A homossexualidade e a Bíblia: o que está em jogo no debate atual

A distinção sexual entre homem e mulher é fundamental para o que significa ser humano. A humanidade, em comunhão como homem e mulher, é fundamental para o que significa ser feito à imagem de Deus.

Em meio ao debate vigoroso sobre a homossexualidade e a Bíblia, alguns são inclinados a fazer os seguintes questionamentos: “De que se trata todo esse barulho? Não é apenas uma disputa sobre passagens no obscuro livro de Levítico e de como se aplicam hoje? Isso não parece ser importante. Não se trata apenas de uma questão de disputa de palavras sobre a definição de casamento? O que importa se nós chamarmos essas uniões de ‘casamento’?” Essas questões certamente exigem uma resposta. Na realidade, existem questões fundamentais bíblicas e teológicas em jogo.

O que está em jogo hermeneuticamente?

A autoridade das Escrituras e o princípio da sola Scriptura. A Reforma Protestante e o movimento adventista foram fundados sobre o princípio básico da sola Scriptura.1 “Somente pela Escritura” devem ser julgadas todas as questões de fé e prática. “‘À lei e aos mandamentos!’ Se eles não falarem conforme esta palavra, vocês jamais verão a luz!” (Isaías 8:20).2 Para os cristãos bíblicos, a Escritura é a regra final para definir o que é a verdade. É o padrão pelo qual toda doutrina e experiência devem ser testadas (veja 2 Timóteo 3:16, 17, Salmo 119:105, Provérbios 30:5, 6; Isaías 8:20, João 17:17; 2 Tessalonicenses 3:14 , Hebreus 4:12). As Escrituras fornecem o suporte, a perspectiva divina e os princípios fundamentais para todos os ramos de conhecimento e experiência. Todo conhecimento, experiência ou revelação adicionais devem se basear no todo-

suficiente fundamento das Escrituras e permanecer fiéis a ele. Todas as outras autoridades devem estar subordinadas à autoridade suprema da Palavra de Deus.

A partir dos versículos sobre o homossexualismo e do modelo edênico divino apresentado pela Escritura, evidencia-se uma consistente e clara condenação da prática homossexual. Não só há unívocas condenações da prática homossexual em toda a Bíblia, mas existem consideráveis linhas de evidência ligadas à legislação levítica que apontam para a característica universal (transcultural) e para a natureza permanente (transtemporal) das proibições contra a atividade homossexual.3 Richard Hayes afirma o seguinte: “O testemunho bíblico contra as práticas homossexuais é unívoco [...]. A Escritura não oferece brechas ou cláusulas de exceção que poderiam levar em conta a aceitação de práticas homossexuais sob algumas circunstâncias. Apesar dos esforços recentes de alguns intérpretes para explicar as evidências, a Bíblia permanece inequívoca e unívoca em sua condenação da conduta homossexual.” 4

O testemunho da Escritura sobre a homossexualidade não é um ponto obscuro e insignificante no texto bíblico, de modo que possa ser descartado como periférico em relação às preocupações primordiais da Bíblia. É algo que faz parte dos ensinamentos essenciais da Escritura. Robert Gagnon aponta que entre os ensinamentos essenciais da Escritura estão aqueles que são apoiados (1) através de toda a Escritura (pelo menos implicitamente), (2) absolutamente (sem exceções) e (3) fortemente (em questão de importância). Isto se aplica especialmente nos casos em que tais ensinamentos surgiram em oposição a tendências culturais predominantes e prevaleceram na igreja por dois milênios.

A condição que limita as relações sexuais aceitáveis a parceiros heterossexuais e a forte repulsa pela relação homossexual trata-se de um princípio bíblico.5 No debate atual, há aqueles que se inclinam fortemente à evidência científica, particularmente às descobertas das ciências sociais, argumentando que muitos homossexuais nascem com essa tendência, sendo impossível para essas pessoas mudar sua orientação sexual.

Portanto, à luz da ciência, a posição bíblica contra a prática homossexual não é mais sustentável ou relevante na sociedade moderna. Em resposta, notase que os estudos científicos, como os apresentados por Mark Yarhouse6 dão provas de que a mudança de orientação sexual é algumas vezes possível. Mesmo que a atração ou a orientação sexual não se altere, um número significativo de homossexuais abandona a prática, assumindo uma posição de castidade. Mas, mesmo que esses estudos não fossem divulgados, a mais importante questão hermenêutica permanece: qual autoridade tem a última palavra: a ciência ou a Escritura? Os adventistas do sétimo dia creem que no fim dos tempos não seremos capazes de confiar nem mesmo em nossos sentidos. Vamos ter que depender totalmente da Palavra de Deus, visto que os milagres e falsificações serão frequentes. Por isso, pergunto se verdadeiramente nós cremos na sola Scriptura? Acreditamos que somente pela Bíblia todas as outras autoridades vão ser testadas?

Outros, no debate atual, vindos de uma perspectiva pós-moderna, contam histórias pessoais sobre a própria peregrinação com a homossexualidade. Eles descrevem o medo e a frustração superados quando alcançaram a liberdade ao abraçarem sua orientação homossexual, mudando para um estilo de vida homossexual ativo. Assim, a experiência pessoal se tornaria a norma pela qual nós julgaríamos se um determinado estilo de vida é adequado ou não.

Considere Eva ao pé da árvore do conhecimento do bem e do mal no Jardim do Éden. A palavra de Deus era simples: não comer da árvore. Mas a serpente sussurrou suas insinuações de dúvida a Eva: “Será que Deus realmente disse para não comer da árvore? Deus realmente não sabe o que significa o pedido que Ele fez. Ele está tentando esconder de você algo bom. Olhe para mim, para a minha experiência: tenho comido do fruto da árvore proibida e, agora, posso falar. Imagine o que aconteceria com você, caso comesse do fruto. Você iria se tornar semelhante a Deus.” O registro bíblico declara o seguinte: “Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o” (Gênesis 3:6).

Ela confiou na evidência empírica, na experiência pessoal e no raciocínio aparentemente lógico da serpente, em vez de confiar na Palavra de Deus. Como resultado, as comportas da desgraça transbordaram sobre o mundo.

O mesmo problema está diante de nós hoje, com referência à questão da homossexualidade e a Bíblia. O que está em jogo? O princípio da sola Scriptura.

O princípio da tota Scriptura. Não basta admitir a autoridade final da Escritura. Aqueles que, como Martinho Lutero, aceitaram o princípio da sola Scriptura, mas falharam ao não aceitar a totalidade da revelação bíblica acabaram com um “cânon dentro do cânon”. Para Lutero, isso significou depreciar o livro de Tiago como “epístola de palha” e desprezar outras porções da Escritura como se estivessem apresentando o caminho da lei, contra o ensinamento do evangelho.

O próprio testemunho da Escritura é claro em 2 Timóteo 3:16, 17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” Toda a Escritura -– não só parte dela – é inspirada por Deus.

No debate atual, também há aqueles que exaltam uma parte da Escritura em detrimento do restante da revelação. Por exemplo, alguns tomam a passagem segundo a qual em Cristo “não há nem homem nem mulher” (Gálatas 3:28) como uma passagem-chave. Para outros, um princípio, tal como o amor, é a norma superior às demais. Como consequência, tornam a passagem ou o princípio um “cânon dentro do cânon”. Dessa forma, acabam descartando ou ignorando totalmente outras evidências que são relevantes para a questão. Descartando e ignorando tais evidências, o próprio conceito de amor é retirado de seu contexto bíblico, e seu significado é distorcido. Em meio ao debate, outros explicitamente deixam de lado certos dados como se fossem irrelevantes ou estivessem fora de moda em relação à discussão atual. O que está em jogo aqui? O princípio da tota Scriptura, ou seja, a totalidade da Bíblia.

A unidade e a harmonia das Escrituras. Um terceiro princípio hermenêutico fundamental que está em jogo nessa discussão é a analogia Scripturae, o que entendemos como a harmonia interna da Escritura.

Sendo que toda a Escritura é inspirada pelo mesmo Espírito, e toda ela é a Palavra de Deus, há uma unidade fundamental e harmônica entre suas diversas partes. As partes das Escrituras do Antigo Testamento são consideradas pelos escritores do Novo Testamento como harmoniosas e de igual autoridade divina. Assim, os escritores do Novo Testamento podem apoiar sua argumentação citando várias fontes do Antigo Testamento, como de igual peso e harmonia. Por exemplo, em Romanos 3:10-18 temos citações escriturísticas de Eclesiastes (ver 7:20), Salmos (ver 14:2, 3; 5:10; 140:4; 10:7; 36:2) e Isaías (ver 59:7, 8). A Escritura é considerada como um todo inseparável e coerente.

Há uma unidade subjacente entre as várias partes da Escritura: uma porção da Escritura interpreta outra, que se torna chave para a compreensão de passagens relacionadas. A Escritura é sua própria intérprete (Scriptura sui ipsius interpres). Conforme Martinho Lutero, “a Escritura é a sua própria luz”. Jesus demonstrou esse princípio no caminho de Emaús: “Começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dEle em todas as Escrituras” (Lucas 24:27). Mais tarde, naquela noite no cenáculo, Jesus salientou: “Era necessário que se cumprisse tudo o que a Meu respeito está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então lhes abriu o entendimento para que pudessem entender as Escrituras” (Lucas 24:44, 45). Paulo expressa este mesmo princípio em 1 Coríntios 2:13: “As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (ARC, itálico acrescentado). Isso não significa a moda do uso indiscriminado de encadeamento de passagens em “texto prova” sem levar em conta o contexto de cada passagem. Porém, uma vez que as Escrituras, em última análise, têm um único Autor divino, é fundamental reunir tudo o que está escrito sobre um tópico particular a fim de ser capaz de considerar todos os contornos do tema. Parte da harmonia das Escrituras é revelada pelo princípio da coerência do Livro sagrado. Jesus declarou este princípio de forma sucinta: “A Escritura não pode ser anulada” (João 10:35, ARC). Sendo que a Bíblia tem um único Autor divino, as várias partes das Escrituras são consistentes umas com as outras. Assim, a Escritura não pode ser considerada contra a Escritura. Todas as doutrinas da Bíblia constituem uma abordagem coerente entre si, e as interpretações de passagens individuais irão harmonizar-se com a totalidade do que a Escritura ensina sobre um determinado assunto.

Em contraste com este princípio da unidade, harmonia e consistência das Escrituras, alguns defensores do estilo de vida homossexual e do casamento gay alegam que várias passagens individuais da Bíblia são contraditórias em relação a princípios gerais superiores. Desse modo, essas passagens contraditórias poderiam ser anuladas. Outros afirmam que várias passagens bíblicas não são consistentes ou harmoniosas umas com as outras sobre esta questão. Portanto, teríamos que passar para os princípios gerais de amor, tolerância e igualdade para decidir esta questão. Mas mesmo aqueles que não são evangélicos têm reconhecido que, na área do comportamento homossexual, a Bíblia fala univocamente, com uma só voz, sempre condenando essa prática.

Assim, os princípios básicos da hermenêutica evangélica protestante estão em jogo: sola Scriptura, tota Scriptura, e a unidade e harmonia da Escritura que permitem à Bíblía ser sua própria intérprete. Se rejeitarmos esses princípios básicos, então ficaremos à deriva, tentando interpretar todas as outras doutrinas da Escritura que, em última análise, dependem de uma fiel aplicação desses princípios.

Por outro lado, se aceitarmos os princípios da sola Scriptura , tota Scriptura, e harmonia e unidade da Bíblia, a Escritura torna-se a palavra final para o homossexual. Então, a Escritura torna-

se o caminho para se encontrar paz e poder.

O que está em jogo doutrinariamente? Vamos agora ver algumas doutrinas bíblicas que estão em jogo neste debate sobre o comportamento homossexual.

A doutrina da criação, especialmente a doutrina da humanidade quanto à imago Dei. Em Gênesis 1:26, 27, “são alcançados o ponto alto e o objetivo para os quais se direciona toda a criatividade de Deus a partir do versículo 1”.7 Em sublime grandiosidade é retratada a criação da humanidade (hd’addm) como imagem de Deus: “Então Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a Terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou” (Gênesis 1:26, 27).

A distinção sexual entre homem e mulher é fundamental para o que significa ser humano. A humanidade, em comunhão como homem e mulher, é fundamental para o que significa ser feito à imagem de Deus.8 Karl Barth afirma: “Nós não podemos dizer homem [humanidade] sem falar do sexo masculino ou feminino e também macho e fêmea. O homem [a humanidade] existe nesta diferenciação, nesta dualidade.”9 A forma da existência humana segundo a imagem divina pressupõe que homem e mulher estejam juntos. Em Gênesis 1, “a heterossexualidade é de uma vez declarada como sendo a ordem da criação.”10

Certamente a prática homossexual ataca as próprias raízes da ordem da criação estabelecida para os seres humanos, feitos à imagem de Deus. A lógica das proibições em Levítico 18 e 20, incluindo o comportamento homossexual, repousa sobre os princípios fundamentais da ordem da criação em Gênesis 1:27-28. Nessa passagem, é apresentada a criação de toda a humanidade à imagem de Deus como “homem e mulher”, únicos e distintos do restante da criação divina. Também é dada a ordem para que sejam frutíferos, multipliquem-se e encham a Terra. “Estes princípios descrevem a ordem e estrutura da humanidade em relação a Deus e à sociedade. Tudo o que é proibido nas leis de Levítico 18 pode ser entendido como violação desses princípios.”11 As atividades proibidas em Levítico 18 e 20 são retratadas como “abominações”, visto que a prática homossexual viola a ordem divina de gênero estabelecida em Gênesis 1:27 e 2:24.12

Esta ligação com a ordem da criação está implícita no refrão de Levítico 18:22 e 20:13: “Um homem se deitar com outro homem como se deita com uma mulher” (grifo nosso).13 Tal fraseologia conecta a passagem intertextualmente tanto a Gênesis 1:27 quanto a 2:24. Em Levítico 18:22 e 20:13, a atividade homossexual é considerada como abominação, rejeitada principalmente porque trata do fato de o homem “comportar-se em relação a outro homem como se ele fosse uma mulher, tornando-o objeto de desejos sexuais masculinos. Isso é uma abominação, uma odiosa violação dos limites divinamente sancionados – neste caso, os limites de gênero estabelecidos na criação”.14 A proibição de relações homossexuais não é uma questão de status de gênero (reputação masculina ou hierarquia), como alguns afirmam, mas tem como objetivo impedir “uma distorção do próprio gênero, como foi criado e ordenado por Deus”.15 BS Childs capta esse raciocínio bíblico e assinala suas implicações para a atualidade: “A recente tentativa de alguns teólogos de encontrar uma abertura bíblica ou uma licença para a prática da homossexualidade está em flagrante desarmonia com a compreensão do Antigo Testamento sobre a relação entre macho e fêmea. A questão teológica vai muito além da citação de textos ocasionais que condenam a prática (Lev. 20:13). [...] O Antigo Testamento vê a homossexualidade como uma distorção da criação [...], estando isenta de bênção.”16

Com razão, os adventistas do sétimo dia têm defendido a doutrina da criação contra os ataques daqueles que gostariam de negar a criação literal de seis dias, descrita em Gênesis 1, e propor alguma forma de evolução teísta para a origem da Terra. Mas uma rejeição das distinções básicas estabelecidas na ordem da criação é tão devastadora quanto um ataque à doutrina da criação, talvez até mais.

Na realidade, a visão de que a orientação homossexual é congênita, portanto natural, é construída sobre uma premissa evolutiva: a saber, que estamos simplesmente vivendo o desejo que naturalmente temos como resultado da seleção natural, tempo e acaso. Assim, o argumento para a naturalidade da orientação homossexual realmente apoia a doutrina da evolução e denigre, se não rejeita implicitamente, a doutrina da Criação, como é descrita em Gênesis 1 e 2. Nesses dois capítulos, vemos que os seres humanos são criados à imagem de Deus, e a heterossexualidade é o mandato divino para a humanidade. Assim estão em jogo tanto a doutrina da criação, em geral, quanto a criação da humanidade à imagem divina, em particular.

A teologia do matrimônio e da família. Relacionada à doutrina da criação está a teologia do casamento, já que a sexualidade humana de acordo com o edênico paradigma divino encontra expressão na forma conjugal heterossexual. Gênesis 2:24 apresenta uma teologia sucinta do casamento: “Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”(ARC).17 Na introdução, o termo “portanto” [calken] indica que o relacionamento de Adão e Eva é estabelecido como padrão para todas as futuras relações sexuais humanas.18 A referência a “um varão [...] e [...] sua mulher”, literalmente um “homem e sua mulher”, indica uma relação matrimonial heterossexual de um homem e uma mulher conforme o modelo edênico de todos os tempos. Este padrão de relacionamento heterossexual estabelecido na criação permaneceu como norma ao longo do Antigo Testamento.

Apenas duas instituições chegaram a nós a partir do Jardim do Éden: o sábado e o casamento. Não é de estranhar que nos últimos dias ambas as instituições divinas, dons de Deus para a humanidade, estejam sob ataque.

O próprio Deus oficiou a solene cerimônia de troca de alianças no Éden (o primeiro casamento no jardim). O próprio Deus projetou e definiu o casamento. O que Deus tem definido, ninguém tem o direito de redefinir. Em jogo no debate sobre o casamento homossexual está a integridade da instituição do casamento de acordo com o que Deus planejou.

As doutrinas da queda e do pecado. Aqueles que sugerem que o estilo de vida homossexual é natural, podendo até mesmo ser acolhido e celebrado, não têm levado em conta a doutrina bíblica da queda. No momento da queda, a natureza de Adão e de Eva foi corrompida. Eles passaram a vivenciar egoísmo e depravação. Desde aquela época, todos nós nascemos com a depravada natureza humana. Nós naturalmente temos inclinação para o pecado. Se um homem olhar com cobiça para uma mulher que não seja sua esposa, ou para outro homem, isso pode ser considerado natural. Mas simplesmente o fato de isso ser natural não o torna correto. A Bíblia deixa claro que abrigar pensamentos lascivos é pecado. Isso também diz respeito a nossas fantasias luxuriosas ligadas à atividade sexual ilícita, seja ela de natureza heterossexual ou homossexual.19

Aqui, destaco a diferença entre a homossexualidade como uma orientação (propensão, inclinação, condição e disposição) e a prática homossexual. O Antigo Testamento condena a prática homossexual e o acolhimento de pensamentos homossexuais lascivos e tentações. A homossexualidade como uma condição é claramente um distúrbio sexual, uma distorção do ideal edênico, mas não há na Escritura a culpabilidade pela orientação homossexual, por si só, assim como não há condenação para as decadentes tendências naturais e para as tentações da luxúria heterossexual, se estas não são abrigadas nem executadas.20

Mas agora considere a prática homossexual em si: uma relação sexual com parceiros do mesmo sexo. O quanto está em jogo na questão da relação sexual entre pessoas do mesmo sexo pode ser julgado pela seriedade como isso é visto aos olhos de Deus. Gagnon defende veementemente que de acordo com a Palavra de Deus, “a prática homossexual é uma violação das normas sexuais da Escritura, até mesmo mais grave que o incesto, adultério, múltiplos casamentos e divórcio.”21 Somente a bestialidade é apresentada como ofensa sexual pior.

Gagnon primeiro apresenta a evidência de que na Bíblia há diferentes graus de gravidade quando se trata de pecado: “No Antigo Testamento, há uma classificação clara dos pecados. Por exemplo, quando se vai para Levítico 20, em que os crimes sexuais de Levítico 18 são reordenados segundo a pena, os crimes mais graves são agrupados primeiro, inclusive a relação sexual com um parceiro do mesmo sexo. É claro que variadas penalidades para pecados diferentes podem ser encontradas em todo o material legal no Antigo Testamento.”22

Jesus também categorizou as ofensas, referindo-se aos “preceitos mais importantes da lei” (Mateus 23:23) e a diferentes graus de punição para diferentes delitos (ver Lucas 12:48). A atitude de Paulo em relação ao caso de incesto em 1 Coríntios 5 também deixa claro que ele viu diferença entre os vários crimes sexuais, alguns sendo mais graves que outros.

Tendo estabelecido que a Escritura considera alguns delitos mais graves que outros, Gagnon então dá três razões principais por que a relação sexual com parceiros do mesmo sexo é um dos mais graves pecados sexuais:

  1. É a violação que mais clara e radicalmente contraria a criação dos seres humanos como “homem e mulher” (Gen 1:27) e a definição de casamento como a união entre um homem e uma mulher (Gen 2:24). Desde que Jesus deu prioridade a esses dois textos da história da criação em Gênesis, quando Ele definiu a ética sexual normativa e prescritiva para Seus discípulos, devemos dar-lhes atenção especial. Paulo também tem, claramente, os textos da criação como pano de fundo de sua acusação da prática homossexual em Romanos 1:24-27 e 1 Coríntios 6:9.
  2. Cada texto referente à prática homossexual nas Escrituras trata a questão como uma ofensa em relação à qual Deus tem grande aversão. De fato, cada texto nas Escrituras que discute sexo, seja uma narrativa, um texto da lei, provérbio, poesia, exortação moral ou metáfora, pressupõe um pré-requisito masculino-feminino. Não há exceções nas Escrituras.
  3. O pré-requisito masculino-feminino é a condição básica para a definição da maioria das outras normas sexuais. Jesus claramente fundamentou Sua visão de monogamia e indissolubilidade conjugal em Gênesis 1:27 e 2:24. Esses textos têm apenas uma coisa em comum. Para que uma união sexual seja aceitável diante de Deus, ela precisa estar de acordo com o seu primeiro pré-

requisito: deve ser o relacionamento entre um homem e uma mulher (ver Marcos 10:6-9; Mat. 19:4-6).23

Gagnon conclui que “a relação sexual de parceiros do mesmo sexo é uma grande ofensa para Deus”.24 O que está em jogo no debate sobre a homossexualidade é a doutrina bíblica do pecado. Será que estamos dispostos a considerar a prática homossexual tão a sério quanto Deus a considera?

Ao mesmo tempo, embora na estimativa de Deus a prática homossexual seja colocada perto do topo dos pecados sexuais, devemos nos lembrar de que na perspectiva de Deus tais pecados são como “orgulho do coração” (Provérbios 16:05), “lábios mentirosos” (Provérbios 12:22), “idolatria” (Deuteronômio 17:3, 4) e “balanças desonestas” (Provérbios 11:1). Eles são definidos fortemente por Deus como “abominações” (usando a mesma palavra hebraica to’eba), embora não exista nenhum mecanismo eficaz para punir tais pecados até o julgamento final. Todos nós somos pecadores necessitados da graça de Deus. E todos os pecados, mesmo aqueles mais fortemente condenados por Deus, podem ser perdoados por Ele.

A doutrina da graça. A visão bíblica da graça deve ser vista no contexto do pecado. De acordo com Paulo, “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Romanos 5:20, ARC). A menos que reconheçamos nossa pecaminosidade, não estamos preparados para apreciar a graça de Deus. Se a prática homossexual não é vista como um pecado grave, então a graça não é necessária. Somente quando a visão divina é levada a sério, identificando-se a prática homossexual como um pecado grave, torna-se possível responder adequadamente à graça divina.

Em toda a Bíblia, é clara a imagem de que Deus inequivocamente defende a criação da dualidade entre os sexos (ver Gênesis 1:26) e da norma heterossexual para o casamento (ver Gênesis 2:24). O julgamento divino se pronuncia contra aqueles que se dedicam à prática homossexual.

A maravilhosa graça de Deus se revela em Sua disposição de perdoar e prover graça capacitadora para a obediência. Tendo em vista que a graça de Deus se estende a todos os pecadores, inclusive aos homossexuais, e tendo em vista os desejos pecaminosos que se escondem nos corações de todos, a expressão de desaprovação da prática homossexual deve ser feita “no contexto de nossa própria queda sexual”.25 Todos temos de reconhecer nossa necessidade de graça e cura com relação a nossa sexualidade, inclusive o pecado de ódio do heterossexual aos homossexuais. Na discussão sobre a homossexualidade e o casamento gay está um justo reconhecimento da graça de Deus no contexto do pecado humano.

A doutrina da igreja. É dever da igreja se relacionar com a questão da prática homossexual de forma responsável, em harmonia com os princípios bíblicos. A declaração adventista do sétimo dia oficial sobre homossexualidade expressa bem essa preocupação: “Os adventistas empenham-se por seguir a instrução e o exemplo de Jesus. Ele afirmou a dignidade de todos os seres humanos e estendeu a mão compassivamente a todas as pessoas e famílias que sofriam a consequência do pecado. Desenvolveu um ministério solícito e proferiu palavras de conforto às pessoas que enfrentavam dificuldades. Mas fez distinção entre Seu amor pelos pecadores e Seus claros ensinos sobre as práticas pecaminosas.”26

Temos um longo caminho a percorrer para fornecer os cuidados necessários, psicológica e espiritualmente, àqueles que lutam com a homossexualidade. Precisamos aprender muito para seguir o exemplo do Servo messiânico: “A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega” (Isaías 42:3). Ainda estamos longe de proporcionar na igreja uma família receptiva e amorosa para aqueles homossexuais que optaram, pela graça de Deus, por seguir um estilo de vida celibatário. Devemos mostrar amor incondicional aos homossexuais e, ao mesmo tempo, auxiliar aqueles que estão ativos em seu estilo de vida a passarem da fragilidade à cura e castidade pelo poder de Deus. Está em jogo nada menos do que a doutrina da igreja e a sua missão.

O evangelho na definição das três mensagens angélicas. Para os adventistas do sétimo dia, que têm em vista a missão de proclamar as três mensagens angélicas de Apocalipse 14, a questão em jogo na homossexualidade assume uma perspectiva escatológica/apocalíptica. O primeiro anjo tem “o evangelho eterno para proclamar aos que habitam sobre a terra” (v. 6). Os adventistas têm corretamente enfatizado a referência ao juízo investigativo: “Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo” (v. 7, ARA). Temos visto corretamente a citação do mandamento do sábado na frase seguinte: “E adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (v. 7, ARA). Reconhecemos a missão da Igreja Adventista como reparadora da violação da lei de Deus (ver Isaías 58:12), especialmente no que diz respeito ao sábado do sétimo dia (Isaías 58:13, 14). Mas a chamada do terceiro anjo para a “perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus” (Apocalipse 14:12, ARA) inclui todos os mandamentos divinos, e não apenas o quarto.

Alguns têm proposto que as três mensagens angélicas englobam tanto o sábado quanto o casamento.27 Há referências à imoralidade sexual na mensagem do segundo anjo. Nesse texto é feita alusão à “imagem da besta” como falsificação da imagem de Deus em Gênesis 1. Também é feita referência ao “fogo e enxofre”, como uma alusão à destruição de Sodoma por seus pecados, particularmente a sua prática de “sodomia”. Na introdução das três mensagens angélicas, Apocalipse 14:4 descreve o povo especial de Deus como um povo casto. Em Apocalipse 19, encontramos referência às “bodas do Cordeiro”, nas quais “Sua noiva já se aprontou” (Apocalipse 19:7-8).

Apesar de as metáforas do matrimônio e da imoralidade serem aplicadas em um sentido espiritual à pureza doutrinária, a própria utilização de tal metáfora implica também a pureza sexual do povo de Deus. Em outros pontos de Apocalipse, há um especial chamado aos crentes que vivem no fim dos tempos a serem puros. Há numerosas referências à imoralidade sexual. Esta desagrada a Deus (ver Apocalipse 2:14, 20, 21; 9:21) e até mesmo desqualifica os adoradores a entrar na nova Jerusalém (ver Apocalipse 22:15).

No contexto escatológico do Apocalipse, não é de estranhar que haja ênfase na criação, no sábado, no casamento/família e que todos esses pontos venham a sofrer ataque nos últimos dias. Segundo o Apocalipse, o último remanescente vai guardar “os mandamentos de Deus” (12:17; 14:12), incluindo o quarto, o sétimo e o quinto.

Então, o que está em jogo é nada menos que o chamado a sermos fiéis aos mandamentos de Deus, à luz dos Evangelhos, e às mensagens dos três anjos. Todos nós somos chamados a sermos fiéis a Deus tanto no que diz respeito ao dia e forma de culto quanto às estruturas fundamentais do matrimônio e da família como dadas por Deus na Criação.

A cosmovisão do grande conflito e o caráter de Deus. Finalmente, o livro de Apocalipse também nos traz a questão da cosmovisão da Escritura. O Apocalipse reitera o que já estava presente no início da Sagrada Escritura, em Gênesis 1 a 3, com uma descrição do grande conflito centrado na questão do caráter de Deus. Em Gênesis 3, a serpente lança dúvidas sobre o caráter divino, e o grande conflito moral, que começou no céu com a rebelião de Lúcifer, é trazido a esta Terra. Os capítulos 1 e 2 do livro de Jó revelam que o conflito moral é também cósmico, ainda que brote da mesma questão fundamental de saber se vamos ou não confiar no caráter de Deus e em Sua Palavra. Nos últimos três capítulos do Apocalipse, temos a conclusão do grande conflito e o triunfante grito final do Universo ao mesmo tempo que o caráter de Deus é justificado em Seu trato com o pecado: “Verdadeiros e justos são os Seus juízos” (Apocalipse 19:2; cf o cântico de Moisés e do Cordeiro em 15:3: “Justos e verdadeiros são os Teus caminhos, ó Rei dos santos!”).28

O debate da homossexualidade é parte da cosmovisão do grande conflito. É sintoma de um confronto de duas cosmovisões: a Bíblia versus o humanismo. O raciocínio da comunidade ativista gay, e até mesmo de muitos que não fazem parte dessa comunidade, utiliza (conscientemente ou não) a perspectiva do humanista, a cosmovisão evolucionária. É muito fácil absorver o espírito da cultura, mesmo sem estar ciente disso, e adotar elementos de cosmovisão secular nessas questões. Nesse ponto, está em jogo a cosmovisão bíblica que de muitas formas se destaca contra a cultura moderna.

No coração do grande conflito, está a questão do caráter de Deus. Ninguém sabe disso melhor do que aqueles crentes que lutam com a atração pelo mesmo sexo. Muitas vezes, pessoas religiosas que enfrentam sua orientação homossexual ficam bravas com Deus por lhes permitir ter tal orientação e por não parecer estar disposto ou ser capaz de ajudá-los a superar essa inclinação. Quantos daqueles que estão praticando o homossexualismo foram uma vez muito religiosos, mas se afastaram da religião por causa daquilo que eles percebiam ser o caráter não confiável de Deus?

De outro lado, quantos heterossexuais difamam o caráter de Deus por sua incapacidade de amar os homossexuais? Eles distorcem o caráter divino ao tratar os homossexuais de maneira que não expressa o amor e compaixão de Deus. O caráter divino pode ser distorcido quando alguns defendem Sua justiça à custa de Sua misericórdia, ao odiarem e rejeitarem o homossexual. A distorção também pode ocorrer, por outro lado, quando alguns sustentam Sua graça à custa de Sua justiça, tolerando ou mesmo apoiando a prática homossexual.

Deus nos chama a sermos modelo de Sua justiça e misericórdia em nossa vida, bem como na igreja. Ele está à procura de um povo que vai apresentar ao mundo, em palavras e ações, uma representação viva do caráter de Deus.

Conclusão

Em última análise, o que está em jogo no debate atual sobre o comportamento homossexual e a Bíblia é mais do que abstratos princípios hermenêuticos ou doutrinas, mas a vida de pessoas reais. Considere aqueles que lutam com suas tendências homossexuais, mas descobriram o poder da graça de Deus para viver acima dessas tendências.

Para mim, o que tem estado em jogo é meu próprio coração. Eu tenho percebido que meu tratamento aos homossexuais, a quem eu ridicularizei, no ensino médio e na faculdade, foi incorreto. Tive de confessar a minha própria falta com relação a tratar os homossexuais com respeito e amor.

Eu tive de rever a dolorosa realidade de um de meus amigos mais próximos na faculdade, com quem eu gracejei sobre os homossexuais, enquanto ele lutava com suas próprias tendências homossexuais. Certa vez lhe enviei uma carta de repreensão por atividades que eu interpretei como se ele estivesse se entregando a paixões sexuais. Mas, agora, percebo que aquelas foram tentativas de projetar uma identidade heterossexual.

Meu amigo compartilhou recentemente comigo seu testemunho e seu perdão. Chorei ao saber que ele havia procurado desesperadamente ajuda para superar sua fragilidade como um adolescente, mas foi repetidamente rejeitado. Ainda pior do que isso, até mesmo aqueles em quem ele pensava que poderia confiar tiraram proveito dele. Mas também me alegrei ao ele descrever a sua recuperação, cura e bênção. Ele relatou-me como Deus o libertou da falsificada sexualidade e como voltou para o plano divino, o que não tem sido fácil, mas tem valido a pena.

O que está, em última análise, em jogo neste debate? As vidas de homens e mulheres como meu amigo. Que Deus nos ajude a ser uma comunidade de crentes que receba os homossexuais em nosso meio e que ministremos a graça de Deus e a cura em suas vidas, enquanto permitimos que esta mesma graça cure nossa própria fragilidade e insensibilidade.

Richard M. Davidson (Ph.D., Universidade Andrews) é professor de interpretação do Antigo Testamento e presidente do departamento de Antigo Testamento no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia da Universidade Andrews, em Berrien Springs, Michigan. Este artigo, um pouco resumido, é um capítulo de Homosexuality, Marriage and the Church, editado por Roy E. Gane, Nicholas P. Miller e Peter H. Swanson (Berrien Springs, Michigan: Andrews University Press, 2012). Usado com permissão.

O livro está disponível online na Amazon.com e no site da Andrews University Press (Universitypress.andrews.edu).

REFERÊNCIAS

  1. Para encontrar uma discussão e um embasamento bíblico mais aprofundados deste e de outros princípios hermenêuticos fundamentais tratados nesta primeira seção, ver Richard M. Davidson, “Biblical Interpretation” em Handbook of Seventh-day Adventist Theology, Commentary Reference Series, vol. 12, ed. Raoul Dederen (Hagerstown, Maryland: Review and Herald, 2000), 60-68.
  2. Todos os versículos das Escrituras, salvo outra indicação, são tirados da Nova Versão Internacional.
  3. Ver Davidson, “Homosexuality in the Old Testament”, em Homosexuality, Marriage and the Church, eds. Roy Gane, et al (Berrien Springs, Michigan: Andrews University Press, 2012).
  4. Richard Hayes, “The Biblical Witness Concerning Homosexuality”, em Staying the Course: Supporting the Church’s Position on Homosexuality, ed. Maxie Dunnam e H. Newton Malony (Nashville, Tennessee: Abingdon, 2003), p. 73, 78. Cf. Hayes, “Awaiting the Redemption of Our Bodies: The Witness of Scripture Concerning Homosexuality”, em Homosexuality in the Church: Both Sides of the Debate, ed. Jeffrey Siker (Louisville, Kentucky: Westminster John Knox, 1994), p. 3-17.
  5. Robert Gagnon, “The Authority of Scripture in the ‘Homosex’ Debate”, http://robgagnon.net/homoAuthorityScripture.htm. Acessado em 13 de outubro de 2009.
  6. Ver Mark Yarhouse, “The pastoral applications of a three-tier distinction between same-sex attractions, homosexual orientation, and a gay identity”, em Homosexuality, Marriage and the Church, ed. R. Gane, et al (Berrien Springs, Michigan: Andrews University Press, 2013).
  7. Gerhard von Rad, Genesis: A Commentary, OTL (Filadélfia: Westminster, 1961), p. 57.
  8. A discussão desse ponto de Karl Barth se estende por importantes partes de seu livro The Doctrine of Creation, v. 3 de Church Dogmatics, eds. G. Bromiley e T. Torrance; 5 vols, em 13 (Edinburgh: T & Clark, 1958). Veja o útil sumário de seu argumento em Paul Jewett, Man as Male and Female: A Study of Sexual Relationships from a Theological Point of View (Grand Rapids: Eerdmans, 1975), p. 33-48.
  9. Barth, vol. 3, livro 2, p. 236.
  10. Samuel Dresner, “Homosexuality and the Order of Creation.” Judaism 40 (1991): p. 309.
  11. Donald Wold, Out of Order: Homosexuality in the Bible and the Ancient Near East (Grand Rapids: Baker, 1998), p. 130. Ver Robert Gagnon, The Bible and Homosexual Practice: Texts and Hermeneutics (Nashville, Tennessee: Abingdon, 2001), p. 136: “Todas as leis em Lev. 18:6-23; 20:2-21 legislam contra as formas de comportamento sexual que perturbam a função da ordem criada pelo Deus de Israel.”
  12. Para uma elaboração mais detalhada desse princípio, ver Dresner, p. 309-321.
  13. JPS (Jewish Publication Society), (1985,1999).
  14. Gagnon, p. 135-136. Cf. David Stewart, “Ancient Sexual Laws: Text and Intertext of the Biblical Holiness Code and Hittite Laws” (Ph.D. dissertação., Universidade da Califórnia, Berkeley, 2000), p. 378, que apresenta a seguinte conclusão sobre as leis de Levítico 18: “ Todas estas possíveis violações sexuais voltam-se ao princípio, à época em que Deus colocou em função a recriação permanente da humanidade.”
  15. Gagnon, p. 142.
  16. B. Childs, Old Testament Theology in a Canonical Context (Filadélfia: Fortress, 1985), p. 194.
  17. Ver essa discussão em Davidson, Flame of Yahweh: Sexuality in the Old Testament (Peabody, Massachusetts: Hendrickson Press, 2007), p. 43-48.
  18. Ver em Robert B. Lawton, “Genesis 2:24: Trite or Tragic?” Journal of Biblica Literature 105 (1986): p. 97-98, a prova de que isto não é apenas uma inserção etiológica para explicar o comum costume jurídico. O versículo exprime “uma descrição da intenção divina mais do que um fato habitualmente observado” (p. 98). Veja também Deborah F. Sawyer, God, Gender and the Bible (London: Routledge, 2002), p. 24: “O primeiro casal fornece o conceito de cidadania normativa na teocracia proposta na primeira história da Bíblia.”
  19. Ver especialmente Jó 31:1; Provérbios 6:25; Ezequiel 23:11; Mateus 5:28; Romanos 1:27; 13:13; 1 Coríntios 10:6; Gálatas 5:16; 1 Tessalonicenses 4:5; 1 Pedro 1:4; 2:10; e 1 João 2:16-17.
  20. No ensaio referido na nota 3, faço o seguinte comentário: “Assim como há algumas pessoas que deixam de fumar e nunca mais sentem necessidade, há outras que param de fumar, mas batalham com a compulsão por toda a vida. Assim, alguns homossexuais têm uma miraculosa mudança de orientação, enquanto outros poderão ter que batalhar contra as tendências homossexuais por toda a vida. A culpa não está na tendência, mas no que se faz com ela (na imaginação ou efetiva prática).” Para os heterossexuais que insistem que os homossexuais devem mudar sua orientação para que seu status seja aceitável diante de Deus, eu simplesmente pergunto se eles podem dizer honestamente que eles nunca experimentam tentação heterossexual. Todos nós somos sofremos os efeitos da queda inclusive na sexualidade, portanto somos tentados pela lascívia de natureza heterossexual ou homossexual.
  21. Gagnon, “How Bad Is Homosexual Practice According to Scripture and Does Scripture’s Indictment Apply to Committed Homosexual Unions?” www.robgagnon.net/OnlineArticles. Acessado em janeiro de 2007, p. 12.
  22. Ibid., 13.
  23. Ibid., 15.
  24. Gagnon, “How Bad Is Homosexual Practice?”
  25. Thomas Schmidt, Straight and Narrow? Compassion and Clarity in the Homosexuality Debate (Downers Grove, Illinois: InterVarsity, 1995), p. 172.
  26. Declaração Oficial dos Adventistas do Sétimo Dia sobre o Homossexualismo, votada no Concílio Anual em 03 de Outubro de 1999 http://evidenciasprofeticas.blogspot.com/2011/
  27. Nicholas Miller, advogado e professor de História da Igreja no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia, argumenta em um artigo “Why should Adventists care about protecting traditional marriage?”
  28. Para uma discussão desta importante cosmovisão bíblica, tal como definida na introdução e conclusão da Escritura, ver Davidson: “Back to the Beginning: Genesis 1-3 and the Theological Center of Scripture”, em Christ, Salvation, and the Eschaton, ed. D. Heinz, J. Moskala e P. van Bemmelen (Berrien Springs, Michigan: Old Testament Publications, 2009), p. 5-29.