EDITORIAL

A pergunta mais importante

Enfrentar perguntas é rotina na vida do estudante. A maioria das perguntas são previsíveis: Quantas páginas eu devo ler para o meu relatório de leitura? Estou pronto para este exame? Quando tenho que devolver os livros da biblioteca? Quantos relatórios tenho que fazer até o fim da semana? Essas e outras considerações semelhantes aparecem de vez em quando e as respostas são simples.

Por outro lado, há as perguntas que os professores fazem. Essas dizem respeito a provas, exames e dissertações. Os alunos enfrentam uma série de consequências – agradáveis ou não, dependendo do tipo de respostas que dão e dos relatórios que fazem. Às vezes, as respostas dadas podem afetar o processo de aprendizagem a longo prazo, tendo em vista que sua produtividade pode ajudar ou atrapalhar mais adiante as oportunidades acadêmicas e de trabalho. Por isso, os estudantes são conscientizados de que sua responsabilidade é dar respostas precisas, claras e diretas. Suas respostas devem mostrar proficiência na área testada do conhecimento humano e respostas que exponham claramente tudo o que têm armazenado em seu cérebro.

No entanto, há ainda outras perguntas que transcendem essas áreas, em importância e consequências. Elas vão testar além do que está nos livros didáticos, ou do que é apresentado no discurso ou discussão em sala de aula. São perguntas que têm a ver com a essência da vida – seu significado e propósito. Considere o seguinte:

Quem sou eu? Essa pergunta não é respondida fornecendo um nome, referin-

do-se a alguém, como o seu pai, declarando sua residência ou cidadania. Cada um desses detalhes refere-se a uma forma de identidade da pessoa, mas não é suficiente para definir a essência do ser humano. A pergunta pode exigir identificação pessoal em termos de traços particulares, de gostos, fraquezas e limitações. E podem surgir outras questões também: O que posso fazer com essa combinação específica de habilidades e fraquezas? O que posso fazer com a maior parte da primeira, enquanto tiro as outras do foco? A pergunta “Quem sou eu?” deixa de envolver as características pessoais e passa a abranger as habilidades relacionais, defeitos ou conquistas.

Para onde estou indo? Se a pergunta anterior exige a delimitação da identidade, e uma identidade em termos de relacionamento, essa questão passa a se referir ao destino da pessoa: Qual é o meu objetivo final? Até onde estou planejando chegar? Que papel desejo exercer neste mundo? Qual é a minha missão, aquela que vai além do mero trabalho e considerações pessoais? Essas perguntas não oferecem respostas já prontas e padronizadas. Elas dependem de suas observações, monitoramento, discussão e reflexão, não muito diferente de um trabalho meticuloso de laboratório, onde fatos isolados não são facilmente observáveis ou finalmente verificáveis. A questão exige uma longa jornada e boa perspectiva – em última análise, é necessário juntar as peças do quebra-cabeça para chegar a um destino que tenha significado. Nessa jornada rumo a um final bem-sucedido, até mesmo pessoas que você pensa que podem colaborar, possivelmente não estejam qualificadas para o que deseja. Não se chega a um destino escolhido por delegação, embora saber delegar tenha o seu valor, mas sim, pelo suor, labuta, sonhos, e avançando em direção ao alvo proposto. Não pense, nem por um momento, que outra pessoa possa fazer aquilo que compete a você realizar.

Eu estou sozinho, ou tenho alguma ajuda? Essa talvez seja a expressão máxima de impotência de alguém que busca apoio. Aqui é onde aquela força misteriosa vai desempenhar o seu papel: a fé em Alguém maior do que nós mesmos. A Bíblia identifica esse Alguém como sendo o próprio Cristo. Como um santo homem há muito tempo comentou, devemos dizer também: “Posso todas as coisas nAquele que me fortalece” (Filipenses 4:13). Não importa o continente em que você vive, se é homem ou mulher, se é calouro ou está cursando o seu último ano; mais cedo ou mais tarde, terá que abandonar a rotina diária da intensa agenda e vida de robôs que todos temos a tendência de viver, para ir em busca de um lugar tranquilo, onde possa se encontrar consigo mesmo e conhecer esse Deus que promete ser o seu eterno Companheiro, que ajudará você a alcançar seus objetivos e a chegar ao seu destino.

“De nós mesmos nada podemos fazer; mediante Cristo, porém, podemos fazer todas as coisas. O propósito de Deus é que sejamos um auxílio e bênção um ao outro, e que sejamos fortes no Senhor e na força do Seu poder. [...] Deus vive e reina; e Ele nos dará todo o auxílio de que necessitarmos. É nosso privilégio, em todas as ocasiões, receber força e animação de Sua bendita promessa: ‘Minha graça te basta’” (Ellen G. White, Evangelismo, p. 98).

Se você ainda não respondeu a essas três perguntas de importância existencial e eterna, permita-me lançar-lhe o desafio e lhe dizer que o momento de se fazer e enfrentar essas perguntas é agora. Você não tem tempo a perder. Isso pode significar ter que dar prioridade a essas questões e à Pessoa que tem a chave para a resposta que você necessita. Aproveite esse momento e tenha um encontro consigo mesmo, e entre você e Deus. Vá para um lugar tranquilo em meio à natureza e, por favor, desligue o seu smartphone; ele pode esperar. Então, envie ao Senhor uma mensagem. Chame-O, peça a Sua ajuda, e Ele ficará muito feliz em lhe atender e mostrar o caminho até o seu destino final.

Susana Schulz (Mestre em Aconselhamento e Orientação pela Universidade de Loma Linda, Califórnia) é coordenadora editorial da revista Diálogo e responsável pelas edições internacionais.