Da fazenda à mesa: Como os adventistas devem considerar o mundo sombrio das fazendas de confinamento?

Sendo que o Criador considera o bemestar dos animais como questão ética, os seres humanos devem adotar medidas que ofereçam melhor qualidade de vida aos animais em fazendas.

Assado de lentilha, hambúrguer de cogumelos e tofu mexido têm sido parte do regime alimentar básico para os adventistas do sétimo dia décadas antes de o vegetarianismo e suas vertentes se tornarem tendência aceita. Junto à missão de pregar o evangelho, a mensagem adventista de saúde tem desempenhado um papel de destaque no sistema de crenças da igreja. Mas será que uma vida saudável exige algo mais do que priorizar nossa própria saúde? Os adventistas têm a responsabilidade de considerar o impacto de suas escolhas alimentares na saúde da comunidade e do planeta, especialmente no tratamento dos animais que são usados para a produção de alimentos? Para abordar essas questões, devemos considerar em primeiro lugar o trajeto que nossa comida faz da fazenda à mesa.

Fazendas industriais

A grande maioria dos produtos de origem animal – incluindo carne, laticínios e ovos – são produzidos em fazendas industriais. Aproximadamente dez bilhões de animais abatidos anualmente no sistema de produção de alimentos dos Estados Unidos1 vivem em condições de superlotação, sem acesso ao ar livre, comendo alimentos que não são naturais para sua espécie e suportando uma variedade de mutilações sem os benefícios da anestesia.

Por exemplo, as galinhas são debicadas para não bicarem e ferirem umas às outras, uma vez que vivem aglomeradas em locais apertados, sem espaço para se movimentar ou esticar as asas. Vacas leiteiras em fazendas industriais estão confinadas em currais ou alojadas em locais lotados. Elas são regularmente fecundadas a fim de produzir leite continuamente. Manipulação genética, uma dieta artificial para bovinos e injeções de hormônio de crescimento aumentam significativamente a produtividade. Em um ambiente natural, uma vaca pode viver 16 anos ou mais, mas sob as condições de um sistema de confinamento, elas rapidamente se tornam muito exaustas e doentes, sendo que aos quatro anos são consideradas vacas “gastas” e enviadas para o abate. As porcas grávidas são mantidas em caixas de metal chamadas de celas de gestação, que são apenas um pouco maior do que a própria porca, tornando impossível que o animal caminhe ou até mesmo se vire. Ainda que os adventistas consumidores de carnes não comam a carne de porco, a situação deste animal é, contudo, digna de nossa consideração.

Animais de fazendas também são submetidos a tratamento cruel no processo de transporte para os matadouros. Suínos, bovinos e ovinos podem ser legalmente confinados sem provisão de alimentos e água por até 28 horas durante o transporte, mesmo em meio a temperaturas extremamente altas ou baixas.2 Durante esse processo, ferimentos graves e até morte são comuns. Isso é visto pela maioria das empresas como um risco que faz parte do negócio.

Abusos em matadouros foram, da mesma forma, bem documentados.3,4 A lei de métodos humanos para abate do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos exige que os animais de fazendas estejam insensíveis à dor antes de serem imobilizados e mortos. Mas essa lei é frequentemente desrespeitada, como muitas investigações sigilosas expuseram. Estudos indicam que as penalidades para o não cumprimento das leis e regulamentações para o abate de vacas, porcos e ovelhas, nos Estados Unidos, não são frequentemente aplicadas.5 Não existem leis federais que protejam galinhas, perus e outros animais, como coelhos, em qualquer fase de sua vida.6

A evolução de padrões industriais

A agricultura industrial se originou nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. Naquela época, a produção de milho cresceu muito e, consequentemente, o preço caiu. Com o acesso a tanto milho barato, a indústria da carne percebeu que poderia alimentar o gado com milho, o que seria mais barato do que a utilização do pasto. Os lucros tiveram mais importância do que o fato de o milho não ser a dieta natural ou mais saudável para o gado. A descoberta de suplementos vitamínicos para animais também desempenhou um papel importante, permitindo que os fazendeiros criassem animais em ambientes totalmente fechados. Os antibióticos e vacinas, por sua vez, permitiram que os animais fossem criados em confinamento e em grandes quantidades, ao prevenir doenças que normalmente ocorrem em tais condições. A falta de regulamentação do governo para o tratamento de animais de fazendas deu à indústria liberdade para tratar os animais dessa maneira, estabelecendo um padrão.

As galinhas foram os primeiros animais a ser criados em ambientes industriais. Na sequência, nos anos 1960, o mesmo padrão foi adotado em fazendas de vacas e porcos. Dessa forma, fazendas pequenas, diversificadas e independentes foram substituídas pelo agronegócio e por corporações nos Estados Unidos. Os agricultores familiares foram incapazes de competir com os baixos custos de produção e a grande maioria foi forçada a vender suas fazendas.7,8

A prática da agricultura industrial logo se espalhou, a partir dos Estados Unidos para o Canadá e Europa Ocidental. Países da América Latina, Caribe,9 Índia10 e China11 também estão começando a imitar os sistemas das nações industrializadas. Em 2020, a previsão é de que em países em desenvolvimento serão consumidos mais de 39 quilos de carne por pessoa ao ano – o dobro do consumo na década de 1980. A estimativa de consumo de carne em países industrializados, no entanto, é ainda maior – 99 quilos por ano até 2020.12

Mudança de postura

Grupos de defesa de animais, meios de comunicação e o avanço da investigação científica sobre a inteligência e as emoções dos animais estão aumentando a conscientização acerca das condições de fazendas industriais. Dessa forma, as condutas estão começando a mudar lentamente. Em 2011, nove estados norte-americanos estabeleceram leis para a progressiva eliminação das celas de gestação, seis estados para as baias de bezerros e dois estados para as convencionais gaiolas em bateria. Em 2012, inúmeras cadeias de fast-food e redes de supermercados, como McDonalds, Burger King, Wendy, Harris Teeter, Safeway, Costco e Sysco, comprometeram-se em exigir de seus fornecedores a eliminação das celas de gestação e de gaiolas em bateria.13

Cientistas estão chamando a atenção para essa questão com um número crescente de pesquisas publicadas, confirmando a existência de inteligência e emoções em animais, afirmando que esses seres são capazes de perceber dor da mesma forma que os seres humanos, visto que o cérebro deles não é tão diferente do nosso.14 Temple Grandin, professor de Zootecnia na Universidade Estadual do Colorado, diz que a ciência tem mostrado que animais como mamíferos e aves sentem dor de forma semelhante aos seres humanos.15 Em julho de 2012, um grupo internacional de cientistas assinou a The Cambridge Declaration of Consciousness (Declaração de Consciência de Cambridge), apoiando a noção de que os animais e os seres humanos são comparativamente conscientes.16

Instituições de ensino superior como a Universidade Estadual de Washington e a Universidade da Califórnia-Davis nos Estados Unidos estão incorporando novos currículos agrícolas para atender a essas diferentes perspectivas de produção de alimentos.17 Os consumidores estão desempenhando um papel central no desenvolvimento dessas mudanças. Um número crescente de pessoas tem exigido alimentos considerados mais saudáveis, produzidos em fazendas sustentáveis, que são ecologicamente corretas e que tratam os trabalhadores e animais de modo responsável.

Conscientização global

Os norte-americanos estão relativamente atrasados no movimento em direção a uma agricultura mais responsável e sustentável. Embora a conscientização quanto a esses problemas esteja crescendo nos Estados Unidos e no Canadá, outros países estão fazendo mudanças mais rapidamente. A Suíça, por exemplo, proibiu as gaiolas em bateria para galinhas em 1992. Foi o primeiro país no mundo a fazê-lo.18 A partir de janeiro de 2012, toda a União Europeia aprovou uma proibição similar.19 Cerca de 485 professores de diversas áreas científicas da Europa se uniram para formar um grupo de preservação do meio ambiente e da natureza, defendendo a eliminação progressiva de fazendas industriais.20 Alguns estão defendendo pequenas fazendas orgânicas como uma solução sustentável.21 Claus Leitzmann, diretor acadêmico do conselho consultivo para limites do desenvolvimento urbano do Fórum da Alemanha diz que as atuais “condições da pecuária contradizem os nossos valores éticos de um tratamento respeitoso aos seres vivos. [Essas práticas] são vergonhosas para uma sociedade civilizada”.22

Saúde humana e ambiental

Além de amenizar o tratamento cruel das fazendas de criação de animais, existem outras razões para considerar a limitação do consumo de produtos de origem animal. Os benefícios de uma dieta vegetariana para a saúde são bem conhecidos para os adventistas. Os estudos de saúde da Universidade de Loma Linda, realizados nos últimos 40 anos, têm proporcionado pesquisas baseadas em evidências e aumentado a consciência científica no que diz respeito à estreita relação entre dieta e saúde. O Estudo da Mortalidade Adventista (1960-1965) indica que homens e mulheres adventistas vivem mais (6,2 anos e 3,7 anos, respectivamente) do que não adventistas e têm menor risco de câncer, hipertensão e pressão arterial mais baixa. Os resultados do estudo indicam que os adventistas têm uma saúde melhor, em parte por causa do estilo de vida vegetariano.23 Numerosos estudos realizados por outros grupos de pesquisa científica também confirmaram que uma dieta vegetariana concede vantagens para a saúde.

A resistência aos antibióticos é outro problema. As autoridades em saúde estão alarmadas diante da emergente ineficácia de antibióticos para o tratamento de doenças em seres humanos. A responsabilidade por esse problema parece estar, em grande parte, nas fazendas industriais. Cerca de 70% de todos os antibióticos produzidos nos Estados Unidos são administrados aos animais para estimular um crescimento mais rápido e para mantê-los vivos em condições de superlotação.24 Esses antibióticos são passados aos seres humanos por meio do consumo de produtos de origem animal e de outras formas de contato entre pessoas e animais, contribuindo para um aumento da resistência aos antibióticos que são utilizados para tratar várias doenças.

Questões ambientais como o aquecimento global também são crescentes preocupações. Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, em novembro de 2006, descreve a pecuária como um dos principais responsáveis pelos problemas ambientais mais graves – degradação da terra, mudanças climáticas, poluição do ar, escassez de água, poluição da água e perda da biodiversidade – tanto em nível local quanto global.25 Em grande parte, essa situação é resultado dos resíduos de origem animal, sendo que “uma ação urgente é necessária para remediar a situação”.26 Em 2009, o Worldwatch Institute determinou que o gado e seus derivados produziram, incrivelmente, 51% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.27

Mais de um bilhão de toneladas de dejetos animais são produzidos anualmente apenas nos Estados Unidos.28 Essas enormes quantidades são despejadas em lagoas de retenção ao ar livre porque elas não podem ser recicladas com segurança e trazidas de volta para a terra. Vazamentos ocorrem muitas vezes, resultando em contaminação do solo, dos cursos de água e do ar.

Robert Kennedy Jr., promotor federal de justiça nos Estados Unidos e especialista ambiental, descreve uma boa política ambiental como idêntica à boa política econômica. “Podemos gerar fluxo de caixa instantâneo e a ilusão de uma economia próspera”, diz ele, “mas nossos filhos vão pagar pela nossa irresponsabilidade, e o pagamento será com paisagens poluídas, falta de saúde e os enormes custos de limpeza que irão se ampliar ao longo do tempo. Ficaremos com uma nação da qual não sentiremos orgulho.”29

Condições de trabalho

O risco de saúde para os trabalhadores de uma fazenda industrial é significativo. Cerca de 700 mil funcionários de tempo integral e meio período em fazendas industriais nos Estados Unidos estão continuamente expostos a gases nocivos (amônia, gás sulfídrico e metano, resultantes da degradação microbiana de urina e fezes) e partículas em suspensão (matéria fecal, matérias-primas, células da pele, e produtos da degradação microbiana de urina e fezes).30 Isso resulta em problemas respiratórios, complicações cardiovasculares, dores crônicas, lesões por esforço repetitivo e morte prematura.31

Perigos emocionais também existem. A exposição repetitiva ao sofrimento dos animais e à morte podem dessensibilizar os trabalhadores que, naturalmente, devem limitar suas preocupações sobre a dor que infligem. Estudos indicam ligações entre a matança metódica de animais no matadouro de animais com pensamentos de violência e atos violentos, algo que “pode ser comparado com a manifestação física e mental das atrocidades em crimes de guerra”.32 A ligação entre o abuso de animais e violência doméstica também foi documentada.33

Mais de um século atrás, a co-fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen G. White abordou esse assunto. Ela implorou que os crentes considerassem o efeito que a crueldade da indústria da carne tem sobre aqueles que infligem dor em animais, dizendo que “destrói a ternura com que devemos considerar as criaturas de Deus”.34

Há procedimentos modelo?

Um número crescente de agricultores está revendo os atuais padrões industriais e como estes afetam o bem-estar dos animais e a saúde humana e ambiental. Eles estão escolhendo uma posição mais ética. Will Harris é um fazendeiro que vem de várias gerações de uma família de fazendeiros. Ele possui gado, carneiros e frangos em abundância em uma fazenda orgânica na Geórgia e acredita que se os seres humanos possuem domínio sobre esses animais (Gênesis 1:25, 26), devem assumir uma administração responsável.35 Os bovinos e ovinos de sua propriedade não são criados em confinamento. Pastam livremente. Eles são alimentados apenas com pasto, no qual não são usados pesticidas nem fertilizantes químicos. Seus animais não recebem implantes de hormônios artificiais nem antibióticos subterapêuticos. Há sessenta galinheiros separados para seus frangos, os quais são mantidos em lotes relativamente pequenos para 500 aves em cada um. (As fazendas industriais tipicamente mantém 10 mil aves, criadas para o abate, permanentemente confinadas em um único galpão.) Quando os pintinhos chegam a três semanas de idade, ficam livres para entrar nos galinheiros e sair deles. A debicagem não é feita.

Harris administrou sua fazenda de acordo com os padrões de confinamento durante alguns anos, mas descobriu que o modelo de produção teria consequências negativas imprevistas para a terra e para os animais.

“Usávamos grandes quantidades de pesticidas e fertilizantes químicos. Isso realmente impulsionou a produção a curto prazo, mas causou uma dependência de pesticidas e fertilizantes químicos”, disse ele.

Em 2003, Harris voltou a utilizar, em sua fazenda, os métodos orgânicos e humanitários que foram previamente empregados pela sua família, concentrando-se novamente na saúde e no bem-

estar geral de seus animais e da terra.

Responsabilidade cristã

Para os adventistas do sétimo dia, a Bíblia é o fundamento da compreensão entre o certo e o errado. Se examinarmos cuidadosamente as Escrituras, o cuidado e a compaixão de Deus por Suas criaturas não humanas é evidente em inúmeros casos ao longo do Antigo e Novo Testamentos, incluindo o quarto mandamento (Êxodo 20:8-11). Denis Fortin, professor no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia, na Universidade Andrews, diz que Deus, em Seu mandamento para descansar e santificar o dia de sábado, lembra-Se dos animais e do meio ambiente:

“O Seu plano original incluía uma relação simbiótica entre animais e seres humanos; era para ser um relacionamento harmonioso de apoio e cuidado entre todas as partes de Sua criação. Adão e Eva receberam o domínio sobre a terra para cuidar dela, não para destruí-la. No mandamento do sábado, Deus consagrou uma cláusula de proteção aos animais. Os adventistas reconhecem que nunca foi parte do plano de Deus que os animais devessem sofrer nas mãos da humanidade ou fossem transformados em comida. Este mandamento nos lembra de que somos mordomos sobre toda a Terra, e somos responsáveis por protegê-

la.”36

A compaixão de Deus para com os animais e Sua expectativa de que os is-

raelitas cuidassem deles de modo responsável é evidente nas sociedades bíblicas: era preciso ajudar um burro quando este caísse sob uma carga pesada, mesmo que o animal pertencesse a um inimigo (Êxodo 23:4, 5; Deuteronômio 22:1-4); animais grandes não deveriam ser amordaçados durante o trabalho, de modo que pudessem comer enquanto faziam o pesado trabalho agrícola (Deuteronômio 25:4). No Novo Testamento, Jesus declarou que mesmo a mais comum das criaturas é amada (Lucas 12:6). Se nosso Criador vê o bem-estar animal como uma questão ética, não deveriam os seres humanos, como mordomos de Deus, buscar padrões industriais alternativos que ofereçam uma melhor qualidade de vida aos animais de fazenda?

Ellen White expressou sensibilidade quanto à questão da crueldade com os animais. Ela escreveu que os animais amam, temem, sofrem, mostram simpatia e sentem ternura para com seus companheiros animais em sofrimento. Muitas vezes, apresentam mais carinho pelas pessoas do que é demonstrado por alguns da raça humana.37

Andrew Linzey, diretor do Oxford Centre for Animal Ethics e membro do corpo docente de professores de teologia na Universidade de Oxford, afirma que Deus espera que os seres humanos cuidem de Sua criação, porque “a imagem divina apenas justifica o manejo mais cuidadoso e a administração consciente da criação, especialmente dos animais”. Para ele, esse é um conceito que, atualmente, está ganhando cada vez mais aceitação entre os estudiosos em teologia e em organizações religiosas.38 Em junho de 2011, por exemplo, a Assembleia Geral da Associação das Congregações Unitárias Universalistas aprovou uma declaração de consciência intitulada “Alimentando-se Eticamente: Alimentos e Justiça Ambiental”. O documento afirma o seguinte: “Nós reconhecemos que para nos alimentarmos com ética devemos estar conscientes do milagre da vida que compartilhamos com todos os seres. Com gratidão pelo alimento que recebemos, esforçamo-nos para escolher os alimentos que minimizem danos, com uma atitude de proteção em relação ao meio ambiente, consumidores, agricultores e todos aqueles envolvidos na produção e distribuição de alimentos.”39

A fome mundial e a desnutrição adicionam outro importante componente moral para as nossas escolhas alimentares. Cerca de 2.500 galões de água40 e de cinco a oito quilos de grãos41 são necessários para produzir meio quilo de carne bovina. Essas estatísticas indicam que quanto mais carne as pessoas consumirem, haverá menos alimento, no geral, e menos água pura estará disponível.

Em direção a uma solução melhor

A utilização de métodos agrícolas adequados e a alimentação de uma crescente população mundial são desafios complexos e obviamente não há soluções fáceis. Os altos custos para a saúde humana, o meio ambiente e o bem-estar de animais, resultantes dos padrões atuais da indústria de confinamento, no entanto, obrigam-nos a buscar uma solução melhor.

Infelizmente, muitas pessoas parecem estar desinteressadas em relação à jornada dos animais da fazenda à mesa. Raramente pensam para além do supermercado. Talvez isso ocorra porque o processo é muitas vezes invisível para os consumidores, tornando-se mais difícil o entendimento da realidade do sofrimento dos animais. Outros não compreendem a perspectiva de cuidar do planeta integralmente, o que afeta a saúde humana e ambiental.

Entretanto, como seres humanos, e em especial como cristãos, temos um mandato bíblico e ético para cuidar de todas as criaturas de Deus e do ambiente em que vivemos. A dieta original do Éden será restaurada na terra renovada (Isaías 11:9), mas, mesmo agora, podemos cuidar de forma responsável do mundo que compartilhamos com o resto da criação.

Maneiras de efetuar uma mudança

1. Considere reduzir ou eliminar a carne de sua dieta e, se possível, o consumo de produtos lácteos e ovos.

2. Seja um consumidor consciente e compre produtos de origem animal de empresas que utilizam as práticas agrícolas mais humanas e que são conscientes em relação ao meio ambiente (por exemplo, lendo os rótulos dos produtos, entrando em contato com vendedores, fazendo pesquisas na Internet). Compre produtos de origem animal de pequenas fazendas familiares locais que adotam normas mais humanas, familiarizando-se com os programas de certificação para padrões humanitários.

3. Sensibilização. Compartilhe com os demais o que você aprendeu sobre a origem dos alimentos por meio de pesquisas e conversas com especialistas na área. Faça sugestões sobre as melhores opções que você, pessoalmente, descobriu em sua comunidade. Converse com seu gerente do supermercado local sobre a possibilidade de oferecer produtos de origem animal criados em padrões mais humanos.

4. Entre em contato com líderes políticos para buscar o apoio deles a leis que ajudem a melhorar o tratamento dos animais e para promover mais cuidados com o meio ambiente.

Sandra A. Blackmer é editora de recursos da Revista Adventista e editora assistente da revista Adventist World. Ela recebeu prêmios e reconhecimentos da Associated Church Press, e foi indicada para o Prêmio Gênesis pela Outstanding Written Word, na categoria William Wilberforce pela sua entrevista com Sigve K. Tonstad da Universidade de Loma Linda em “What Are We Really Doing to God’s Creatures?” (Revista Adventista, 18 de março de 2010). Essa premiação reconhece a excelência jornalística em assuntos de proteção animal em publicações baseadas na fé. E-mail: blackmers@gc.adventist.org

REFERÊNCIAS

  1. USDA, “National Agriculture Statistics Service”, 2010. Disponível em: <www.nass.usda.gov> Acessado em 7 de julho de 2011.
  2. Animal Legal and Historical Center, “Transportation of Animals”, 2011. Disponível em: <http://www.animallaw.info/statutes/stusfd49usc80502.htm> Acessado em 15 de janeiro de 2012.
  3. J. Warrick, “Modern meat: a brutal harvest”, The Washington Post, 10 de abril de 2001.
  4. L. Orlowski, “Ecofeminism: systemic change for the violent and addictive power of our meat-centered culture”, Maryland Institute College of Art Gender Studies Minor, 2009, 11.
  5. Animal Welfare Institute, “Humane slaughter update: humane slaughter laws, enforcement up, but still insufficient”, 10 de abril de 2010. Disponível em: <http://www.awionline.org/awi-quarterly/2010-fall/humane-slaughter-laws-enforcement-still-insufficient> Acessado em 15 de junho de 2011.
  6. Idem.
  7. In Defense of Animals, “Factory Farm Facts”. Disponível em: <www.idausa.org/facts/factoryfarmfacts.html> Acessado em 3 de dezembro de 2012.
  8. Independent Lens, King Corn, “Corn Fed: Cows and Corn”, (Abril, 2008). Disponível em: <www.pbs.org/independentlens/kingcorn/cows.html> Acessado em 3 de dezembro de 2012.
  9. T. Raney, et al (2009), “The state of food and agriculture.” Disponível em: <http://www.fao.org/docrep/012/i0680e/i0680e.pdf> Acessado em 17 de janeiro de 2012.
  10. M. MacDonald e S. Lyer (2011), “Veg or non-veg? India at the crossroads”. Disponível em: <http://www.brightergreen.org/files/india_bg_pp_2011.pdf> Acessado em 15 de janeiro de 2012.
  11. M. MacDonald e S. Lyer (2009), “Skillful means: the challenge of China’s encounter with factory farms”. Disponível em: <http://brightergreen.org/files/brightergreen_china_print.pdf> Acessado em 15 de janeiro de 2012.
  12. Worldwatch Institute (2007), “From farm to factory — and back”. Disponível em: <http://www.worldwatch.org/node/813> Acessado em 17 de agosto de 2011.
  13. P. Shapiro (2011). Shapiro compartilhou essa informação durante uma entrevista que eu tive com ele em 28 de julho de 2011, e uma retomada da conversa em 2012.
  14. K. Houpt, professor de comportamento animal, College of Veterinary Medicine, a Universidade Cornell, por exemplo, compartilhou tais resultados da pesquisa com a autora Amy Hatkoff quando Hatkoff estava escrevendo seu livro The Inner World of Farm Animals (New York: Stewart, Tabori e Chang, 2009), 85. Hatkoff confirmou isso em um e-mail, em 21 de setembro de 2011. Numerosos estudos científicos adicionais também têm sido publicados sobre esse tópico.
  15. M. Temple Grandin, “Animals Are Not Things: A View on Animal Welfare Based on Neurological Complexity”. Disponível em: <www.grandin.com/welfare/animals.are.not.things.html>.
  16. P. Low, “The Cambridge Declaration on Consciousness”, 7 de julho de 2012. Disponível em: <http://fcmconference.org/img/CambridgeDeclarationOnConsciousness.pdf> Acessado em 1 de outubro de 2012.
  17. S. Dininny, “College Organic, Sustainability Program Growing”. Associated Press, 15 de agosto de 2011. Disponível em: <http://abcnews.go.com/US/wireStory?id=14305000> Acessado em 18 de janeiro de 2012.
  18. Swiss Farming, “Chicken husbandry”. Disponível em: <http://www.landwirtschaft.ch/de/wissen/tiere/gefluegelhaltung/haltung/> Acessado em 23 de janeiro de 2012. (traduzido).
  19. Idem.
  20. Idem.
  21. Idem.
  22. Idem.
  23. Loma Linda University School of Public Health, “Adventist Health Studies,” 2012. Disponível em: <www.llu.edu/public-health/health/about.page>. Acessado em 11 de dezembro de 2012.
  24. A. Elles (2011), Food and Agriculture, “Prescription for trouble: using antibiotics to fatten livestock,” Union of Concerned Scientists. Disponível em: <www.ucsusa.org/food_and_agriculture/science_and_impacts/impacts_industrial_agriculture/prescription-for-trouble.html>. Acessado em 15 de janeiro de 2012.
  25. United Nations Food and Agriculture Organization (2006), “Livestock’s Long Shadow: Environment Issues and Options”. Disponível em: <www.fao.org/docrep/010/a0701e/a0701e00.htm>. Acessado em 11 de dezembro de 2012.
  26. Food and Agriculture Organization of the United Nations, “Livestock a Major Threat to Environment”, nov. 2006, Disponível em: <www.fao.org/newsroom/en/news/2006/1000448/index.html>. Acessado em 11 de dezembro de 2012.
  27. R. Goodland e J. Anhang, World Watch Institute, “Livestock and Climate Change” (2009). Disponível em: <www.worldwatch.org/files/pdf/Livestock%20and%20Climate%20Change.pdf>. Acessado em 11 de dezembro de 2012.
  28. Pew Commission on Industrial Farm Animal Production (2011), “Environment”. Disponível em: <www.ncifap.org/issues/environment> Acessado em 2 de outubro de 2011.
  29. R. Kennedy Jr. (2011) do painel de discussão realizado no U.S. Capitol Visitor Center em 9 de Março de 2011. Kennedy é um advogado Americano e especialista em questões ambientais.
  30. Iowa State University (1992). “Livestock confinement dusts and gases”. Disponível em: <http://nasdonline.org/static_content/documents/1627/d001501.pdf > Acessado em 7 de julho de 2011.
  31. Iowa State University (1992). “Livestock confinement dusts and gases”. Disponível em: <http://nasdonline.org/static_content/documents/1627/d001501.pdf> Acessado em 7 de julho de 2011.
  32. L. Orlowski, (2009). Ecofeminism: systemic change for the violent and addictive power of our meat-centered culture, Maryland Institute College of Art Gender Studies Minor, p. 12.
  33. L. Orlowski, (2009). Ecofeminism: systemic change for the violent and addictive power of our meat-centered culture, Maryland Institute College of Art Gender Studies Minor, p. 12.
  34. E. White, A Ciência do Bom Viver (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997), 315, 316; e White, Patriarcas e Profetas (Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, 2003), 441-443.
  35. Informações sobre White Oaks Pastures e o dono Will Harris estão baseadas em uma entrevista com ele realizada por mim no local em Julho de 2011. Para mais informações sobre essa atividade , acesse www.whiteoakpastures.com.
  36. D. Fortin, professor de Teologia no Seventh-day Adventist Theological Seminary, Universidade Andrews, em uma apresentação no Concílio Annual da Conferência Geral, 08 de Outubro de 2010, realizada na sede da igreja mundial em Silver Spring, Maryland.
  37. E.White, Ciência do Bom Viver (Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, 1997), 315, 316. Ver também White, Patriarcas e Profetas (Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, 2003), 441-443.
  38. Ibid., 29.
  39. Unitarian Universalist Association, Ethical Eating Advisory Committee, “Ethical Eating: Statement of Conscience”, junho de 2011. Disponível em: <http://ethicaleating.uua.org/statement-of-conscience> Acessado em 1 de outubro de 2011.
  40. Sierra Club, “Choosing for nature, three times a day: the true cost of food”. Disponível em: <www.sierraclub.org/sustainable_consumption/toolkit/choosing.pdf> Acessado em 17 de janeiro de 2012.
  41. Sierra Club, “Choosing for nature, three times a day: the true cost of food”. Disponível em: <www.sierraclub.org/sustainable_consumption/toolkit/choosing.pdf> Acessado em 17 de janeiro de 2012.