de forma muito clara para ser mal compreendida: “um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo, deve ser nossa primeira ocupação” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 121).

Se um verdadeiro reavivamento espiritual é a maior e a mais urgente de nossas necessidades, não deveríamos, como líderes, dar prioridade à busca da bênção prometida pelo Céu, com todo o nosso coração?

Nossa grande necessidade: reavivamento e reforma

Quando buscamos Jesus, Ele nos preenche com Sua presença e poder mediante a dádiva do Espírito Santo. Almejamos conhecê-Lo melhor e o Espírito Santo reaviva nossas faculdades espirituais adormecidas. Não há nada que desejemos mais do que ter um relacionamento profundo e transformador com Jesus. O coração reavivado experimenta uma conexão vital com Jesus mediante a oração e o estudo da Palavra, e a reforma é a mudança correspondente que ocorre em nossa vida como resultado do reavivamento.

“Precisa haver um reavivamento e uma reforma, sob a ministração do Espírito Santo. Reavivamento e reforma são duas coisas diversas. Reavivamento significa renovação da vida espiritual, um avivamento das faculdades da mente e do coração, uma ressurreição da morte espiritual. Reforma significa reorganização, mudança nas ideias e teorias, hábitos e práticas. A reforma não trará o bom fruto da justiça a menos que seja ligada ao reavivamento do Espírito. Reavivamento e reforma devem efetuar a obra que lhes é designada e, no realizá-la, precisam fundir-se” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 128). A reforma não é manifestada com uma atitude de justiça própria que condena outros. É a transformação do caráter que revela o fruto do Espírito na vida (Gálatas 5:22-24). A obediência à vontade de Deus é evidência de todo verdadeiro reavivamento. Nosso Senhor deseja ver um povo reavivado, cuja vida reflita a amabilidade de Seu caráter. Não há nada que Jesus anseie mais do que um povo desejoso de conhecer pessoalmente Seu amor e compartilhá-lo com os outros.

Compromisso e apelo

Como líderes e representantes da Igreja Adventista do Sétimo Dia, reunidos na sede mundial em Silver Spring, Maryland, Estados Unidos, para o Concílio Anual de 2010, somos gratos ao nosso grande e maravilhoso Deus por Sua fidelidade e bênçãos abundantes concedidas à Sua Igreja, desde seu início. A rápida expansão mundial de Sua igreja, em número de membros e instituições, é simplesmente um milagre de Deus. Embora O louvemos pela obra maravilhosa de cumprir Seu propósito por meio de Sua igreja, e a Ele sejamos gratos pelos líderes piedosos que guiaram Seu povo no passado, reconhecemos humildemente que, devido às nossas fragilidades humanas, até mesmo nossos melhores esforços são maculados pelo pecado e necessitam de purificação por meio da graça de Cristo. Reconhecemos que nem sempre temos dado prioridade ao dever de buscar a Deus pela oração e em Sua Palavra mediante o derramamento do poder do Espírito Santo na chuva serôdia. Humildemente confessamos que, em nossa vida pessoal, em nossas práticas administrativas e nas reuniões das comissões, com frequência, temos agido com nossas próprias forças. Muitas vezes, a missão de Deus de salvar o mundo perdido não tem ocupado o primeiro lugar em nosso coração. Às vezes, em nossa intensa busca por fazer boas coisas, temos negligenciado o mais importante: conhecer a Deus. Com frequência, ambições mesquinhas, inveja e relacionamentos pessoais fragilizados têm subjugado nosso anelo pelo reavivamento e pela reforma e nos têm levado a trabalhar em nossa força humana, em vez de na de Seu divino poder.

Aceitamos a clara instrução de nosso Senhor de que “o tempo decorrido não operou nenhuma mudança na promessa dada por Cristo ao partir, promessa de enviar o Espírito Santo como Seu representante. Não é por qualquer restrição da parte de Deus que as riquezas de Sua graça não fluem para a Terra em favor dos homens. Se o cumprimento da promessa não é visto como poderia ser, é porque a promessa não é apreciada como devia ser. Se todos estivessem dispostos, todos seriam cheios do Espírito” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 50).

Confiamos no fato de que todo o Céu espera derramar o Espírito Santo, com poder infinito, para a conclusão da obra de Deus na Terra. Reconhecemos que a vinda de Jesus tem sido adiada e que o desejo de nosso Senhor era ter vindo décadas atrás. Arrependemo-nos de nossa indiferença, de nosso mundanismo e de nossa falta de paixão por Cristo e Sua missão. Sentimos que Cristo nos chama a um relacionamento profundo com Ele, mediante oração e estudo da Bíblia, e a um mais ardente compromisso de transmitir ao mundo Sua mensagem para os últimos dias. Alegramo-nos pelo fato de que “é privilégio de todo cristão não somente aguardar, mas apressar a vinda do Salvador” (Ibid., p. 600).

Assim sendo, como representantes da Igreja mundial e em nome de todos os membros, comprometemo-nos a:

  1. Pessoalmente dar prioridade ao dever de buscar a Deus para um reavivamento espiritual e o derramamento do Espírito Santo, no poder da chuva serôdia, em nossa vida, família e ministério.
  2. Individualmente dedicar tempo significativo, a cada dia, para manter comunhão com Cristo mediante a oração e o estudo da Palavra de Deus.
  3. Examinar o próprio coração e pedir ao Espírito Santo que nos convença de tudo que nos esteja impedindo de revelar o caráter de Jesus. Desejamos ter um coração disposto a fim de que nada em nossa vida impeça a plenitude do poder do Espírito Santo.
  4. Incentivar os pastores da igreja a dedicar tempo à oração, ao estudo da Bíblia e a buscar o coração de Deus, a fim de que compreendam Seus planos para Sua igreja.
  5. Incentivar cada uma das organizações da igreja a separar tempo para que administradores, pastores, obreiros da área de saúde, da obra de publicações, educadores, estudantes e todos os colaboradores busquem Jesus e o prometido derramamento do Espírito Santo mediante o estudo da Palavra de Deus e da oração.
  6. Priorizar o Seminário de Enriquecimento Espiritual e a Jornada Espiritual como meios de envolver os membros, servidores da igreja e instituições em um forte movimento de comunhão e reavivamento, buscando Deus na primeira hora de cada dia.
  7. Usar cada mídia disponível, bem como diferentes reuniões, seminários e programas para apelar aos membros da igreja a buscar um relacionamento profundo com Jesus, com vistas ao reavivamento e à reforma prometidos.
  8. Urgentemente, apelar aos membros da igreja e convidá-los a se unir a nós no abrir o coração ao poder transformador da vida, que é o Espírito Santo, o qual transformará nossa vida, nossa família, nossas organizações e comunidades.

Especialmente, reconhecemos que Deus usará as crianças e os jovens neste último e poderoso reavivamento e encorajará todos os nossos jovens a participar na busca de Deus para o reavivamento espiritual em sua vida e a capacitação do Espírito Santo para compartilhar sua fé com outros.

Apelamos a cada membro para que se una aos líderes da igreja e a milhões de outros adventistas do sétimo dia, buscando um relacionamento mais profundo com Jesus e o derramamento do Espírito Santo na primeira hora de cada dia, participando da corrente mundial de oração às sete horas de cada manhã ou da noite, sete dias na semana. Esse é um apelo urgente que deve circundar o globo com sincera intercessão. Esse é o chamado para um compromisso total com Jesus e para experimentar o poder transformador de vidas, o Espírito Santo, que nosso Senhor deseja conceder-nos agora.

Cremos que o propósito do derramamento do Espírito Santo no poder da chuva serôdia é concluir a missão de Cristo na Terra, a fim de que Ele possa vir em breve. Reconhecendo que nosso Senhor derramará Seu Espírito, em Sua plenitude, somente sobre uma igreja que tiver paixão pelas pessoas perdidas, determinamos apresentar e manter o reavivamento, a reforma, o discipulado e o evangelismo no topo de todas as nossas agendas de atividades da igreja. Mais do que tudo, aguardamos ansiosamente a vinda de Jesus.

Apelamos a cada administrador, líder de departamento, obreiro institucional, obreiro da área de saúde, colportor, capelão, pastor e membro da igreja a se unir a nós em tornar o reavivamento, a reforma, o discipulado e o evangelismo as prioridades mais urgentes e importantes de nossa vida pessoal e em nossas áreas no ministério. Estamos certos de que, ao buscarmos a Deus juntos, Ele derramará Seu Espírito Santo sem medida, a obra de Deus na Terra será concluída e Jesus virá. Clamemos com o idoso apóstolo João, na Ilha de Patmos: “Vem, Senhor Jesus!” (Apocalipse 22:20).

* O documento original foi votado no Concílio Anual da Associação Geral, em 11 de outubro de 2010.