Quem deve se dedicar à Teologia?

Dedicar-se à Teologia é um privilégio e um processo contínuo que pode levar os envolvidos a desenvolver maior apreciação e compreensão de Deus e da salvação, estabelecendo uma relação vibrante com Ele.

Quem deve se dedicar à Teologia? Antes de discutirmos essa importante questão, devemos definir o que é Teologia. Uma definição simples estabelece que Teologia é “o ensino sobre Deus e Sua relação com o mundo, desde a criação até a consumação, particularmente dentro de um método ordenado e coerente.”1 A partir desse conceito, a fim de obter conhecimento sobre Deus e entrar em um relacionamento com Ele, é necessário se engajar no pensamento teológico, ou seja, olhar e estudar o que Deus revelou à humanidade. Dedicar-se à Teologia é um privilégio e um processo contínuo que pode levar os envolvidos a desenvolver maior apreciação e compreensão de Deus e da salvação, estabelecendo uma relação vibrante com Ele. Idealmente, o pensamento teológico não é construído de maneira isolada, pois todos os crentes estão envolvidos nesse processo, mesmo que a igreja tenha especialistas treinados em Teologia e pesquisa bíblica.

O problema de se dedicar à Teologia

Não é segredo que a Teologia – se for pensada por membros e administradores da igreja ou teólogos profissionais/acadêmicos – tem o potencial de gerar tensões. Pode até criar dissensões. Pensar a Teologia e agir conforme certas convicções pode polarizar opiniões, romper relações humanas, trazer desunião ou até mesmo dividir igrejas e grupos sociais.

Isso pode ser comprovado ao olharmos a história e a atual situação do mundo. A controvérsia ariana no século IV d.C., sobre a divindade de Cristo e a Trindade, deixou vencedores e perdedores. O nascimento do protestantismo surgiu com o retorno às Escrituras e uma busca intensa de Deus, levando a uma ruptura com a Igreja Católica. Os anabatistas discordaram de certas doutrinas da Igreja Romana e do protestantismo. Acabaram perseguidos pelos dois grupos. Ações baseadas em convicções teológicas fragmentaram o cristianismo em numerosas denominações.

Mesmo no Novo Testamento, encon-

tramos tensões teológicas. Após o Con-cílio de Jerusalém (Atos 15), surgiu um conflito entre alguns grupos apegados à lei mosaica e outros grupos para os quais os cristãos gentios não estavam sujeitos a essa lei. O pano de fundo desse debate apresentava uma questão maior: em outras palavras, a salvação é garantida pela fé em Cristo ou por meio da observação da lei (Gálatas 2-5)? Tal conflito ajudou a igreja a definir mais claramente sua posição bíblica. No entanto, o resultado nem sempre foi positivo. “Litígios quanto a significados rapidamente deram origem a separações e cismas dentro da comunidade cristã. Isso está evidente nos livros do Novo Testamento, especialmente nas epístolas, nas quais uma argumentação teológica é realizada a fim de fazer distinção entre a verdade e o erro.”2 Por exemplo, as cartas joaninas nos permitem saber as diferentes percepções de quem era Jesus e nos mostram a batalha dos apóstolos em defesa da plena humanidade e divindade de Jesus Cristo (ver 1 João 2 e 4; 2 João). Nesse caso, a Teologia se tornou motivo de divisão, mas os apóstolos não voltaram atrás a fim de agradar os adversários. Eles não cederam ao ataque. A heresia precisava ser confrontada pela Teologia, mesmo que isso significasse a exposição de falsas posições e eventualmente ocorresse uma divisão na igreja.

Hoje, existem enormes tensões entre as religiões mundiais e dentro delas, incluindo cada uma das três religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Mesmo dentro da maioria de suas denominações, essas tensões se manifestam e podem surgir em decisões estranhas ou mesmo em atos violentos contra aqueles que sustentam diferentes posições teológicas. Por exemplo, a decisão do Papa Bento XVI de readmitir o oficial da Igreja Católica Romana, entre outros, o ultraconservador bispo Richard Williamson, que nega a amplitude do Holocausto, não só tem complicado as relações da igreja com os judeus e suscitado críticas feitas por personalidades de destaque da arena política, mas também levado pessoas a deixar a Igreja Católica devido à decepção.

Além disso, W. Jeanrond aponta a diversidade dos atuais métodos teológicos e faz a pergunta: “Pode haver qualquer pretensão de unidade quando não existe um quadro unificado de comunicação?”3

Andrew Linzey aponta outros perigos associados ao exercício da Teologia. Sendo um empreendimento humano, a Teologia pode ser pouco exigente como também pode exigir muito, tal como o fundamentalismo teológico que “absolutiza o agente humano, a autoridade ou o credo acima de Deus”.4 Outro perigo é o paroquialismo. Embora a Teologia deva servir às necessidades da igreja, isso não deve se converter em servilismo. Nesse caso, o servilismo “está vinculado à manutenção de posições religiosas ou cristãs, por si sós, em vez de se procurar a verdade de Deus”.5

Opções para o desempenho da Teologia

Se a tarefa de dedicar-se à Teologia é problemática e até mesmo divisiva, como devemos nos relacionar com ela? Há uma série de opções:

  1. Abster-se de se dedicar à Teologia, julgando melhor envolver-se em uma espécie de espiritualidade que evite preocupações doutrinárias; dedicar-se a questões práticas como missão evangelística, ajuda humanitária ou cuidado com o ecossistema.
  2. Dar carta branca aos teólogos.6 Delimitar o pensamento teológico somente aos especialistas e lhes permitir usarem qualquer abordagem hermenêutica que quiserem.
  3. Permitir à liderança da igreja tomar decisões por meio de processos administrativos com pouca ou nenhuma base teológica.
  4. Incentivar variados grupos de membros da igreja a se envolverem no estudo das Escrituras e a se dedicarem à Teologia. Manter uma abordagem equilibrada em que todos são ouvidos, garantindo que a tomada de decisões não fique restrita a alguns indivíduos.

A vantagem da primeira opção é que algo está sendo feito, e o cristianismo está mantendo os pés no chão. As pessoas não ficam presas em intermináveis debates sobre minúcias teológicas. O lado negativo dessa abordagem é que a espiritualidade e a prática ficam sem um fundamento bíblico sólido, e o que está sendo proclamado e/ou experimentado acaba em emocionalismo, tradicionalismo, relativismo ou pragmatismo, algo que está longe de ser a mensagem bíblica. Desse modo, poderiam os crentes parar de pensar em Deus e de estudar a Sua Palavra, a qual os ajuda a estreitar seu envolvimento com a humanidade, avaliar seus métodos e os resultados de seu trabalho, e ganhar novos conhecimentos?

A vantagem da segunda opção é que especialistas treinados lidam com importantes conceitos teológicos. Eles estão cientes dos desafios impostos pela cultura, conhecem o conteúdo bíblico e as várias interpretações ou posições teológicas sobre o assunto, e podem lidar com as questões de uma forma responsável. Alguns consideram vantajoso que a maioria dos membros da igreja e administradores não tenha que se envolver na interpretação das Escrituras e no pensamento teológico de maneira mais profunda. Mas tal posição acaba por ser uma grande perda e desvantagem. Aceitar a opção dois seria entregar aos teólogos e estudiosos da Bíblia a exclusiva responsabilidade de pensar a Teologia. Isso tiraria do povo de Deus o privilégio concedido por Ele de usufruir de um sacerdócio universal de crentes e de compartilhar da maravilhosa tarefa de se dedicar à Teologia. Embora os teólogos e estudiosos da Bíblia sejam especialistas em suas áreas, eles não são infalíveis nem imunes às tentações de seguir as correntes teológicas da moda, a submeter-se à opinião da maioria no mundo acadêmico ou a comprometer-se com pressupostos filosóficos de interpretação questionáveis a partir de uma perspectiva bíblica.

A opção três convida os administradores da igreja a tomarem decisões sem o apoio teológico de outros, ou seja, favorece decisões pragmáticas e desmerece a busca de bases teológicas. A vantagem dessa abordagem se assemelha à vantagem da opção um. Ela pode até parecer uma abordagem eficaz. As decisões podem ser tomadas rapidamente. Os administradores podem ser capazes de conter a onda de heresia com a qual a igreja está sempre lutando. Mas o preço é bastante elevado.7 Embora possa ser um processo rápido, os resultados talvez não resistam ao teste do tempo e podem até mesmo levar a igreja a uma direção errada.

Tal abordagem pode ser uma tentativa de domar a Teologia. Mas quem diz que os administradores da igreja estão automaticamente certos, enquanto os teólogos estão automaticamente errados e devem ser tratados com desconfiança? Se decisões importantes são tomadas sem a participação dos teólogos e estudiosos da igreja, o perigo é que, mais cedo ou mais tarde, elas deixarão de ser baseadas nos ensinamentos bíblicos, e a igreja vai se tornar uma empresa, com o presidente se transformando em um diretor executivo. Métodos e práticas seculares podem ser usados, e opiniões divergentes podem ser evitadas. Outro perigo é que os administradores podem evitar tomar qualquer decisão sobre questões teológicas e optar por uma miscelânea de opiniões dentro da igreja que poderia prejudicar ou mesmo impedir a proclamação da mensagem da igreja e a realização de sua missão.

A quarta alternativa tem a desvantagem de que muitos crentes podem não estar interessados em participar de uma jornada teológica comum.8 Além disso, o processo é longo e mais complicado, e um mero voto da maioria pode não ser a solução para todos os problemas. No entanto, as desvantagens são superadas ao se permitir que toda a igreja se envolva, evitando assim que o oligarquismo ou a autocracia governe a igreja. Isso pode também contribuir para um senso de pertencimento.

Das opções listadas aqui, entre outras possíveis, a quarta parece ser a melhor, pois se aproxima mais dos ensinamentos bíblicos sobre a natureza da igreja. Isso também pode ser a posição tradicional entre os adventistas. Deixar de lado a Teologia dificilmente pode ser uma opção para os adventistas. Restringir a Teologia aos leigos treinados não é muito melhor. O mesmo é verdadeiro ao se atribuir todo o poder para a liderança da igreja. Sendo que não podemos deixar de pensar a Teologia, visto que estamos envolvidos com ela, precisamos analisar algumas questões: Qual é o preço desse envolvimento? E como podemos fazer isso de modo responsável, considerando que a natureza divisiva da Teologia às vezes é necessária e boa; outras vezes, desnecessária e prejudicial?

O preço de pensar a Teologia

Pensar a Teologia exige:

Para resumir: as tensões teológicas podem não ser necessariamente errôneas se houver uma vontade de trabalhar com elas e buscar soluções bíblicas. Ter um diálogo teológico permanente não é um sinal de uma igreja fraca ou sem vida.10 Pelo contrário, pode sugerir um envolvimento saudável com as questões de fé. Seria desastroso os administradores abafarem toda a discussão sobre as questões teológicas, proibirem perguntas sobre as razões para as nossas posições ou deixarem de apreciar a necessidade de interpretações melhores e mais abrangentes de passagens bíblicas e ensinamentos teológicos, preferindo se concentrar unicamente em questões práticas.

No entanto, o conflito teológico desnecessário pode mutilar e paralisar a igreja e produzir diferentes facções. Da mesma forma que a igreja primitiva teve de lutar contra as heresias que atacaram a Palavra de Deus, a igreja de nossos dias deve se posicionar ao lado da revelação. Quando confrontados com falsos ensinamentos sobre importantes doutrinas bíblicas, Jesus, Paulo e os apóstolos não permitiram o pluralismo dentro da igreja (Mateus 10:34-36, Gálatas 1:8-9). Enquanto algumas discussões sobre questões teológicas são normais e saudáveis, a propagação de absoluta heresia deve ser rejeitada. É nesse ponto que a apologética como uma disciplina teológica surge e tem seu lugar de direito (Filipenses 1:16; 1 Pedro 3:15).11 De acordo com Gordon R. Lewis, “se o conhecimento é necessário para a fé, então, a defesa da verdade é ‘indispensável para a pregação cristã.’”12

A dedicão à Teologia e a Igreja Adventista 1. Sugestões de caráter geral

A questão não é se deve ou não haver tensões teológicas, mas como lidar com elas e como pensar a Teologia de uma forma responsável dentro da Igreja Adventista, evitando tensões desnecessárias. Aqui estão algumas sugestões gerais:

Fique longe dos extremos. Assim como não é útil enfatizar a Teologia e desprezar a vida cristã, também não é benéfico enfatizar a prática e minimizar a Teologia. “De vez em quando”, escreve Roy Adams, “em reuniões campais e em outros encontros, pode-se ouvir calúnias demagógicas sobre a Teologia: ‘Nós não precisamos de Teologia’, um orador pode dizer. ‘Tudo de que precisamos é Jesus!’ Pronunciado com paixão e convicção, o comentário traz geralmente coros de améns, senão também aplausos.”13 Essa abordagem pode ter um efeito negativo sobre os membros da igreja. Tecer comentários negativos sobre a Teologia pode desencorajar os membros da igreja de estudar as Escrituras por si mesmos e pensar sobre questões de fé, levando-os a assumirem que isso não é importante. Até mesmo fazer uma comparação da Teologia com questões práticas da vida cristã consideradas “mais importantes” pode enviar uma mensagem errada. Os interessados em Teologia podem continuar os seus estudos e estabelecer um distanciamento daqueles que fazem comentários negativos sobre seu ramo de atividade. Isso pode contribuir para uma polarização dentro da igreja.

Não separe. A Bíblia não separa a sã doutrina da vida e da caminhada cristãs. Os apóstolos destacaram o crescimento no conhecimento (Filipenses 1:9, Colossenses 1:9-10, 2 Pedro 3:18) como estando ligado a aspectos cognitivos e relacionais. Precisamos evitar a criação de dicotomias entre a Teologia e a prática da espiritualidade, entre doutrinas e missão, entre teólogos e administradores, entre aqueles que têm formação em Teologia e aqueles sem treinamento formal. O respeito mútuo permite que as pessoas possam prosperar, sentindo-se amadas e sendo criativas.

Apreciar tanto a Teologia quanto a vida cristã. Pensar a Teologia é tão essencial quanto sua prática (missão evangelística, aconselhamento, assistência humanitária etc.) A Teologia é o alicerce. A prática é construída sobre esse alicerce. Uma sem a outra nada fará. É verdade que a Teologia pode estar errada e ser destrutiva, mas isso ocorre também com as abordagens práticas. As abordagens questionáveis para a Teologia ou para a prática não nos permitem descartar uma das duas ou ambas. Em vez disso, elas nos encorajam a fazê-lo direito. Devemos apreciar tanto a Teologia quanto a prática.

Não lide com as diferenças teológicas, revertendo-as em questões de poder. Embora a absoluta heresia deva ser confrontada e, em longo prazo, precise ser removida do corpo de Cristo, o diálogo deve tomar o primeiro lugar. Não se deve pressupor que certo cargo torne seu possuidor quase infalível. A igreja primitiva não lidou com desacordos teológicos apenas por meio da imposição do poder eclesiástico. Tal abordagem foi usada mais tarde e preparou o caminho para um rigoroso sistema hierárquico de governo da igreja, o papado.

2. Sugestões mais específicas

O que nos ajudaria a evitar tensões desnecessárias e conflitos dentro da Igreja Adventista?

É preciso buscar consenso para formar um quadro geral que norteie a atividade de pensar a Teologia. Esse quadro geral inclui: (a) aceitar o autotestemunho das Escrituras sobre a revelação divina, inspiração e autoridade da Bíblia, (b) aceitar as Escrituras como fonte primária para a Teologia, sendo que as Escrituras são o padrão pelo qual todas as outras fontes como revelação geral, profecia extrabíblica, cultura e experiência pessoal devem ser avaliadas;15 (c) ser direcionado pela Bíblia, em vez de realizar um empreendimento puramente filosófico, sociológico, psicológico ou científico;16 (d) realizar a exegese e a reflexão teológica, valendo-se de métodos derivados das Escrituras e que estejam de acordo com sua natureza; (e) dedicar-se à Teologia com um objetivo definido, ou seja, para obter uma melhor compreensão de Deus e de Seu plano de salvação (que pode ser comunicado aos outros) e para alcançar um relacionamento mais profundo com o Senhor. Portanto, o pensamento teológico adventista é orientado para a prática sem ser pragmático no sentido negativo;17 (f) promover uma teologia cristocêntrica18, visto que toda verdade deve estar relacionada com Jesus e toda a mensagem bíblica deve ser aceita; (g) inserir a reflexão teológica no contexto do grande conflito e com uma clara ênfase escatológica; (h) formar o pensamento teológico sistemático que descreve, analisa e organiza as doutrinas bíblicas inspirando-se em toda a Bíblia, visto que os adventistas não se opõem ao raciocínio; ao mesmo tempo em que identificamos a razão como um dom de Deus, também reconhecemos que a razão humana é falível e não deve ser santificada;19 (i) empreender o pensamento teológico de modo a levar em conta questões e desafios contemporâneos e tentar respondê-los. Só porque a cultura condiciona os seres humanos em grande medida, isso não significa que as Escrituras são culturalmente condicionadas e não diretamente aplicáveis à nossa situação, pelo menos na maioria dos casos.

Além disso, não devemos nos concentrar em uma só questão teológica. Precisamos ser capazes de distinguir o essencial das questões menos importantes ou até mesmo obscuras. A partir disso, devemos nos concentrar no primeiro caso e não no último. Do contrário, existe um perigo de ocorrer certo desequilíbrio.

Precisamos também estabelecer conclusões flexíveis. É melhor apresentar uma “sugestão” e estar disposto a ser corrigido, em vez de ser dogmático com suas próprias percepções20 e compartilhá-

las amplamente antes que outros as avaliem.

Isso nos leva à necessidade de reconhecer que o pensamento teológico adventista não é feito de maneira isolada. Os resultados de um estudo devem ser compartilhados com pessoas de experiência para obter o parecer delas. É de grande importância ouvir os outros com atenção e com a mente aberta.

Manifestar bondade e uma atitude semelhante à de Cristo é imprescindível em todos os momentos. Não seja duro ao criticar aqueles de quem você discorda. Jamais zombe deles. Demostre bondade e caridade cristãs. Aqueles que parecem ser adversários precisam ser levados a sério. A maioria tem alguns pontos que podem e devem ser apreciados.

Conclusão

Enquanto a Teologia é necessária, às vezes pode ser desnecessariamente polêmica. Seguir as orientações anteriormente mencionadas pode ser um primeiro passo em direção a uma solução para este problema. Se os envolvidos no desempenho da Teologia concordam uns com os outros sobre os pressupostos básicos e sobre abordagens metodológicas para as Escrituras, o perigo de suas reflexões teológicas se tornarem divisivas é consideravelmente reduzido. Além disso, uma boa dose de humildade e respeito pelos outros é desejável. Na Igreja Adventista, as decisões sobre questões teológicas não são tomadas somente por administradores nem apenas por teólogos. Essa é uma tarefa para toda a igreja.21 O pensamento teológico é um privilégio. É um processo necessário e permanente. De fato, pode levar os envolvidos a uma compreensão cada vez mais profunda de Deus e da salvação.

Ekkehardt Müller (Th.D., D.Min., Universidade Andrews) é vice-diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, Silver Spring, Maryland, EUA. E-mail: muellere@gc.adventist.org.

REFERÊNCIAS

  1. WRIGHT, D.F. “Theology.” In: FERGUSON, S.B.; WRIGHT, D.F.; PACKER, J.I. (ed.). New dictionary of theology. Downers Grove, Illinois: InterVarsity, 1988. p. 680.
  2. SYKES, S.W. “Theology.” In: RICHARDSON, Alan; BOWDEN, John (ed.). The Westminster Dictionary of Christian Theology. Filadélfia: Westminster, 1983. p. 567.
  3. JEANROND, Werner G. “Theological Method.” In: MUSSER, Donald W.; PRICE, Joseph L. (ed.). A New Handbook of Christian Theology. Nashville, Tennessee: Abingdon, 1992. p. 486.
  4. LINZEY, Andrew. “Theology.” In: CLARKE, Paul Barry; LINZEY, Andrew (ed.). Dictionary of Ethics, Theology, and Society. New York: Routledge, 1996. p. 820.
  5. Ibid.
  6. Uma sugestão compatível é a da criação de um pequeno corpo de teólogos e estudiosos, uma espécie de magistério, e deixar que eles tomem todas as decisões teológicas importantes.
  7. Cf. SWINDOLL, Charles R.; ZUCK, Roy B. (ed.). Understanding Christian Theology. Nashville, Tennessee: Thomas Nelson, 2003. p. 1136.
  8. RICE, Richard. “Theology as topical bible study” In: Spectrum 29/2 (2001): 64.
  9. LINZEY, 820.
  10. Cf. PAULSEN, Jan. “Heavenly mission of hope: Christ’s mission is our mission” In: Adventist Review, 24 set. 2009, 3.
  11. Cf. GULLEY, Norman R. Systematic theology: prolegomena. Berrien Springs, Michigan: Imprensa da Universidade Andrews, 2003. p. 172-173.
  12. Ibid., 173.
  13. ADAMS, Roy. “In a Time of Confusion”. In: Adventist Review, nov. 2000. p.19.
  14. ADAMS, Roy. “Grappling with destiny”. In: Adventist Review, 25 abr. 2002. p. 24.
  15. As implicações da abordagem de Guy se tornaram mais evidentes nas páginas 144, 146. Por isso, não podemos concordar com o princípio prima scriptura, como foi sugerido por Fritz Guy, no livro Thinking Theologically: Adventist Christianity and the Interpretation of Faith (Berrien Springs, Michigan: Imprensa da Universidade Andrews, 1999. p. 137), mas defender a sola scriptura e tota scriptura.
  16. RODRÍGUEZ, Ángel. “Doing theology in the adventist church: role of the theologian” (não
  17. publicado). Fev. 2003, 7.

  18. ERICKSON, Millard J. Christian theology. 2. . Grand Rapids, Michigan: Baker, 1998. p. 24.
  19. Isso não deve ser confundido com o princípio cristológico empregado, por exemplo, por Martinho Lutero.
  20. Cf. HASEL, Frank. “Theology and the role of reason” In: Journal of the Adventist Theological Society, 4/2 (1993), p. 172-198.
  21. Cf. RODRÍGUEZ, 18.
  22. Cf. RODRÍGUEZ, 15.