O que os adventistas têm a dizer sobre gestão ambiental?

Os adventistas do sétimo dia reconhecem e apóiam a convocação bíblica para o cuidado ambiental. Eles se envolvem com o cuidado da criação de várias maneiras de modo individual e corporativo. A Igreja Adventista pode fazer mais para promover o cuidado da criação? A resposta é “sim”, e o tempo de fazê-lo é agora.

Os adventistas do sétimo dia baseiam suas crenças na Bíblia, a Palavra inspirada de Deus. Como tal, sua compreensão da gestão ambiental está enraizada em uma cosmovisão bíblica. Este artigo resume, em uma série de declarações, o que os adventistas têm a dizer ao mundo sobre gestão ambiental ao serem guiados pela compreensão bíblica aliada ao conhecimento científico atual.1

O mundo foi criado, e tem valor para o Criador

Porque a Bíblia revela Deus como o designer e Criador do Universo, incluindo a vida e os sistemas de suporte à vida em nosso planeta, os adventistas acreditam que o mundo é resultado da criação divina, não um acidente (Gênesis 2:2, 3).2 Deus considerou repetidamente “bons” Seus atos criativos antes que os humanos fossem criados. Isso incluía tanto os componentes vivos quanto os não vivos da criação (Gênesis 1:4, 10, 12, 18, 21, 25, 31), revelando que Deus cuida de todos os aspectos de Sua criação, não apenas dos seres humanos. Além disso, Deus concedeu Suas bênçãos a todas as criaturas vivas, abençoando primeiramente as criaturas não humanas no quinto dia da criação (Gênesis 1:22), depois os seres humanos no sexto dia (Gênesis 1:28). Deus também abençoou o sétimo dia como o sábado – um perpétuo lembrete de que Deus é o Criador e Ele se importa com toda a Sua criação.3

O amor de Deus e a preocupação pela criação são expressos repetidamente em toda a Bíblia, incluindo Jó (40, 41), Jonas (4:10, 11), Salmos (36, 96, 104, 145, 147, 148) e as palavras de Jesus (Mateus 6:26, 10:29, Lucas 12:6). Quando ameaçadas pela maldade humana, muitas criaturas vivas foram miraculosamente preservadas por Deus durante o Dilúvio (Gênesis 6). Por intermédio de vários profetas, Deus advertiu sobre as consequências ambientais do pecado (Isaías 24:5, 6;

Oséias 4:1-3). Porque Deus amou o mundo, Ele enviou Seu Filho para resgatá-lo (João 3:16), prometendo restabelecer a criação original e não apenas os seres humanos (Isaías 11:6-9, Ezequiel 36:33-35, Romanos 8:19 -23).

A criação não é sagrada nem má, mas um meio para alcançar os objetivos do Criador

Filosofias associadas com o gnosticismo antigo identificaram o locus do mal na matéria. As linhas de pensamento associadas com o panteísmo das religiões orientais identificaram objetos animados e inanimados como veículos do divino e, portanto, o bom e o sagrado. Em contraste, a posição bíblica é de que ambos os aspectos animados e inanimados da criação não são nem sagrados nem maus. Em vez disso, a Bíblia corajosamente declara que a Terra e tudo o que nela há não são iguais a Deus, mas pertencem a Deus, que é o governante de Sua criação (Salmos 24:1, 1 Coríntios 10:26). Os parâmetros da sintonia fina do Universo e os ciclos biogeoquímicos engenhosamente concebidos de nosso planeta resultam em uma homeostase biogeoquímica que perpetuamente sustenta a vida, revelando a intenção divina de que a Terra é “para ser habitada” (Isaías 45:18)4. Assim, a criação não é sagrada nem má, em vez disso, é um meio para atingir os objetivos do Criador, que trouxe à existência um planeta repleto de criaturas vivas e uma raça de seres inteligentes, feitos à imagem de Deus para que gerenciassem o planeta (Gênesis 1:26).

O sábado é um memorial da criação e um lembrete perpétuo de nossa obrigação moral de cuidar dela

Os adventistas estão empenhados em manter o quarto mandamento: lembrar o sétimo dia, o sábado, para o santificar e abster-se do trabalho (Êxodo 20:8-11).5 As bênçãos do sábado são estendidas a toda a criação, e não apenas aos seres humanos, porque o sábado representa um lembrete da provisão de Deus para as necessidades de todas as criaturas, incluindo o descanso do trabalho para os animais de carga (Êxodo 23:12). Libertados da labuta diária no sábado, os adventistas costumam passar pelo menos parte do dia em contato com a natureza e aprendendo sobre a criação de Deus, alimentando, assim, uma relação íntima com o Criador e com outros seres criados. Ao reforçar a relação entre o Criador e a criação, a comemoração do sábado semanal nos lembra de que nossa vida depende de sistemas de suporte da vida do planeta. Por isso, devemos adotar uma abordagem holística em nossa relação com a criação.

Somos uma parte da criação, mas intencionalmente separados pelo Criador para gerenciarmos a criação de modo responsável

Pouco tempo depois da criação dos seres humanos, Deus lhes concedeu “domínio” e colocou-os para “governar” sobre todas as coisas vivas e “dominar” a Terra (Gênesis 1:26, 28). A permissão para “governar” e “dominar” sobre todas as coisas vivas foi dada anteriormente ao pecado entrar no planeta (Gênesis 3), antes que peles fossem necessárias para o vestuário (Gênesis 3:21) e muito antes que os seres humanos fossem autorizados a matar animais para se alimentar (Gênesis 9:03). O “domínio” é claramente um mandato para uma administração responsável da Terra, em vez de uma licença para pilhar os recursos do planeta.

Depois de ser colocado no Jardim do Éden, Adão recebeu a ordem de cuidar do jardim e cultivá-lo (Gênesis 2:15). Mais tarde, Deus ordenou a Seu povo que cuidasse da Terra (Êxodo 23:10,11; Levítico 25:2-7, 23, 24), além de tratar bem os animais (Êxodo 23:5, 12; Números 22:23-33 , Deuteronômio 25:4, Mateus 12:11). Esses textos revelam claramente o desejo de Deus para nós em relação a como devemos gerenciar a criação. Deus não apenas nos dotou com a inteligência e a capacidade de estudarmos e utilizarmos a criação para tornarmos nossa vida mais confortável, Ele também nos deu a liberdade de fazermos escolhas, mesmo que nossas escolhas, em última análise, prejudiquem a criação.

O ponto de vista bíblico da mordomia engloba tempo, dinheiro, posses, saúde e oportunidades, bem como recursos naturais.6 No entanto, a Bíblia diz claramente que nem um desses recursos é propriamente nosso. Na realidade, o mundo e tudo o que nele há pertencem a Deus (Levítico 25:23, Salmo 24:1, 1 Coríntios 6:15-20, 10:26). Por causa da ganância humana, Deus proibiu especificamente aos governantes a acumulação de cavalos, prata e ouro (Deuteronômio 17:16,17). Em vez disso, Deus associou o domínio real com a benevolência para com os mais fracos e necessitados (Salmo 72:8-14). Jesus, o Criador (João 1:1-3), foi enviado ao mundo para ensinar, curar e nos redimir. Ele demonstrou como devemos interagir com outros seres humanos e co-habitantes do planeta.

O Criador valoriza todas as formas de vida e ternamente supre suas necessidades, esperando que nós sigamos Seu exemplo na maneira de ver e tratar as outras espécies

Deus supre as necessidades de todas as criaturas, não apenas as dos seres humanos ou das espécies que oferecem benefícios diretos para os seres humanos (Jó 38:19-41, Salmos 36:6, 104:27, 28, 147:9; Jonas 4:11, Mateus 6:26). Deus nos lembrou repetidamente de nossa obrigação moral de tratar bem os animais, proporcionando-lhes descanso e alimento suficiente (Êxodo 23:5, 12; Deuteronômio 25:4), resgatando-os do mal (Mateus12:11) e nunca os torturando (Números 22:23-33). Embora alguns animais devam ser sacrificados para sustentar a vida humana, qualquer uso que cause dor, sofrimento e morte de animais para o benefício dos seres humanos ou de outros animais deve ser moralmente justificado. Porque Deus cuida de toda a Sua criação, devemos reconhecer que a criação não humana tem valor moral. No entanto, como exemplificado pelo Dilúvio e por outros epsódios relatados nas Escrituras, Deus considera a vida animada mais importante do que objetos inanimados, e a vida humana mais importante do que a vida não humana.

A vida é um dom de Deus. Portanto, devemos respeitá-la. Somos moralmente obrigados a protegê-la e a preservá-la. Portanto, nunca devemos matar ou ferir qualquer animal por mero esporte ou lazer. Devemos sempre nos esforçar para alimentá-los e nunca maltratar qualquer animal sob nossos cuidados. Opomo-nos a um tratamento desumano a todos os animais na indústria da pecuária, em experimentos biomédicos e outras pesquisas, e na indústria pet. Os cristãos que têm fácil acesso a uma dieta baseada em vegetais, que era o plano original de Deus, devem abster-

se de comer animais ou pelo menos consumir menos produtos de origem animal. Uma dieta vegetariana impacta o meio ambiente muito menos do que uma dieta baseada em carne.7 No entanto, algumas populações humanas não têm escolha a não ser consumir carne. Embora a manipulação genética possa nos ajudar a responder às necessidades dos doentes e famintos de maneira mais eficaz (Mateus 25:34-36), um estudo aprofundado deve ser efetuado antes da aprovação de qualquer prática para assegurar que os benefícios superam fortemente qualquer problema de saúde ou efeito ambiental potencialmente adverso.

A noção de vida integral engloba não apenas o corpo, a mente e o espírito, mas também o meio ambiente; assim, os ecossistemas saudáveis são essenciais para sustentar a vida humana

Porque o nosso corpo é o templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19, 20), os adventistas acreditam que devemos cuidar dele de modo inteligente.8 Esse ponto de vista, combinado com os esforços para aliviar o sofrimento, tem motivado os adventistas a adotar uma ênfase distintiva em relação à saúde humana conforme o ministério de cura de Jesus.

O conceito de vida integral abrange o cuidado diligente das necessidades emocionais, físicas e espirituais. Mas essas necessidades estão profunda e irremediavelmente entrelaçadas com os ambientes em que vivemos. Ambientes saudáveis proporcionam recursos naturais e processos que sustentam a vida humana. Coletivamente, esses produtos são conhecidos como serviços ecossistêmicos. Ambientes insalubres fornecem serviços ecossistêmicos diminuídos e podem promover doença e enfermidade.

A maioria de nós admite como certo os abundantes serviços ecossistêmicos do qual dependemos diariamente. Esses serviços incluem, entre outros, o fornecimento de comida e água; a polinização de plantas nativas e agrícolas; a ciclagem de nutrientes; a moderação de condições metereológicas extremas, incluindo a redução das inundações e da seca, a proteção contra a erosão; o controle de pragas de plantas e organismos causadores de doenças humanas; a decomposição e a perda da toxidade de resíduos; a purificação do ar e da água, e manutenção da biodiversidade. Esses serviços, que nos foram dados gratuitamente, foram globalmente avaliados em US$ 33 trilhões por ano, o que reflete seu insubstituível valor.9 Sem esses serviços, os quais estamos degradando rapidamente sem poder substituí-los com facilidade, nossa qualidade de vida seria radicalmente diminuída.

O estado atual da criação é desonroso e vai contra a vontade do Criador

Logo após a queda de Adão e Eva, as consequências do pecado arruinaram cada vez mais a criação. A mudança tornou-se evidente em todos os níveis, tendo a morte um lugar de destaque nos ciclos que regem o círculo da vida. Quando comparamos a condição atual do mundo natural com as descrições do Éden antes de ter sido amaldiçoado (Gênesis 1:30) e após a sua restauração (Isaías 11:6-9), não podemos ter dúvidas de que o estado atual da criação é desonroso. Nas palavras de Paulo, “toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto” (Romanos 8:22).

Por meio do Dilúvio, Deus agiu com o objetivo de limpar o mundo. Isso foi necessário, em parte, porque “a Terra estava corrompida aos olhos de Deus” (Gênesis 6:11). Pelo menos em parte, essa corrupção se deu pela presença da humanidade, “porque a Terra encheu-se de violência por causa deles” (Gênesis 6:13). Deus destinou a arca para perpetuar Suas formas de vida criadas. Depois da saída da arca, quando as águas baixaram, Ele prometeu: “Nunca mais almaldiçoarei a Terra por causa do homem [...]. E nunca mais destruirei todos os seres vivos” (Gênesis 8:21). Claramente, Deus lamenta a corrupção do ser humano na Terra.

Hoje, muitos cientistas acreditam que estamos sendo confrontados com um dos maiores eventos de todos os tempos: a extinção do planeta, resultado de um colapso ecológico e da crise da biodiversidade, em grande parte desencadeada pelas nossas próprias decisões. Alguns indivíduos, incluindo cristãos, descartam a urgência dessa preocupação. No entanto, há evidências avassaladoras de que os seres humanos têm, de fato, contribuído grandemente para o ritmo acelerado da extinção de espécies provocada pela degradação de habitats, introdução de espécies não nativas (exóticas), poluição excessiva, superexploração e propagação de doenças.

A gestão responsável da criação envolve compromissos que exigem o nosso melhor discernimento

A irresponsável ação dos seres humanos no planeta Terra tem alterado substancialmente muito da criação de Deus. Ele proveu os imensos recursos do planeta para o nosso benefício, com a intenção de que eles enriquecessem nossa vida e nos ajudassem a atender as nossas necessidades. Ele também espera que compartilhemos esses recursos de forma amigável entre nós e com outras espécies criadas. Mas há um conflito em dois níveis sobre como melhor utilizar esses recursos naturais: entre as decisões tomadas pelo indivíduo e as decisões tomadas pelos governos locais ou nacionais. Inevitavelmente, as decisões que tomamos refletem compro-

missos que exigem nosso melhor discernimento. O grau de utilização dos recursos que temos hoje pode resultar em profundas consequências econômicas e impactar a qualidade de vida, em prejuízo de criaturas não humanas de nosso planeta. Atualmente, o uso de recursos também pode afetar a disponibilidade desses recursos para as futuras gerações dos seres humanos.

Nossos valores e atitudes influenciam grandemente a maneira como gerenciamos escolhas mutuamente excludentes. Isso exige nossos melhores esforços na identificação e observação dos princípios bíblicos. Em lados opostos de uma sequência contínua estão aqueles que apóiam totalmente a agenda ambiental e aqueles que zombam dela, com inúmeros posicionamentos entre esses dois lados. Os indivíduos que se identificam como conservadores do ponto de vista político, social e econômico – incluindo muitas pessoas religiosas – são mais propensos do que os outros a descartar a responsabilidade pessoal para com o meio ambiente e a apresentar resistência às políticas governamentais destinadas a proteger o planeta. Na verdade, esse grupo também demonstra menos preocupação com a degradação ambiental do que o público em geral.10

Embora o posicionamento oficial permaneça indefinido entre os adventistas do sétimo dia, certamente existem diversos pontos de vista em relação ao meio ambiente. Em três declarações oficiais, a Igreja reconheceu que há uma crise ecológica11 e que ela está “enraizada na ganância e na recusa a se praticar a boa e fiel mordomia dentro dos limites divinos da criação da humanidade”.12 Mas a orientação da Igreja para aqui. No geral, somos deixados a responder às nossas perguntas sobre o uso pessoal dos recursos e a agir diante da imposição de regulamentos governamentais que restrinjam o uso dos recursos. As respostas não são fáceis, mas como pessoas de fé, os adventistas procuram identificar e seguir os princípios bíblicos.

A partir das Escrituras, podemos identificar três grandes princípios orientadores para tomada de decisão.13 Em primeiro lugar, Deus valoriza todos os aspectos de Sua criação, tendo declarado repetidamente que Sua criação era “boa” (Gênesis 1:10, 12, 21, 25, 31). Em segundo lugar, Deus espera que sejamos bons mordomos da criação, como Ele autorizou na primeira “Lei de Proteção Ambiental” (Gênesis 1:28) e no primeiro “Ato a favor das Espécies Ameaçadas” (Gênesis 6:19), fato evidenciado na advertência àqueles que exploram e trazem prejuízos para Sua criação (Apocalipse 7:3; 11:18). Em terceiro lugar, Deus espera que utilizemos os recursos de forma que sejam sustentáveis, tendo afirmado que “o homem bom deixa herança para os filhos de seus filhos” (Provérbios 13:22). Em suma, os adventistas incentivam a todos a viver um estilo de vida simples, saudável, mostrando respeito pela criação e exercendo moderação no uso dos recursos do mundo.14

Esses princípios podem orientar nossas decisões quando se trata de muitas atividades que impactam o meio ambiente. Podemos procurar ser responsáveis em diversas questões relacionadas ao planejamento urbano e a construções civis; formas de produção, empacotamento e distribuição de alimentos; procedência dos produtos que adquirimos e manejo de resíduos que geramos; escolhas de viagens e entretenimentos; educação ambiental dos mais jovens e decisões relacionadas a como nós nos importamos com nossa saúde. Essas questões evidenciam também a maneira como nos envolvemos na política sobre preservação ambiental. Esforços individuais não podem resolver todos os desafios enfrentados por nosso meio ambiente. O processo político é o meio pelo qual as sociedades democráticas tomam as decisões. Para abraçar a sustentabilidade, talvez necessitemos apoiar políticas que poderiam limitar o uso de recursos naturais e ter repercussões econômicas impopulares. Ficar sentado de braços cruzados, sem fazer nada para impedir o dano acelerado dos ecossistemas, não é uma opção aceitável.

A boa mordomia da criação engloba educação, pesquisa de conservação e gestão dos recursos naturais do meio ambiente, que incluem tanto a ação individual quanto a regulamentação governamental responsável.

A educação ambiental geralmente começa em casa e na igreja local, onde a natureza, considerada o “segundo livro” divino, tem sido tradicionalmente respeitada. O reforço continua na escola primária e secundária, especialmente para aqueles que participam de atividades destinadas aos jovens e acampamentos de verão, onde a comunhão com a natureza bem como o estudo da mesma são incentivados. Em nossa infância, apreciávamos piqueniques frequentes ao ar livre, caminhadas pela natureza, e visitas a centros de natureza, zoológicos e museus, especialmente aos sábados à tarde. Nós também gostávamos de acampar regularmente. O nosso crescente fascínio pela natureza, incentivado por nossos pais, aprofundou nosso respeito pela criação e nos protegeu durante nossos anos de formação de influências negativas.

O ensino superior adventista oferece novas oportunidades para tornar-nos mais bem informados sobre as questões ambientais, embora a extensão dessa educação dependa em grande parte do foco de estudo da pessoa, das matérias escolhidas e das atividades extracurriculares. Muitas universidades adventistas patrocinam programas de pesquisa sobre conservação. Esses programas abrangem uma ampla gama de projetos, incluindo o estudo de espécies ameaçadas de extinção, a implementação de ações de conservação e as possíveis maneiras de educar o público sobre questões ambientais.

Para o cristão, a educação ambiental deve incluir as seguintes perspectivas: evidências científicas e fé inteligente. A relação entre a atividade humana e as consequências ambientais deveria ser fundamentada em ciência sólida, de preferência livre de distorções culturais. A sensibilidade sobre as questões ambientais deveria ser reforçada com o chamado para liderança exposto pela Escritura. Por causa da última perspectiva, os cristãos, inclusive os adventistas, devem se tornar ambientalistas exemplares.

Não podemos culpar a “sociedade” pelos problemas ambientais, pois os problemas são causados por indivíduos. Assim, a resolução de problemas ambientais deve começar com o indivíduo, mas pode ser reforçada com o apoio organizacional e até mesmo governamental. Tendo em vista a natureza global do comércio na atualidade e da economia em expansão, os esforços pessoais podem ter um alcance surpreendente. Um lema de grande utilidade seria “pensar globalmente, agir localmente”.

Embora nos esforcemos para desfazer o mal que causamos ao planeta, a total restauração será completa apenas quando Deus fizer novas todas as coisas.

Deus nos confiou o cuidado de Sua criação. Um dia Ele irá requerer isso de nós (Isaías 35). Nossa responsabilidade, até então, é cuidar da parte da criação que nos foi confiada. Se não cuidamos do planeta nesta vida, deveríamos esperar que Deus nos dê um planeta renovado na vida porvir?

No final dos tempos, Deus fará novas todas as coisas. O Éden da criação original será restaurado. A Escritura retrata uma Terra muito diferente da que nos foi dada para gerenciar. Será um lugar em que não haverá morte nem sofrimento, onde a ganância humana não mais ameaçará os recursos naturais. Não existirão predadores para prejudicar e destruir as pessoas (Isaías 65:17-25, Apocalipse 21:1-7)15. Até esse dia, nossos melhores esforços não poderão desfazer completamente o mal que fizemos nem poderão apagar a mancha do pecado neste planeta. Ansiamos pelo dia em que veremos a biodiversidade em sua maior riqueza e os ecossistemas funcionando em seu estado mais harmonioso.

Conclusão

Os adventistas do sétimo dia reconhecem e apoiam a convocação bíblica para o cuidado ambiental. Eles se envolvem com o cuidado da criação de várias maneiras e em níveis individuais e corporativos. Pode a Igreja Adventista fazer mais para promover o cuidado da criação? A resposta é “sim”, e o tempo de fazê-lo é agora. Precisamos aumentar o número de pessoas que compartilham das preocupações e metas ambientais. Precisamos apoiar aqueles que se comprometem com projetos válidos, que promovem educação ambiental e gestão da conservação. Precisamos reconhecer a importância da questão ambiental para o testemunho cristão, incorporando-a de maneira mais eficaz a outras mensagens do advento, incluindo a saúde, a educação e o evangelismo.

Floyd E. Hayes (Ph.D., Universidade de Loma Linda) é professor de biologia no Pacific Union College, Angwin, Califórnia. É editor-chefe do Journal of Caribbean Ornithology.

William K. Hayes (Ph.D., Universidade de Wyoming) é professor de biologia e diretor do Centro de Estudos da Biodiversidade e Conservação da Universidade de Loma Linda, Califórnia.

REFERÊNCIAS

  1. Este ensaio reduz um pouco o capítulo final do recém-lançado livro sobre conceitos adventistas em relação a questões ambientais, escrito por alguns dos principais acadêmicos e pesquisadores adventistas. Ver Entrusted: Adventists and Environmental Care eds. Stephen G. Dunbar, L. James Gibson, e Humberto M. Rasi (Boise, Idaho: Publicadora Pacific Press. Assn., 2013). Agradecemos aos editores desse livro por sugerirem alguns dos grandes temas em que este artigo está organizado.
  2. Gênesis 1; ver também Crença Fundamental Adventista #6 (http://www.adventist.org/beliefs/fundamental/index.html).
  3. Crença Fundamental Adventista #20.
  4. Todas as passagens bíblicas, salvo indicação em contrário, são da Nova Versão Internacional.
  5. Crença Fundamental Adventista #20.
  6. Crença Fundamental Adventista #21.
  7. Ver, por exemplo, H.J. Marlow, W.K. Hayes, S. Soret, R.L. Carter, E.R. Schwab, e J. Sabate, “Diet and the environment: Does what you eat matter?” American Journal of Clinical Nutrition 89 (2009): 1699S-1703S.
  8. Crença Fundamental Adventista #22.
  9. R. Costanza, R. d’Arge, R. de Groot, S. Farber, M. Grasso, B. Hannon, K. Limburg, S. Naeem, R.V. O’Neill, J. Paruelo, R.G. Raskin, P. Sutton, e M. van den Belt, “The value of the world’s ecosystem services and natural capital”, Nature 387 (1997): 253-260.
  10. J.L. Guth, J.C. Green, L.A. Kellstedt, e C.E. Smidt, “Faith and the environment: Religious beliefs and attitudes on environmental policy”, American Journal of Political Science 39 (1995):364-382; P.W. Schultz, L. Zelezny, e N.J. Dalrymple, “A multinational perspective on the relation between Judeo-Christian religious beliefs and attitudes of environmental concern”, Environment and Behavior 32 (2000):576-591; A.M. McCright e R.E. Dunlap, “Defeating Kyoto: The conservative movement’s impact on U.S. climate change policy”, Social Problems 50 (2003):348-373; R.S. Allen, E. Castano, e P.D. Allen, “Conservatism and concern for the environment”, Quarterly Journal of Ideology 30(3/4) (2007):1-25; D.E. Sherkat e C.G Ellison, “Structuring the religion-environment connection: Identifying religious influences on environmental concern and activism”, Journal for the Scientific Study of Religion 46 (2007):71 -85; D.M. Konisky, J. Milyo, e L.E. Richardson, Jr., “Environmental policy attitudes: Issues, geographic scale, and political trust”, Social Science Quarterly 89 (2008):1066-1085; M.N. Peterson e J. Liu, “Impacts of religion on environmental worldviews: The Teton Valley case”, Society and Natural Resources 21 (2008):704-718.
  11. Ver Appendices in Entrusted: Adventists and Environmental Care (nota final 1).
  12. De “A Statement on the Environment”, a declaração de 1995 em Apêndice B in Entrusted: Adventists and Environmental Care (nota final 1).
  13. J.T. Baldwin, “Keepers of the garden: Christians and the environment”, Diálogo 14(1) (2002):8-11; A. von Maur, “How can we build and dwell as stewards of the natural environment?” Capítulo 16 de Entrusted: Adventists and Environmental Care (nota final 1).
  14. De “A Statement on the Environment”, Apêndice B em Entrusted: Adventists and Environmental Care (nota final 1).
  15. Crença Fundamental Adventista #28. Este artigo é uma versão adaptada do original que apareceu como o capítulo final do livro recém-lançado sobre os conceitos adventistas de gestão ambiental, escrito pelos principais líderes intelectuais e eruditos adventistas. Veja: Adventists and Environmental Care, eds. Stephen G. Dunbar, L. James Gibson, e Humberto M. Rasi (Boise, Idaho: Pacific Press Pub. Assn, 2013). Usado com permissão.